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Erasmo de Roterdã e o bom governante (parte I)

O holandês Desidério Erasmo, mais conhecido como Erasmo de Roterdã, foi um importante idealista do humanismo cristão do período renascentista. Nasceu em Roterdã em 1469 e morreu em Basiléia, em 1536. Foi contemporâneo, portanto, de Nicolau Maquiavel (1469 – 1527). Teólogo e filósofo, estudou na universidade de Paris e construiu seu pensamento em Oxford, concluindo sua formação humanista cristã em Basiléia. Neste pequeno texto, vamos discorrer sobre seu pensamento, sobretudo nos aspectos que versam sobre bons exemplos a nossos governantes. Enquanto seu contemporâneo Maquiavel balizou seus escritos a fim de ajudar o príncipe a perpetuar-se no poder, em Erasmo vemos “um cândido reconhecimento para com as monarquias hereditárias” [N.T]. Nesse sentido, pode-se afirmar que o trabalho de Erasmo foi uma antítese ao do florentino.

Para o filósofo holandês, aquele que é nascido para ser governante deve ser educado de forma a governar com justiça e benevolência, e o governo do príncipe jamais deve se tornar opressivo. Escreve: “O que faz do príncipe um grande homem, senão o consentimento de seus súditos?”. Aqui vê-se uma lucidez importante de Erasmo e aproveito para abrir parênteses: como sofre um país refém de um mau governante que permanece no poder… Por conta disso, defendo o sistema parlamentarista de governo, dado que traz menos obstáculos tanto para expurgar do poder um chefe de governo (presidente) que faz má gestão ou até mesmo para uma dissolução de parlamento.  Claro que, para tal convicção na afirmativa, ancoro-me no parlamentarismo-mãe, o inglês.

Erasmo, que desenvolve suas faculdades intelectuais e escreve num contexto turbulento na Europa, vê na aceitação do povo o consentimento, o direito, de exercer autoridade sobre eles. Para Erasmo, portanto, o governante deveria ser douto de virtude, educado e moralmente bom para entregar o melhor ao povo com as tomadas de decisões mais assertivas possíveis. Ao ler isso, é impossível não me lembrar do “parto” que foi a retirada da ex-presidente Dilma de seu cargo de chefia de governo, mesmo com os índices de reprovação a seu governo batendo em Marte. Aqui, mais uma vez, retomo a mecânica parlamentarista e sua dinâmica para troca de maus governantes.

Como o estudo é denso, para que o texto não se torne cansativo – ou mesmo prolixo -, dividi-lo-ei em partes. Neste breve início, busquei apresentar Erasmo de Roterdã de forma básica: nascimento, formação, linha de pensamento e seu “antagonismo” em relação a Maquiavel. Findo com um clássico enunciado de Erasmo: “A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos”. Parece Chesterton, não é mesmo? Gostou da frase, caro leitor? Então termino, de vez, o texto com mais uma dele: “Os maiores males infiltram-se na vida dos homens sob a ilusória aparência do bem”.

(Continua…)

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer é jornalista diplomado pela Universidade Feevale (RS). De 2015 a meados de 2019, trabalhou no Jornal NH e na Rádio ABC. Editorial Sinos. Entre 2020 e 2021, foi assessor de imprensa do deputado federal Marcel van Hattem, na Câmara dos Deputados (Brasília). Além de colunista e autor no Instituto Liberal (RJ), é colunista dos sites Opinião & Crítica e Tribuna Diária. Atualmente exerce o cargo de Diretor de Gestão Integrada na Secretaria de Segurança Pública de Novo Hamburgo. Autor de A filosofia do fracasso: ensaios antirrevolucionários (Viseu, 2020), República Democrática do Pensamento Único (Almedina, 2021) e coautor de Introdução ao Liberalismo (Almedina, 2021).