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O maniqueísmo maneta de Jean Willis

marxismoVou dar meu pitaco na discussão entre Rodrigo Constantino e Jean Willis que está correndo a rede. Jean argumenta em artigo na Carta Capital que Rodrigo Constantino tem um pensamento infantil porque divide as pessoas em bem e mal, e que na verdade há interrelações entre os diferentes problemas e pautas sociais. Embora Rodrigo já tenha dado uma resposta, quero focar no fato que Jean Willis está correto ao dizer que esse pensamento maniqueísta de dividir as pessoas em bem e mal é infantil, mas absolutamente incorreto ao imputar isso a Rodrigo ou ao pensamento liberal, e que faz muito mais sentido imputar tal estrutura de pensamento à filosofia socialista.

Agora abro espaço para falar sobre filosofia marxista. A ideia central do pensamento marxista é a do materialismo dialético, ou seja, de que o pensamento científico é formado a partir da contraposição de ideias antagônicas que gerariam síntese, de onde nasceria outra ideia antagônica, oposta à síntese original, saindo nova síntese daí, em um processo indefinido.

Veja que TODO O PENSAMENTO MARXISTA É FUNDADO EM DIALÉTICA, OU SEJA, NA LUTA DO BEM CONTRA O MAL, que é exatamente a crítica feita por Jean, da qual Constantino nunca se filiou e inclusive devota sua vida a combater. O pensamento marxista é exatamente o que diz Jean Willis, uma eterna luta de bem contra o mal, um maniqueísmo maneta.

O que Jean Willis está fazendo é seguir a cartilha da máxima de Lênin: “acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.

No campo da história social, esse pensamento é aplicado a partir da criação do conceito de classe social, e então se constrói a ideia de que a história humana é a história da luta de classes: cidadão X escravo (Grécia), patrício X plebeu (Roma), nobreza X servos (feudalismo), burgueses X proletários (sociedade industrial). 

Como é característico de Marx não prever o futuro (sua obra é marcada por críticas, nunca por soluções, daí a necessidade do movimento marxista tentar sempre pressupor o que Marx diria a respeito da sociedade moderna), declarou-se o fim da história e que a sociedade sintetizada da luta entre burgueses e proletários seria a sociedade final.

O problema dos socialistas modernos é justamente a crítica de Jean Willis. O mundo é muito entrelaçado e com muitas variáveis para se funcionar através da dialética. Marx se perdeu no tempo. 

E aí vem o sempre maravilhoso Popper (um dos filósofos favoritos do Rodrigo), para dizer que dialética é pseudociência, pois o método científico não precisa de uma antítese para criar uma afirmação. Ele precisa de continua experimentação para se falsificar ou não uma hipótese. E aí vem a postura humilde da visão popperiana: Popper não diz que a experimentação valida uma hipótese, diz que no máximo a demonstra falsa, ou seja, embora a verdade seja absoluta, aquilo que o homem entende por verdade pode ser demonstrada falsa, e precisamos novamente formular nossa busca pela verdade.

Na prática, todo liberal entende que o que ele considera hoje verdade, pode vir a ser provado que não é. Rodrigo, como bom liberal, sempre pensou assim. Tanto é que, embora ele seja meu Presidente no IL, eu sou muito mais radical que ele e ele nunca me proibiu de escrever qualquer coisa, e muitas vezes eu escrevi textos dos quais ele discorda frontalmente.

Não se deixem levar por um sujeito tão desonesto quanto Willis. E é isso que Willis é, pois ele sabe que a dialética dele é que é estruturada em historinha infantil, mas imputa tal falha a terceiros. Rodrigo pode ter seus equívocos, e eu mesmo os aponto quando sinto necessidade (e mesmo assim tendo plena ciência de que na verdade ele pode estar certo e eu errado), mas intelectualmente desonesto ele nunca foi. Isso eu posso garantir.

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

Um comentário em “O maniqueísmo maneta de Jean Willis

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    11/03/2014 em 4:39 pm
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    Ótimo texto!

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