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O Brasil a caminho de uma Crise de 29

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Boom!

1929. A Grande Depressão. Dezenas de milhões de desempregados. Milhares de lojas e fábricas fechando, pequenos fazendeiros vendendo suas terras por que não conseguiam se sustentar, o governo comprando café e jogando-o no mar para aumentar o seu preço. Pobreza, endividamento e, não raro, suicídios eram cenas comuns nos Estados Unidos e, em menor grau, no Brasil.

O que isso tem a ver com o país hoje? Mais do que você imagina.

Não há motivo para entrar nos meandros da Crise de 29 nos Estados Unidos, já que isso é muito debatido, mas as causas dela no Brasil são claras. Elas não são mero reflexo do que aconteceu lá, mas algo específico daqui.

Em uma breve lição de História, o commodity da época era o café, que iniciou uma era sem precedentes de prosperidade no Brasil (e na Colômbia), com muitos prédios, mansões, estradas, ferrovias e obras públicas sendo construídas com o dinheiro vindo do que era, então, a cocaína do mundo.

Até o preço começar a cair.

Isso não aconteceu nem perto de 1929, mas em 1906, com o Convênio de Taubaté. A lógica era simples: se os cafeicultores mantiverem a sua margem de lucro, não precisarão demitir seus empregados e, assim, a economia não entrará em crise. Como compraremos o café? Com empréstimos. Além disso, o Convênio dizia vagamente que os cafeicultores seriam desencorajados de expandir a produção.

A reação era óbvia. Se eu estou vendendo toda a minha produção e ainda por cima por um bom preço, por que diabos eu plantarei menos? E o resultado todos conhecemos. O que esquecemos, e esta é a parte mais importante, é o que os cafeicultores deixaram de fazer: investir em algo mais lucrativo. A moda da época era a indústria, que não, não surgiu magicamente com Getúlio Vargas e a CSN. Ninguém come, calça nem veste café.

E o que isso tem a ver com hoje? Temos vários “cafés” no Brasil. Uma cláusula pétrea da Constituição é: a indústria automobilística não pode dar prejuízos. Se isso acontecer, pessoas perderão empregos, e a crise virá. Se para isso precisarmos falir a Petrobrás, reduzir o IPI dos automóveis e endividar a população, bom, que pena. A mesma lógica de 1929, e o mesmo resultado: parques de montadoras cobertos de carros que não estão sendo comprados. Pelo menos (ainda) não estão sendo queimados.

O preço do ferro está caindo e a CSN está quase tendo prejuízo? As empreiteiras estão ociosas? Sem problemas: construiremos casas e abriremos linhas de financiamento, como o Minha Casa, Minha Vida. Eletrodomésticos não estão vendendo? Reduzimos o IPI, lançamos o Minha Casa Melhor. O brasileiro fica mais endividado e nós produzimos mais e mais das mesmas coisas. Deus nos livre de uma empresa, loja ou banco ir à bancarrota por vender coisas que nós não queremos ou não podemos comprar.

A receita vem da década de 1930: as pessoas precisam estar empregadas, nem que seja cavando buracos, e no longo prazo as coisas melhorarão. Nós trouxemos as pás, já estamos na fossa e continuamos cavando. É hora de mudar essa política irresponsável. A festa acabou. Precisamos parar de beber e encarar a ressaca. O longo prazo é agora. É hora de ficar sóbrio.

Guilherme Dalla Costa

Guilherme Dalla Costa

Acadêmico de Ciências Econômicas pela UNIFRA (Centro Universitário Franciscano), Coordenador Estadual da Rede Estudantes Pela Liberdade (Rio Grande do Sul) e Conselheiro Executivo do Clube Farroupilha.

Um comentário em “O Brasil a caminho de uma Crise de 29

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    26/07/2014 em 10:26 am
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    Caro Guilherme, excelente artigo! Já havia lido outros artigos seus aqui no IL. É tese interessante e a analogia muito bem feita. Parabens. Fico feliz de ver que vc é do EPL. Parabens ao grupo Farroupilha. Me dá esperança de futuro melhor para o Brasil. abs

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