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O liberalismo é o que há de mais antifascista

Se tivéssemos que eleger uma ideologia como sendo a mais extremamente antagônica ao fascismo, esta certamente seria o liberalismo. No entanto, o que não falta são militantes “antifascistas” chamando liberais de fascistas, adotando uma retórica anticapitalista e defendendo uma derrocada daquilo que melhor garante coisas como as liberdades individuais, incluindo o próprio direito de se manifestar – não cometer crimes -, que é a democracia liberal.

Defendendo o fascismo, nas próprias palavras de Mussolini, “tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”, ou seja, sendo um coletivismo de tônica nacionalista e fortemente estatista, é fácil ver como o liberalismo, com sua defesa do individualismo e da limitação das garras do Estado, é seu nêmesis. É também fácil perceber que ele (fascismo) está muito mais próximo do socialismo, comungando do mesmo estatismo coletivista e, por consequência, dos mesmos métodos autoritários. Não pretendo aqui voltar à discussão pueril sobre se o nazismo e fascismo são de esquerda ou direita. Fato é que a nível mundial essas ideologias são consideradas de extrema-direita, mas a semelhança com o socialismo demonstra, acima de tudo, o quanto os extremos se assemelham, e isso é o mais importante.

O movimento americano “Antifa”, que ganhou notoriedade em meio ao vandalismo que estamos vendo nas ruas de lá, é originalmente formado por grupos comunistas, socialistas e anarquistas. Isso demonstra que ser antifascista, ou se dizer antifascista, não significa dizer que você é democrata ou defende os valores que historicamente nos permitem gozar de liberdade. Na história política do século XX os comunistas de fato se tornaram rivais dos fascistas/nazistas, mas isso significa que os comunistas sejam bonzinhos e humanitários? Não. Todo liberal é antifascista por definição, uma consequência natural das ideias defendidas, mas o antifascismo de grupos radicais de esquerda talvez se deite muito mais no bojo de agendas políticas, por vezes tão radicais quanto as que dizem combater. Dá para se imaginar que tipo de governo aqueles que dizem que os liberais são fascistas nos gostariam de impor.

Além disso, também ocorre uma perversão do termo “fascista”, usado pela esquerda para colocar no mesmo balaio todo tipo de extremismo que acreditem ser de direita, quando não, adjetivar qualquer divergente, e totalmente divorciado do sentido original. Nunca qualifiquei Bolsonaro como fascista, por exemplo, porque, no sentido estrito do termo, ele não é. Isso não é, obviamente um elogio, pois ele é sim um extremista, mas um tipo diferente de extremista. Considerar todos os extremos como igualmente ruins não significa considerar que eles sejam exatamente iguais em características. Se assim o fosse, poderíamos também chamar os radicais da intervenção militar de comunistas, o que não faria sentido, pois são extremistas de outra estirpe.

Essa perversão do termo fica ainda mais clara quando vemos parte da esquerda, a exemplo do PDT de Ciro Gomes, se derreter de amores por Getúlio Vargas, notório simpatizante do nazifascismo e que comandou uma ditadura com esse molde, chamando os bolsonaristas de fascistas. Trata-se de hipocrisia e de cinismo.

O fascismo “original” e as deformações extremistas que acabam erroneamente recebendo esse rótulo devem sim ser repudiados por todos aqueles que, liberais ou não, defendem a ordem democrática, e o trabalho será muito melhor feito se, ao mesmo tempo, forem denunciados aqueles que, sob a alcunha de antifascistas, tentam esconder sua verdadeira face autoritária.

Gabriel Wilhelms

Gabriel Wilhelms

É licenciado em Música e graduando em Ciências Econômicas, atua como colunista e articulista político.