O complexo messiânico brasileiro

É possível observar ao longo da história política brasileira que sempre houve uma crença exacerbada na possibilidade de um único indivíduo ser capaz de solucionar os grandes problemas sociais que assolam o país. Munindo-se desse imaginário popular e utilizando de marketing e demagogia, diversos políticos chegaram ao poder. Getúlio Vargas, intitulado “pai dos pobres” e […]

É possível observar ao longo da história política brasileira que sempre houve uma crença exacerbada na possibilidade de um único indivíduo ser capaz de solucionar os grandes problemas sociais que assolam o país. Munindo-se desse imaginário popular e utilizando de marketing e demagogia, diversos políticos chegaram ao poder. Getúlio Vargas, intitulado “pai dos pobres” e Luiz Inácio Lula da Silva alcançaram o mais alto cargo político do país usando desse anseio social.

Seguindo a mesma ideia, grupos de pessoas veem em Jair Messias (sem ironias aqui) Bolsonaro a solução para os dilemas do país. Açoitado pelo governo petista, as pessoas não entenderam que o desfecho dos problemas do país não paira em um indivíduo apenas. A bizarra crença de que a sociedade precisa ser salva por algum indivíduo especial que resolverá todos os mais diversos problemas permanece.

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Por mais poder que se concedesse ao salvador da pátria, havia de se enfrentar outro grande dilema, a impossibilidade de ser um único indivíduo deter conhecimento de solucionar os problemas sociais. Em verdade, a solução se encontra dispersa na sociedade, como bem explanou Hayek em seu excelente “O Uso do Conhecimento na Sociedade”, esperamos que o conhecimento esteja a disposição e que uma única mente é capaz de solucionar problemas com base nessas informações dispostas. Ocorre que, como bem conclui o autor, o conhecimento não está disponível em sua totalidade para ninguém, estando disperso na sociedade.

Essa é a razão pela qual sempre o setor privado tem se mostrado mais eficiente em solucionar problemas não só econômicos, como sociais, pois, ao atuar de forma independente, o mesmo encontra soluções viáveis em discussões e parcerias feitas entre si. Ainda não se alcança o ideal porque o conhecimento não está disponível nem para um grande grupo de pessoas que se volta a usá-lo para solucionar problemas, menos ainda para um único indivíduo.

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É muito incômodo observar a falta de inovação científica e notar que os pesquisadores se reduziram a reprodutores de ideias de pessoas que consideram incríveis demais para serem questionadas. Incômodo porque é a partir do desenvolvimento do conhecimento que encontramos grandes soluções, é preciso que o pensamento absurdo de que se faz necessário um Messias para salvar a sociedade brasileira caia por terra e que passemos a apoiar a iniciativa científica e empresária.

Assim, necessário se faz que apoiemos indivíduos e combatamos todo o aparato estatal que os impedem de nos levar ao progresso e desenvolvimento econômico-social ao invés de depositar toda nossa esperança em único político. Todos atuam nas frases de efeito que parecem funcionar. De Lula a Bolsonaro, o messianismo político brasileiro não encanta, apenas decepciona.

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Sobre a autora: Laírcia Vieira Lemos é advogada, pós-graduanda em Direito Processual Civil pela Universidade de Fortaleza, Coordenadora do grupo de estudos Clube Atlas.

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