O petróleo é nosso?

Pasadena_PetrobrasEmbora discorde da ideia, penso que predomina no País a ideia de que o petróleo é nosso simplesmente porque é extraído (em terra e no mar) por uma empresa estatal.

A questão da aquisição da refinaria de Pasadena*, nos EUA, nos obriga a uma reflexão: por que comprar uma velha refinaria fora do País, quando consumimos tudo que produzimos? Um raciocínio mais imediato nos leva a concluir que a aquisição resultou de uma decisão meramente comercial, ou seja, o que a Petrobras fez foi avalizar um bom negócio fora do padrão que vem dominando a empresa.

Não tem sentido produzir petróleo nos EUA para embarcá-lo para o País, a menos que se trate de realizar um bom negócio. Embora a compra tenha sido autorizada pelo Conselho de Administração da Petrobras – onde Dilma tem assento – dúvidas sobre o valor de sua aquisição em 2006 por US$790 milhões continuam gerando suspeitas. A Presidente, até por fazer parte do Conselho, não pode ignorá-las.

Cerveró, ex-diretor, estava “fechando” a operação para que a comissão de venda atendesse a compromissos políticos já existentes entre duas gestões sucessivas. Presumivelmente, as “comissões” de compra/venda abasteceriam a campanha de Dilma Rousseff.

O Procurador responsável pela Operação Lava-Jato informa que vai tentar manter o exame das operações baseado no absurdo do preço, ou seja, do valor do negócio. A refinaria é velha e a aparência só faz confirmar o fato. Se combinado isto com o absurdo do preço, tudo parece indicar que, sob o ponto de vista dos intermediários, a operação foi ótima. O petróleo continua sendo uma combinação letal de nacionalidade e rapinagem.

O produto vem, há muitos anos, minando não só a economia nacional como toda a rationalia. O petróleo é nosso, mas, provavelmente, devido ao seu elevado custo de extração, se fosse importado em bruto ou seus derivados, teríamos nas bombas preços muito mais razoáveis e, certamente, teríamos um país muito mais desenvolvido na medida em que a gasolina e o diesel são meios e não, fins. Assim, seus preços de extração e refino seriam muito mais adequados e uma série de empresas ter-se-ia desenvolvido a partir de produtos muito mais baratos.

Na verdade, acho que a campanha bem sucedida de O Petróleo é Nosso tem custado ao Brasil uma taxa decrescente de desenvolvimento anual. A questão é que o assunto Petrobras não é nosso, como defende a campanha. O que é nosso é seu resultado na taxa de crescimento do País.

 

Leia também:  Sobre Eduardo Bolsonaro na embaixada brasileira nos EUA

Veja também:

* Pasadena pode ter rendido propina de até US$ 100 milhões, diz delator

Operação Lava Jato: Luiz Argôlo é condenado a quase 12 anos de prisão

Nova fase da Lava Jato visa 4 ex-funcionários da Petrobras

 

fonte da imagem: site da Petrobras / blog Fatos e Dados [vis. em 17/11/2015]

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Leia também:  A intervenção estatal e as leis Cavalo de Troia

