Mudança de Mentalidade

Para um liberal brasileiro, acostumado a nadar contra a correnteza na maior parte do tempo, não deixa de ser alvissareiro o fato de um jornal de viés francamente esquerdista estampar em suas páginas um editorial clamando pela abertura comercial do país, ao mesmo tempo em que reconhece que as políticas protecionistas e de substituição de importações, tão festejadas até recentemente, têm feito muito mal ao país, com reflexos importantes na produtividade e competitividade da nossa economia.

São sinais inequívocos de que os ventos da mudança de mentalidade finalmente estejam chegando por essas bandas, trazendo consigo algum alento para aqueles que têm passado boa parte dos últimos anos “malhando em ferro frio”.

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Seguem alguns trechos do corretíssimo editorial da Folha de São Paulo, que muito bem poderia ter sido escrito por qualquer dos escribas liberais que freqüentam este blog:

O Brasil passou, nas últimas duas décadas, por um processo de isolamento que o deixou desconectado das grandes cadeias de produção em escala mundial. (…)

Com corrente de comércio (soma dos valores exportados e importados) próxima a 25% do PIB, o Brasil destoa do padrão dos principais países, em torno de 50% do PIB. É apenas o 24º comerciante global, posição que não faz jus ao posto de sétima economia mundial.

A comparação com os casos mais bem-sucedidos de desenvolvimento é gritante. Todos os países que se aproximaram da fronteira tecnológica e elevaram depressa seu nível de renda per capita, notadamente na Ásia, valeram-se da alavanca da integração comercial.

O Brasil escolheu caminho diferente. (…)

A falta de compreensão desse fenômeno foi trágica para as empresas brasileiras. Com baixa competitividade, mal conseguem se proteger nas fronteiras nacionais.

Tal isolamento viu-se reforçado por uma política industrial que pretendia substituir importações. Pressionado pelo câmbio valorizado e pelo aumento das compras externas, os governos petistas, sobretudo no mandato de Dilma Rousseff, aumentaram tarifas, definiram regras de conteúdo nacional e fecharam ainda mais o país.

Não perceberam que não há competitividade sem integração. O padrão produtivo atual é de especialização e alta escala. Sem importar insumos a baixo custo e em prazo curto – o que requer impostos baixos e boa logística –, muitas empresas não conseguem exportar.

Abrir a economia e inserir as companhias no comércio exterior é crucial para ampliar a produtividade e a renda interna.

Amém! 

 

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