O anti-americanismo cultural

MickeyCreio que, enfim, entendi o motivo do anti-americanismo da maioria dos intelectuais. Os Estados Unidos representam a vitória do Povão! Povão brega e fanfarrão, mas independente. Povão que manda no Estado. Povão que ignora a masturbação filosófica europeia. Povão que, em vez de tentar ser inteligentinho, prefere se divertir. Povão cujos indivíduos têm liberdade, dinheiro e provavelmente uma arma dentro de casa.

As acusações de que os Estados Unidos impõem um “imperialismo” comercial e político ao mundo não passa de uma cortina para esconder um dos sentimentos mais pobres do ser humano: o recalque. Recalque doloridíssimo diante do sucesso de uma sociedade feita de imigrantes e que em pouco mais de um século não apenas enriqueceu, mas também se tornou a principal referência cultural do mundo. Os inteligentinhos daqui e de todas as partes do mundo não se conformam em ver a cultura americana influenciando a cultura de todos os outros países. Todas as vezes que um intelectualzinho brasileiro escuta, aqui, uma música americana na rádio, no bar, na televisão ou na rua, ele se lembra de que o povão americano só escuta músicas em sua própria língua. Hollywood trabalha para os americanos, não para nós. O povão do mundo consome o que o povão americano produz.

A verdade: Os Estados Unidos representam o maior dos sonhos e o pior dos pesadelos de um intelectual. Sonho por terem desenvolvido uma cultura tão forte e diversa que sua sociedade não se interessa por quase nada de fora. Pesadelo por terem feito tudo isso de forma independente, sem pedir licença à intelligentsia.

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O Blues e o Jazz vieram das igrejas cristãs. Andy Warhol ergueu-se emoldurando como arte aquilo que ainda hoje, em pleno século XXI, causa calafrios nos inteligentinhos socialistas. Michael Jackson queria ser branco e o atual presidente é negro, de origem pobre mas que estudou em Harvard. Rappers não apenas ficam ricos milionários, como também fazem questão de exibir carrões, joias e negras de cabelos alisados. Hollywood sustenta-se expondo tanto a inocência quanto a violência do povão. Artistas criticam o governo. Toda a indústria cultural dos Estados Unidos é sustentada pelo mercado, pelo dinheiro privado. Nenhum cineasta, músico, ator ou pseudojornalista vive à custa do governo.

A produção cultural americana se sobrepõe a da maioria dos outros países por uma única razão: por ser mais atraente. Eles produzem melhor. Eles divulgam melhor. Eles sabem, como ninguém, o que o povão quer de ver. Isso faz com que os inteligentinhos culpem o “imperialismo americano” pela mediocridade da produção cultural em seus respectivos países. Cineastas culpam as produções americanas pela pífia bilheteria de seus filmes. Músicos culpam as produções americanas pela falta de espaço no mercado. Inteligentinhos culpam os “enlatados” americanos pela idiotização da sociedade. Recalque! Recalque! Recalque tão grande que ignoram até o que a história nos conta: culturas são organismos em constante transformação, influenciando umas as outras desigualmente, com algumas abrindo caminho dentro das outras na proporção do interesse que despertam no público. Ou seja: a influência americana é um fenômeno natural – se não fossem eles, estaríamos sob a influência de outro país. O Egito influenciou a Grécia, que influenciou Roma, que influenciou a Europa ocidental… Cá estamos, com nossa cultura sendo moldada pelo resultado da fusão de todas as culturas.

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Em contra-ataque, os recalcados cobram que o Estado crie barreiras contra a influência da cultura americana sob a justificativa de… “proteger a cultura nacional!”. Lembro-me de uma palestra do Ariano Suassuna em Recife, quando ele passou longos minutos defendendo que o brasileiro deveria usar chapéu de couro em vez de boné. Aff!

Contudo, não é o sucesso em si que alimenta o recalque dos intelectuais daqui e de todo o mundo. É o dinheiro que eles – americanos − ganham com a cultura popular. Dinheiro! Intelectual nenhum assume que trabalha para ganhar dinheiro, porém, todos estão sempre tentando arrancar (arrancar!) do Estado as verbas necessárias não apenas para viabilizar seus projetos, mas principalmente para bancar seus confortos, perversões e, claro, suas viagens a Paris.

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Intelectual diz que não gosta de dinheiro, mas exige que a sociedade pague todas as suas contas. Sim… eles se acham evoluidíssimos espiritual e filosoficamente, tanto que enxergam-se imprescindíveis para a sociedade. Todo o resto da sociedade é ralé e o entretenimento de massa é a desgraça humana! Por isso, o povão deveria adorá-los, aplaudi-los e financiá-los. Mas então surgem os artistas “comercias”, que tomam a atenção e o dinheiro do povo; e esses artistas comerciais são influenciados pela cultura capitalista e opressora americana. O recalque os enlouquece…

A certeza: Cada artista ou intelectual que grita contra o imperialismo cultural dos Estados Unidos consome-se de inveja do sucesso americano. Invejam sua força e independência. Invejam a forma como reverenciam sua história e seus ídolos. A breguice e a fanfarronice da cultura pop americana não lhes incomoda apenas por sua extravagância estética, mas também pelo dinheiro e pelos aplausos que seus agentes recebem.