Comentários

  1. Ora bolas dileto editor! que o petróleo pertence ao povo brasileiro não resta a menor dúvida! No entanto parece que vocês da imprensa erudita tem olhos de “ciclope” para não enxergar o tamanho da espoliação e roubo do bem público. Qualquer imbecil sabe que os minerais gerados num pais qualquer pertence à Nação que os possui, neste caso aqui representada pelo governo legalmente constituído, que deveria administrar e distribuir os lucros aos seus legítimos proprietários: O POVO!…logo O petróleo PERTENCE AO POVO. Mas os políticos, governantes, banqueiros através de leis, conchavos, subornos e propinas se apossaram das jazidas do pais, assim com fez Cabral ao “invadir o Brasil” em nome de sua majestade “O Rei de Portugal”… Para não dar na vista venderam, arrendaram à exploração estrangeira em troca de comissões e propinas o riquíssimo “ouro negro brasileiro”! Sobrando ainda ao cidadão a espoliação de R$ 3,50 por um litro da famigerada gasolina, à revelia do álcool que é puro e genuinamente nacional, enquanto a mesma gasolina gerada por esta espúria negociação é vendida nos EU, a cerca de 1,oo US$ por galão (4,5 ls).
    Escreve o editor:
    (O petróleo é nosso, mas, provavelmente, devido ao seu elevado custo de
    extração, se fosse importado em bruto ou seus derivados, teríamos nas bombas
    preços muito mais razoáveis e, certamente, teríamos um país muito mais
    desenvolvido na medida em que a gasolina e o diesel são meios e não, fins.
    Assim, seus preços de extração e refino seriam muito mais adequados e uma série
    de empresas ter-se-ia desenvolvido a partir de produtos muito mais baratos.)

    Ora! Afirmar, concordar e se contentar que o custo de extração é elevado é mais uma ilação deslavada para desviar a atenção e o raciocínio lógico dos indivíduos; ou seja: os custos são altos sim, mas o produto sai de graça das entranhas da terra aos bilhões de barris anuais, cujo custo é “alto pagável”, isto é, não sai um centavo
    do bolso dos investidores, a extração do petróleo se paga e se financia a si mesmo!!!
    A quem vocês querem enganar?
    Para entender o que aconteceu em passadina vou contar uma historinha que ilustra com precisão o fato acontecido:
    “Certo prefeito de uma cidadezinha cortada ao meio por um rio, para cumprir promessa de campanha abriu concorrência publica para construir uma ponte para ligar acidade e resolver um problema grave de movimentação, cruzamento e
    abastecimento do outro lado, que era feito por barcaças arrendadas a preços extorsivos.
    3 empreses compareceram para as cotações. Uma Alemã, uma Americana e uma Brasileira.
    Os alemães apresentaram um orçamento de US$ 3 milhões de dólares.— O prefeito assustado questionou:
    —- 3 milhões de dólares por uma pontezinha de 300 metros?!!! Porque tudo isso?
    — Calma “mainn herr!”, retruca o engenheiro alemão, são para cobrir os custos da obra, ou seja; um milhão para a compra de equipamentos novos; um milhão para o pagamento do staff, engenharia, custos administrativos, mão de obra qualificada, etc – e um milhão pela nossa eficiente administração e lucros operacionais…
    Os americanos vieram a seguir e orçaram a obra em 6 milhões de dólares… o
    prefeito quase teve um enfarte e questionou: Mas como é possível isso? Os
    americanos responderam com arrogância: — Considerando que temos a melhor
    tecnologia do mundo: 2 milhões serão usados para a compra de equipamentos
    necessários -´2 milhões para a contratação de profissionais, engenheiros,
    impostos, e mão de obra; 2 milhões é para bancar nosso lucro bruto…
    Chegando a empresa brasileira, sem quaisquer escrúpulos perguntou ao prefeito quanto haviam orçado os concorrentes; o qual foi revelado… Este com o maior cinismo anunciou com grande entusiasmo. — Pois é excelência, esta ponte vai custar 9 milhões de dólares… O prefeito indignado resmunga: “Tá ficando doido sô!? Como vou justificar isso?
    Calma, calma “chefinha”! “Tá tudo nos conforme”, é praxe do governo central: os valores são razoáveis, a saber:
    3 milhões nós pagamos a você… 3 milhões são para minha empresa, e eu, é claro… com os 3 milhões restantes, nós contratamos os alemães para fazer a ponte!

    E assim as nossas riquezas minerais e afins vão para o ralo, para enriquecer grupos econômicos estrangeiros, presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores e toda a camarilha administrativa apadrinhada contratada por eles… enquanto o petróleo que é nosso serve de motivos para acirrada disputas partidárias participar da esdruxula regra de três: 1 milhão
    para você … um milhão para mim … um milhão para inglês ver.. E vai por aí!