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“Não podemos socializar por questões financeiras”

Navegando em uma rede social agora pela manhã, recebi no meu feed um engraçado post, que republico preservando o rosto e nomes dos envolvidos.

ujc

União da Juventude Comunista é o braço jovem do Partido Comunista Brasileiro (PCB), não o confundindo com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que está na base do Governo Dilma. No caso em tela, a UJC da cidade de Ipatinga/MG buscou se financiar através do comércio de camisetas do assassino em massa Che Guevara.

Quando um internauta indagou sobre a manifesta contradição do uso do capitalismo para fins de destruição desse sistema, a UJC respondeu, de maneira lacônica, que as camisetas não poderiam ser socializadas por questões financeiras, sendo vendidas a um valor simbólico de 21 reais.

Em um primeiro momento, pareceria apenas mais um post engraçado que expõe ao ridículo o movimento de esquerda, como aqueles que a excelente página “Humans of PT” divulga com muito sucesso, mas essa mensagem revela algo diferente, a razão pela qual não pode haver nunca socialismo: por questões financeiras.

O socialismo é uma filosofia política erroneamente completa, que contempla ética, epistemologia, sociologia, economia e direito. Na economia, propõe a socialização dos meios de produção para a coletividade, onde cada cidadão produz segundo sua capacidade, e a distribuição desses bens coletivamente produzidos através do parâmetro da necessidade, ou seja, quanto mais o cidadão necessitar de bens, mais ele os receberá.

O binômio “capacidade para produzir / necessidade para receber” gera um incentivo natural para que cada vez menos pessoas queiram demonstrar capacidade de produção e cada vez mais queiram demonstrar necessidade para receber. De fato, necessidades humanas são infinitas, e bens e serviços, pelo contrário, são finitos, motivo pelo qual existe a necessidade de se instituir meios para administrar a escassez econômica.

Quando a UJC declara que não pode socializar seus bens por causa de um limite econômico/financeiro, o que ela está declarando, subliminarmente, é a concordância com a lei de escassez e com o fato de que pode não haver bens suficientes para todos, e que um sistema de preços livres vai regulamentar um ponto ótimo de equilíbrio* entre a produção e o consumo desse bem.

E que se esses bens fossem socializados, além da UJC ter de pagar por esses produtos, já que não existe almoço grátis e toda ação humana possui um custo, ela teria uma escassez desses bens, com muitas pessoas pegando várias camisetas e muitos potenciais consumidores não tendo acesso a nenhuma delas, desequilibrando a própria ideia de distribuição igualitária de bens. O invencível final desse sistema de socialização é a redução drástica da produtividade, escassez extrema e concentração de recursos nas mãos dos detentores reais dos bens de produção, que são os dirigentes partidários.

Em suma, o que a UJC está declarando é que o cálculo econômico do socialismo é inviável.

O que serve para a UJC nesse micro-exemplo, serve para todas as nações em nível macro. Seria muito bom que a UJC aprendesse com seu exemplo prático e acabasse com a pregação do socialismo, mas parece difícil que isso aconteça, pois o produto “socialismo”, na nossa nação, ainda é altamente lucrativo, com seus bottons, camisetas, bandeiras e cérebros em curto-circuito.

Não podemos socializar o Brasil por questões financeiras e, enquanto isso, vai uma camisa do Che por R$ 20,99, com 10% de desconto a vista ou 3X sem juros no cartão.

 

*Apenas esclarecendo que, de acordo com a escola austríaca de economia, esse ponto ótimo de equilíbrio jamais será alcançado, pois o mercado é um processo dinâmico onde esse equilíbrio acaba por se tornar variável a medida que o tempo se desenvolve, em virtude das mudanças de humores, gostos e preferências dos agentes econômicos, além de outros fatores externos, tornando o ponto de equilíbrio apenas uma referência e tendência, mas nunca uma realização prática.

 

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

5 comentários em ““Não podemos socializar por questões financeiras”

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    24/03/2015 em 7:26 pm
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    O problema sempre é o socialismo real. Maldita matemática. Belo texto.

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    24/03/2015 em 12:27 pm
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    Nos anos 70 usar uma camisa com a figura do assassino Che, até se justificava, a informação não chegava,
    hoje com a informação transbordando por todos os lados, usar o che no peito é uma coisa inacreditável.

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    24/03/2015 em 12:11 pm
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    Excelente artigo, demonstra de forma clara o cinismo e o mau caratismo dessas pessoas. Esses jovens serão os futuros Dirceus, Genoinos, Dilmas e Marias do Rosário, porém, espero que a população, que agora sabe que no fim essa turma só socializa prejuízo, os relegue no futuro ao ostracismo, ou então, a cadeia.

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