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O genuíno sistema democrático da satisfação dos consumidores

Imagine um homem – ou uma mulher – sentado com seu jeans Levi’s ou Diesel, de tênis Nike ou Puma, em frente ao seu laptop Dell ou HP, mirando a tela de seu computador, com seu óculos Ray-ban, tendo ao seu lado um IPhone ou um Samsung. Esse é o estereótipo de qualquer trabalhador brasileiro entre 20 e 40 anos.

Todos esses jovens-adultos se parecem iguais, pelo menos quanto ao seu hedonismo interclassista, diferindo apenas pela retórica empregada por parte deles. Todos poderiam ser enquadrados como “pequeno-burgueses”.
Esse desejo estético padrão é prova cabal de que os produtos preferidos passaram no mais efetivo teste do sistema capitalista: a competição de mercado e o julgamento pelo crivo popular.

Porém, a narrativa de parte deles é a de que o capitalismo opressor é o grande responsável pelas diferenças de classes e é factualmente o promotor das desigualdades sociais, aliado ao ódio e à inveja daqueles que individualmente se preparam, lutam, correm riscos, protelam seus prazeres imediatos, inovam e descobrem novas formas de fazer as coisas e/ou produtos, serviços e experiências inovadoras que melhor resolvem os problemas de uma determinada sociedade. O prêmio desses inovadores é o lucro e o atingimento de fortunas. Qual o problema – não a inveja – disso?

Esses jovens-homens, guerreiros sociais de sofismas bem-intencionados, desconhecem que o capitalismo aumentou enormemente o consumo e o acesso a bens e serviços, melhorando a qualidade de vida das pessoas, uma vez que aumentou a disponibilidade e a igualdade no desfrute de bens básicos, tais como moradia, alimentação, saúde, educação, transportes, entre outros.

Essa parcela da população, apesar de desfrutar as benesses do “capitalismo selvagem”, sofre de dissonância cognitiva por não querer perceber que o que os indivíduos mais compartilham pragmaticamente é o seu papel enquanto consumidores. Não sabem que o sistema de mercado exerce um papel igualitário, à medida que paulatinamente vai reduzindo o excesso de lucro dos inovadores, passando a beneficiar os mais pobres com produtos e serviços de melhor qualidade.

Nesse sentido, não resta a menor dúvida de que o foco das políticas públicas deve estar no aumento da produtividade, devendo esta reverberar e proporcionar maiores benefícios para os consumidores. É a competição que induz ao aumento de produtividade. Infelizmente, os de visão “míope” foram treinados para enxergarem o mercado como um jogo de soma zero (se uns ganham, outros perdem), para abstraírem os ganhos a partir do consumo capitalista e somente invejarem aqueles que tornaram possíveis as inovações e os ganhos dos consumidores.

O que importa que os inovadores façam fortunas? Nada. Só a inveja e o rancor impulsionam mentes intolerantes a se importarem com o ganho de outros. A riqueza dos descobridores de oportunidades lucrativas, objetivamente, não torna ninguém mais pobre! Não se dão conta de que a base do capitalismo, ou seja, o processo de destruição criativa, tem a capacidade de erodir as antigas fortunas. Fortunas não são imutáveis!

Pois é, não existe nada como o fantástico processo de destruição criativa nos mercados. Não há nenhum outro sistema econômico que proporcione a livre concorrência que resulta em melhores resultados para o todo de um determinado tecido social (não confundir com capitalismo de compadrio). A competição traz no seu bojo as inovações que aportam novos recursos e novas capacidades condutoras de um aumento de produtividade benéfico para toda a sociedade.

Esses moços nunca estiveram tão longe da verdade. A economia de mercado – livre – é o sistema econômico que permite que as pessoas livre e voluntariamente estabeleçam relacionamentos colaborativos nos mercados, capazes de trazer benefícios para todas as pessoas envolvidas. Os benefícios advém da competição e do correspondente aumento da produtividade. Eles se esquecem de que a função da competição é justamente defender e garantir a melhor satisfação dos consumidores!

Mas eles querem matar a galinha provedora dos ovos! Desejam e usufruem os bens e serviços do capitalismo “selvagem”, mas querem seu fim! Em tom professoral, devo dizer que esses jovens-adultos não sabem que, quanto mais complexa e especializada e mais espontaneamente melhorada é uma economia, menos ela pode ser planejada, pois não há como conhecer as preferências e os planos de milhões de pessoas em termos de consumo e produção.

Ah, inclusive as preferências desses mesmos moços, em termos de novos produtos, serviços e experiências!

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.