Nem Deus dá jeito nos políticos brasileiros

BERNARDO SANTORO *

O porta-voz do Vaticano declarou, de acordo com o Globo, que o Papa Francisco I vai “cobrar da classe política que deixe de oprimir o povo por interesses egoístas e assuma suas responsabilidades para criar uma sociedade justa”. Mas será que isso é possível?

O ser humano, como bem ensina Mises, é um ser racional que busca, através de ações, sair de um estado de menor satisfação para um estado de maior satisfação. O que satisfaz um homem específico vai da natureza de cada um. Alguns homens ficam mais satisfeitos quando buscam objetivos altruístas, outros quando buscam objetivos egoístas, e o homem médio está sempre em um meio termo, às vezes buscando objetivos egoístas, às vezes buscando objetivos altruístas.

A Igreja, como instituição que prega a solidariedade entre os homens, busca ensinar que a verdadeira satisfação está na promoção de objetivos altruístas, e tenta fazer com que o homem médio fique mais inclinado a buscar objetivos altruístas, mas é viável conceber e operacionalizar um sistema político que é baseado na moralidade e no altruísmo do político?

Parece-me que essa não é uma boa opção. Políticos são como homens comuns, com suas falhas e preferências particulares. A tentação do agir egoísta é inerente ao homem, e o homem com grande poder é ainda mais tentado. Como dizia o católico Lord Acton, o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.

O correto é buscarmos um sistema em que a sociedade funcione bem não importando se o governante de ocasião é ou não um escroque. Seria muita pretensão tentar construir aqui, nesse momento, esse sistema ideal, mas a história e a experiência mostram que quando a sociedade civil, as instituições sociais e as garantias individuais são fortes e o governo é fraco e limitado, o político não consegue usar o seu cargo para seus interesses pessoais ou para prejudicar a população como um todo. O que cria uma sociedade justa não é dar responsabilidade aos políticos, como disse o porta-voz do Vaticano, mas retirar responsabilidade deles e entregá-las para os indivíduos soberanos que compõem a sociedade.

Afinal, é mais factível os homens de bem acordarem um sistema político digno e enxuto, baseado no livre-mercado e no direito de propriedade, do que esperar que a Igreja salve a alma do político brasileiro.

* DIRETOR DO INSTITUTO LIBERAL

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