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Comentários

  1. Voce disse tudo quando falou que todo o mundo tem é recalque com os Estados Unidos.

    Concordo com algumas afirmações, de que os americanos só conhecem bem o que é deles, ignorando a cultura dos outros paises. Mas isso vem mudando, e muitos intelectuais americanos já expandiram os seus conhecimentos.

    Francis Sierra Hussein

    francis.hussein@gmail.com

  2. Teoria válido. Merece aprofundamento!

  3. Irretocável!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. Vivo mais nos Estados Unidos do que no Brasil. Infelizmente não posso ficar aqui direto porque meu visto não permite… Aqui a vida é mais fácil, o nosso poder de compra é maior e independente de “americano desinformado ou não” a maioria são educados e agradaveis. Visto a camisa dos Estados Unidos, um pais onde me sinto mais acolhida do que na minha propria casa no Brasil.. se não fosse tão bom assim, não teriam tantos ilegais aqui

    • Voce tem toda razao Simone. Eu nao vivo nos States e sim no Canada mas a maioria dos meus vizinhos viajam para la no nosso inverno e conheco muito da vida dos Norte-americanos. Certamente que eles sao muito mais gentis e educados do que os brasileiros e o fato deles so se preocuparem com o seu pais nao e um defeito mas uma virtude.De que adianta, no Brasil os governos e alguns seguidores se preocuparem so com ditaduras genocidas a ponto de mandarem o dinheiro do povo para Fidel Castro, Nicolas Maduro, Evo Morales, paises Africanos e outros e o Brasil viver mergulhado num caos?

  5. Nossa, quanto recalque contra os intelectuais. Mas me parece que o autor comprou mesmo o mito do sonho americano, acredita mais nele do que os próprios. Já morei lá, e esse cenário que você pinta aí ta longe de ser realidade, meu caro. O americano médio é burro como uma porta – mais que os brasileiros, acredite – e míope, não sabe nada sobre o resto do mundo além do que acontece na tela da TV. Que por sinal, também esquece que o resto do mundo existe. Mas é essa apatia, essa vontade de se divertir em vez de pensar, como o autor acha tão louvável, que faz os EUA ser o país com maior índice de desigualdade econômica do mundo. Onde um punhado de bilionários (Koch brothers, família Walton, entre outros) tem mais dinheiro do que os 50% mais pobres. Onde não se pode ficar doente sem correr o risco de ir à falência (vi isso acontecer com um amigo). Na minha opinião, não há nada que valha a pena imitar desse país, que há muito tempo deixou de ser a terra da liberdade.

  6. Espetacular o seu artigo Joao Cesar De Melo, ele abrange tudo aquilo que gostariamos de expressar com linguagem simples de entender ate por aqueles que nao primam pela intelectualidade. Os intelectualoides que se acham mais vermelhos do que os SOVIETS ficarao com mais odio ainda por terem sido tao claramente desmascarados e de maneira tao obvia que nem irao contestar de tanta vergonha por serem tao bobos e invejosos. Parabens ao nobre jornalista! Fiquei 3 anos sem poder beber Coca-Cola devido auma doenca renal e assim que fiz o transplante, a primeira coisa que pedi foi essa maravilhosa bebida. rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

  7. Caríssimo João Cesar:
    Jamais pensei que o meu pensamento (e de muitos amigos meus), pudesse ser sintetizado de forma tão clara, concisa e inteligente. Meus parabéns ! Estou me dandp os parabéns para mim mesmo por ter tido a ventura de ler sua matéria.
    Mil bravos para vc. Estou divulgando entre meus amigos.
    Abração enorme,
    J.Carlos Schultz

  8. Perfeito. Encerrou o assunto antiamericanismo. Parabéns.

  9. Da mesma forma que o Silas, li seu artigo no RC e também fiz questão de vir aqui parabenizá-lo. Texto primoroso, na mosca.

  10. Meu caro João Cesar De Melo,
    Li seu artigo no Rodrigo Constantino, mas fiz questão de vir aqui para parabenizá-lo pela excelência e verdade do argumento exposto e defendido! Sempre pensei assim! O antiamericanismo é fruto do recalque, da inveja, da incapacidade de fazer melhor e da pequenêz de não o admitr!
    E viva a Coca-Cola que bebo desde que me entendo por gente (estou com 62 anos)! No dia em que fizerem coisa mais gostosa aqui no Brasil…
    Abraços.