O dia em que a direita caricata atacou novamente

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Quando escrevi sobre a direita caricata, fui hostilizado. Quando Rodrigo Constantino disse que a manifestação pró-Trump na Av. Paulista foi constrangedora, o atacaram furiosamente. Em suas palavras, “a esquerda foi derrotada, mas a direita ainda não venceu. Ou: a nova direita em fase de crisálida.” . Dito de outro modo, ela ainda está em fase embrionária, portanto é preciso acompanhamento para que essa nova gestação não dê à luz a déspotas apaixonados.

Vejamos. A invasão da Câmara dos Deputados ocorrida ontem (16/11) em nome da direita pode ser dada como um exemplo daquilo que chamei de “aspectos inquietantes da direita caricata”. E não é? Se discorda, o que acha da senhora que viu comunismo na bandeira do Japão por esta conter a cor vermelha? Minimamente paranoica, não? E o pessoal que insiste em chamar Michel Temer de comunista? Ele pode não ser o mais liberal dos sujeitos, mas comunista? Quando propus a reflexão acerca do comportamento da direita era precisamente desse tipo de excesso que falava.

Agora que a direita está tomando fôlego, espero que essa gente desequilibrada não dê razão para que daqui a alguns anos a esquerda ganhe, e com razão, a opinião pública novamente. É preciso prudência!

Um grupo que quebra vidraças e agridem deputados deve ser chamado de direita? Sim, com certeza pode ser assim denominado, mas de direita caricata e autoritária. Mesmo porque essa direita não deve jamais ser confundida com a liberal ou conservadora que tem como inspiração, por exemplo, Burke, Oakeshott, Hayek, Berlin, dentre outros – sim, eu sei que liberalismo e conservadorismo diferem bastante, mas há pontos de convergência.

Em vídeo é possível ver alguns “green blocks” – perdoem o trocadilho – dizendo: “essa é a nossa casa, é a casa do povo”. Qualquer semelhança com o discurso para legitimar o vandalismo de mascarados e sectários vermelhos não é mera coincidência. Se “a casa é do povo” ou não, nada justifica o quebra-quebra, principalmente quando tais sujeitos dizem estar apoiando Sérgio Moro, que atua dentro dos limites da lei e da democracia. Se estivessem gritando “viva Costa e Silva” pelo menos seriam mais coerentes.

Mas afinal, o que quis dizer quando afirmei que o PSOL falou uma verdade? Aqui me refiro à fala na qual o deputado Chico Alencar diz estar preocupado com o “discurso do autoritarismo, da intervenção militar” que, segundo ele, seria “uma semente do fascismo”. Não que o PSOL seja exemplo de democracia, mas ele não tem razão? Se os liberais criticam o autoritarismo da esquerda, por que não deveriam criticar o da direita? Nos regimes autoritários a liberdade é ferida independentemente da ideologia que eles defendem. Toda ditadura é abominável, seja ela verde ou vermelha. As redes sociais estão cheias de pequenos ditadores.

Segundo um manifestante, ele estaria lá para defender “a ordem, o progresso, a família, a igreja e as Forças Armadas”. Primeiro: esse negócio de “progresso” me parece um tanto comtiano. Segundo: não acredito em progresso no sentido de evolução da humanidade rumo à perfeição. Terceiro: não tenho dúvidas que um sujeito com esse discurso e método tem uma predisposição autoritária. Dê a pessoas assim o poder e elas cercearão a liberdade em poucas horas. Como salientou Constantino em sua página no Facebook, essa direita é “tudo aquilo que a esquerda gostaria que fosse a direita, pois é um alvo bem mais fácil”. Caricatos e imprudentes. A fração da direita que dá medo.

O que a direita deveria aprender com a esquerda é como não atuar politicamente. Quer dizer, o autoritarismo da esquerda radical deveria ser visto como repreensível, não como um exemplo a ser seguido. Mas parece que os “green blocks” pensam diferente.

Não é o momento de estragar tudo…

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Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher é estudante de História na Universidade Regional de Blumenau (FURB). Tem interesse por História das Ideias, Filosofia, Literatura e tradição dos livros clássicos.