O país do derrotismo

Estudante-derrotistaNesta eleição presidencial, morna e insossa, vejo diversos derrotistas – na maior parte eleitores de Aécio Neves – declarando votos à Marina Silva. Trata-se de um fenômeno psicológico chamado de “aprovação social”.

Trocando em miúdos, é um comportamento automático de seguir os demais. Se todos estão caminhando em uma direção, faz sentido agir da mesma forma. Esse fenômeno de psicologia social explica, e.g., investidores que compram ações de empresas quando os preços estão subindo; e vendem quando estão caindo. O prejuízo é certo!

Isso, contudo, é apenas uma forma de agirmos sem refletir decidindo de forma mecanizada. Utilizar esse “atalho do pensamento” para determinar o futuro do país é um erro fulgurante. Quem for eleito presidente passará os próximos quatro anos influenciando o nosso dia a dia. Vamos fazer essa escolha com base no que os demais pensam??

Na minha modesta opinião, seria absolutamente irresponsável agir dessa forma. Precisamos de reflexão e de analisar: quem tem as melhores propostas; quem pode trazer credibilidade para o país; quem lutará pela previsibilidade nas relações entre pessoas (físicas ou jurídicas) e o Estado; quem tem o melhor time; quem será capaz de equilibrar nossa economia capenga; dentre outras questões.

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Atualmente, temos três candidaturas viáveis para a presidência: Marina Silva, Dilma Rousseff e Aécio Neves. A primeira, muda seu programa de acordo com os ventos do IBOPE, é, na feliz expressão de Winston Churchill, “um mistério, envolto por um enigma, embrulhado num segredo”. Ninguém sabe o que ela fará. Aliás, o mercado internacional já percebeu isso e perdeu o “encanto” por sua candidatura ziguezague. A segunda, por sua vez, é mais do mesmo. Já sabemos no que vai dar… O terceiro, tem um excelente time e seu partido já demonstrou ser capaz de colocar a economia nos eixos. Todavia, ainda não empolgou o eleitorado, e, até o momento, vem “pregando para convertidos”.

Historicamente, segundo Marco Antonio Villa, as eleições brasileiras são decididas nos últimos dez dias. Ou seja, o Tucano ainda tem tempo para virar o jogo. Mas, para tanto, precisará falar com paixão, emoção e apresentar dados concretos. Deverá atacar o governo do partido que está no poder. Tarefa fácil, pois nos últimos 12 anos a sucessão de equívocos foi tremenda e levou o país para um quadro caótico. Há pontos de sobra para atacar. No que se refere à Marina Silva, é preciso esclarecer que ela veio do PT, e, assim, não representa qualquer mudança. É puro marketing. Seu programa em constante metamorfose é a maior prova disso.

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Nada está definido. Todavia, Aécio precisa urgentemente subir o tom e falar em suas propostas de uma forma simples, firme e direta. Não adianta nada repetir que tem o melhor time e os melhores projetos. O candidato precisa mostrar que a nossa recessão não decorre de uma crise internacional – o discurso preferido de Dilma.

Deve esclarecer, também, que o nosso caos econômico – dentre outras questões – decorre, primordialmente, da absoluta quebra de confiança nas instituições brasileiras, o que vem afastando o capital produtivo estrangeiro do Brasil. Investidores preferem países com regras claras que não se alteram diante de conveniências políticas. Se continuarmos nessa rota de imprevisibilidade, caminharemos para uma depressão econômica!

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Enfim, o Tucano tem de subir o tom, transferir confiança e criar o desejo de os eleitores votarem nele. Mas, parece que o PSDB não está mais unido como na época do anúncio de sua candidatura. Eles próprios estão seguindo a maré, na tentativa de uma futura e incerta composição para apoiar uma provável eleição de Marina Silva.

É um fracasso partidário sem precedentes, será a quarta eleição presidencial perdida, desde o Governo de Fernando Henrique Cardoso (único Tucano que ocupou a presidência). Já disse diversas vezes, Aécio Neves corre o risco de perder sem dar um grito, sem vibrar, sem lutar… Como diz o dito popular, “o jogo só acaba quando termina”. Sem gana e empolgação, não se ganha uma eleição.

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Leonardo Correa

Leonardo Correa

Advogado e LLM pela University of Pennsylvania, articulista no Instituto Liberal.

2 comentários em “O país do derrotismo

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    09/09/2014 em 7:06 pm
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    O articulista disse tudo. O PSDB parece que quer perder a eleição. Eu venho sempre dizendo nas redes sociais: o Aécio precisa subir o tom. Atacar as mazelas do atual governo e falar de forma que o povão entenda.

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