O atentado contra Bolsonaro: uma consequência do “ódio do bem”

O momento é tenso e as notícias sobre o atentado cometido contra o candidato do PSL abundam. Então vamos direto ao assunto. Afirmar que Adelio Bispo de Oliveira, o autor da facada em Bolsonaro, seja uma exceção, é uma obviedade. Apesar disso, temos aqui um elemento importante – e lamentável – para ser discutido: o […]

O momento é tenso e as notícias sobre o atentado cometido contra o candidato do PSL abundam. Então vamos direto ao assunto. Afirmar que Adelio Bispo de Oliveira, o autor da facada em Bolsonaro, seja uma exceção, é uma obviedade. Apesar disso, temos aqui um elemento importante – e lamentável – para ser discutido: o efeito do “ódio do bem”.

O “ódio do bem”, já muito conhecido, é aquele que, em nome de um suposto “bem”, age com maldade. Em nome da “opressão capitalista”, busca a opressão pelo socialismo etc. Simular a Virgem Maria abortando Jesus Cristo; pichar Igrejas; fazer apologia a luta armada; vangloriar sequestros feitos por terroristas durante o período do regime militar. Ou, claro, esfaquear candidatos à presidência.

Este criminoso que atentou contra a vida de Bolsonaro representa bem esse fenômeno. Para ele a política não é construída com ideias e debates. Para Adelio a política é feita de slogans odiosos, tiros e facadas.

No entanto, se Adelio quis prejudicar a candidatura de Bolsonaro, errou. E errou feio. Neste exato momento o nome do candidato do PSL está rodando o mundo.

A história mostra que atentados contra personalidades políticas só servem para privilegiar o vitimado. Além do mais, sabe-se bem o que pode ocorrer após atos violentos como este. Para ficarmos no exemplo máximo, lembremos do dia 28 de junho de 1914, quando o arquiduque Francisco Fernando foi assassinado, um estopim para o início da Primeira Grande Guerra. Não que eu esteja comparando os fatos, claro. Mas a história aqui serve – mais uma vez – para mostrar que a democracia não é eterna. Ela vive sendo ameaçada pela “galera do bem”.

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Sabemos que o “ódio do bem” fala em nome da democracia, mas é o último a exercê-la. Adelio Bispo de Oliveira provou isso. Suas ideias revolucionárias não ficaram nas redes sociais. Ele, que já foi filiado ao PSOL, gosta de coisas bem características. Vejamos abaixo algumas de suas “curtidas” no Facebook

 

 

Creio que sobre a imagem posso guardar silêncio, pois fala por si só.

Assim que soube da identidade do “suspeito” – como parte da mídia insiste em chamar o criminoso – vi uma frase interessante. Segue abaixo.

Coerente, não é mesmo? Aqui ele prega a tolerância e age de outra forma. Não é por menos, por isso, que tal bandido chame Bolsonaro e companhia de intolerantes e tente cometer um assassinato. Ademais, se ele diz que tem “prazer no triunfo da justiça”, compreendemos, então, o que, para Adelio, significa justiça.

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Este é um momento que exige sobriedade. O pathos político deve ser contido. E por mais que a emoção esteja à espreita esperando um vacilo da razão para fugir dos seus limites, é preciso que ela seja controlada. É fato que muitos eleitores de Bolsonaro – principalmente os mais exaltados – estejam com a faca nos dentes. Por exemplo: vi ao vivo o momento em que o criminoso Adelio sai da delegacia e é encaminhado para uma viatura. O brado que se ouvia no fundo era: “Uh! Vai morrer! Uh! Vai morrer!” Eis o primeiro grito do germe que logo se um monstro revolucionário. Mais do que nunca nos últimos anos, é preciso prudência.

O “ódio do bem” deve ser combatido com a lei; quem deve se engalfinhar na “porrada” são as ideias, e nada mais do que isso! Lula não merece ser esfaqueado; Boulos não merece levar facada; ninguém merece ser gratuitamente ferido se não quisermos retornar ao estado de natureza – ou ao estado do qual os adeptos do “ódio do bem” ainda não saíram.

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Adelio Bispo de Oliveira representa o clássico niilismo russo do século XIX, cujo método político era a eliminação física dos opositores políticos. Ou ainda, ele representa, a bem dizer, apenas o “ódio do bem” levado às últimas consequências.

OBS: uma amiga médica – enquanto eu encerro este texto – acabou de me escrever dizendo que, enquanto trabalhava, ouviu dois médicos próximos dela afirmando a respeito do procedimento médico feito em Jair Bolsonaro: “Deveria ter morrido. Serviço mal feito”. O radicalismo político desrespeitando a vida. Deplorável.

 

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