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O mercantilismo chinês

A China, nos últimos anos, vem alavancando o seu PIB com a perspectiva de alcançar e, quem sabe, até mesmo ultrapassar o PIB americano. Essa é a consequência imediata que se demonstra de forma favorável à economia chinesa. Contudo, como dito por Frédéric Bastiat, na esfera econômica, um ato não gera somente um efeito, mas uma série de efeitos, sendo somente o primeiro deles imediato e, portanto, visível. Logo, além daquilo que se vê, há também as demais consequências que não se veem.

No caso da China, o ato econômico é a prática do mercantilismo. O reflexo disso no PIB é o que se vê e a intervenção do Estado é o que não se vê. Por isso, trata-se de uma prática mercantilista, equivocadamente interpretada como uma economia de mercado. A China, assim como ocorreu com a ex-União Soviética e as democracias mercantilistas da América Latina, demonstrará que a liberdade de produzir e de comercializar não serve para nada quando manipulada pelo governo. Na verdade, a China tem se sujeitado de forma intensiva às relações comerciais visando apenas ao lucro e às vantagens financeiras, mas não à liberdade em si.

Analisando o cenário atual, a China projeta seu PIB com expectativa de superar o americano e tornar-se, então, a superpotência mundial, status ocupado hoje pelos EUA. Contudo, para que a China continue alavancando o PIB, ela depende de manter suas exportações para seu principal parceiro: os próprios Estados Unidos. Não há chances de a China manter seu modelo econômico, caso os EUA reduzam as importações chinesas, haja vista serem eles o maior propulsor do PIB chinês.

A economia da China tem como base o setor industrial. Havendo um impacto de redução nas exportações, ocorrerá um efeito dominó, pois todos os demais setores dependem dele. Em suma, há um conflito de interesses: a China não conseguirá ultrapassar o PIB americano se os EUA não consentirem, justamente por depender deles para evoluir.

Outro fator determinante para o fracasso do modelo econômico chinês é o planejamento centralizado da economia. Hayek explana sobre isso ao discorrer que o planejamento econômico possui consequências políticas, como o corte da liberdade em todos os âmbitos, sejam eles econômico, político, cultural e individual. O planejamento era também denominado por Hayek como construtivismo ou engenharia social, pois o intuito é de que a minoria, representada pelo governo, construa um modelo teórico político e econômico e o aplique na realidade, o que ocorre por meio de coerção; caso contrário, não haveria um modelo pré-definido, mas sim uma economia de mercado.

Para finalizar, conclui-se que o modelo econômico da China não apresenta solidez, não cria valor e nem acúmulo de capital, mas cria uma imediata alavancagem do PIB, proveniente de um mercantilismo keynesiano, que gera uma falsa expectativa de prosperidade, haja vista que a doutrina keynesiana defende a intervenção do Estado na economia sempre que se fizer necessário. Ora, se a China depende dos Estados Unidos para ultrapassá-lo, será mesmo que a sua prosperidade econômica é sustentável?

*Paula Magioni é associada I do Instituto Líderes do Amanhã. 

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