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Não, Sr. Bergoglio, não falta oração: o problema está na mentalidade estatólatra

Já apontei, noutra ocasião, algumas contradições do Papa Francisco que, em nome de um suposto bem estar coletivo, tem adotado uma postura questionável de ataque ao capitalismo de livre mercado e suas variantes. A globalização, a propriedade privada, o libertarianismo, o livre comércio e a associação voluntária entre pessoas que buscam a satisfação de interesses pessoais parecem ser alvos de constante crítica do papa Francisco.

Abaixo, algumas citações feitas pelo Sir Bergoglio que corroboram esta observação:

“A tradição cristã nunca reconheceu o direito à propriedade privada como algo absoluto ou inviolável”.

“O mercado por si só não pode resolver todos os problemas, por mais que façam a gente acreditar nesse dogma da fé neoliberal”.

“Neste sistema sem ética, no centro, há um ídolo, e o mundo tornou-se idólatra do dinheiro”.

“Alguns defendem (…) que todo o crescimento econômico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante. Entretanto, os excluídos continuam a esperar.”

Num de seus ataques caricatos ao libertarianismo, o papa Francisco chegou a defini-lo como uma doutrina antissocial que permite ao indivíduo uma expansão ilimitada de poder, “mesmo ao preço da exclusão e marginalização da maioria”.

Uma das respostas à ideia de que o libertarianismo é um sistema de exclusão social e que promove grandes desigualdades sociais vem de Jeffrey Tucker, Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Para Tucker, a definição dada ao libertarianismo pela autoridade católica é burlesca e é isso o que lhe dá algum passe livre para fazer afirmações que, na prática, não se sustentam. Segundo Tucker, o libertarianismo nada mais é do que uma “teoria política que diz que a liberdade, a harmonia e a paz servem ao bem comum de maneira mais efetiva que a violência e o controle estatal. O libertarianismo defende uma regra normativa: sociedades e indivíduos não devem ser molestados em suas associações voluntárias e em seus relacionamentos comerciais caso não estejam ameaçando fisicamente terceiros”.

Em artigo intitulado Os pobres não têm qualquer chance fora do capitalismo, João Luiz Mauad também fez críticas à postura anticapitalista de Bergoglio. Segundo o autor, “Francisco tem demonstrado, a cada dia, a que veio. Já não restam quaisquer dúvidas acerca da ideologia anticapitalista que o encanta e move”. No artigo, Mauad faz citação a um excerto da encíclica “Laudato Si” em que o papa, a despeito dos benefícios gerados pelas invenções do mundo capitalista que se mostram cada vez mais capazes de aliviar os sofrimentos das massas, faz sérias acusações contra o que chama de hábitos nocivos de consumo. Nas palavras do sumo pontífice, “Um exemplo simples é o uso crescente e a força do ar condicionado”, […]. “Os mercados, que se beneficiam imediatamente das vendas, estimulam a demanda cada vez maior. Um alienígena, ao olhar para o nosso mundo, ficaria espantado com tal comportamento, que às vezes parece autodestrutivo”.

Para complementar suas refutações ao desprezo que o papa mostra pelas empresas gananciosas que buscam apenas o lucro, Mauad sugere a Bergoglio que faça uma visita ao Rio e conheça a realidade das famílias faveladas que, vivendo em ambientes extremamente quentes, “sob lajes escaldantes”, fazem todo o esforço possível para “conseguir adquirir um aparelho de ar-condicionado que possa aliviar-lhes o calor intenso e dar-lhes agradáveis noites de sono”.

Não obstante todas as afirmações contrárias ao capitalismo, caro leitor, e apesar de todo o apoio incondicional à doutrina que contraria o livre mercado, e após vituperar a santidade de Cristo ao aceitar de bom grado o crucifixo comunista do caudilhista Evo Morales, após encontros fraternais e amigáveis com os líderes da Revolução Cubana, após uma conversa sobre um mundo mais “justo e fraterno” com o ex-presidiário inocentado pelos ministros do STF, Luiz Inácio Lula da Silva, o papa, em resposta a um padre que pediu orações pelos seus conterrâneos, disse, em tom de piada, que o problema do Brasil está na falta de oração. Os brasileiros, segundo a autoridade religiosa, não rezam. Esse seria o problema da nossa nação. O problema, para Bergoglio, não tem nenhuma relação com a Teologia da Libertação, o problema está na falta de oração dos brasileiros.

Não, Sr. Bergoglio, o problema do Brasil está na visão estatólatra de mundo que condena a propriedade privada e, com ela, qualquer chance de prosperidade. O problema está na visão deturpada defendida por aqueles que acreditam que empresas de grande porte são movidas pela ganância desenfreada que leva à exclusão. Como ensinara Mises em seu livro As seis lições, ao contrário do que supõe o papa, “as empresas de grande porte, alvo dos mais fanáticos ataques desfechados pelos pretensos esquerdistas, produzem quase exclusivamente para suprir a carência das massas”.

Uma pena que muitos cristãos continuem acreditando na falsa verdade da Teologia da Libertação. Para concluir, deixo aqui um trecho de artigo escrito por Percival Puggina que, na minha modesta visão, expõe um ótimo resumo do que representa o encontro do Cristianismo com a Doutrina Marxista de Che Guevara:

“Quantos cristãos, porém, malgrado a obviedade, se deixam iludir por essa conversa fiada! Depois de criar tantos genocídios de seus irmãos de fé, enquanto lutava e luta contra tudo que for cristão, ela saiu do ambiente político e se infiltrou na Teologia da Libertação, a desastrada, que atrai cristãos para o comunismo e nenhum comunista para o cristianismo”.

Juliano Oliveira

Juliano Oliveira

É administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e mestre em engenharia de produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.