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Morte em manifestação, a culpa também é sua!

santiagoA morte do cinegrafista Santiago Andrade da TV Bandeirantes, atingido por um artefato de fogo enquanto cobria uma manifestação no Rio, deveria representar um ponto de reflexão importante: qual a minha responsabilidade no caso? Soa estranho, e, em primeiro plano, nos remete a “o que eu tenho a ver com isso, apoio manifestações sem violência, apenas”. Mas, infelizmente, a coisa não é bem assim.

Desde junho passado, manifestações têm tornado-se uma atividade comum, sinônimo de consciência política “contra tudo isso que está aí”— ainda que, nas urnas, saibamos que o resultado deste ano não veremos muitos quadros novos nos cargos eletivos— e isso foi visto por muitos, inclusive pela imprensa, como um novo despertar do brasileiro e todo o cuidado foi tomado em não se “julgar” a ação dos mascarados, conhecidos como Black Blocs, figuras assíduas nas ruas.

Personalidades, entre elas artistas, jornalistas, “intelectuais” como Caetano Veloso, Tico Santa Cruz, Ricardo Boechat, Vladimir Safatle endossaram publicamente tais “táticas” que quebraram comércios e depredaram o patrimônio público como forma de manifestação. Alguns até vestiram máscaras em demonstração de apoio, outros, como o deputado Marcelo Freixo, evitaram julgar os “tais métodos” como afirmou o Deputado em entrevista, disponível na internet, antes da morte do cinegrafista:

Tem uns métodos que eu acho que são mais eficientes, tem outros que eu acho que são menos, mas eu não sou juiz pra dizer que movimento é um movimento correto ou não é”. (http://www.youtube.com/watch?v=foOETau5C5w)

No entanto, estes mesmos foram incisivos ao discordarem da aprovação da Lei Anti-Máscaras nos protestos. Caetano com seu famoso Jargão de “é proibido proibir“. Já, Freixo afirmou que a lei era “projeto absolutamente irresponsável, ruim para polícia, que radicaliza as relações entre manifestantes e a sociedade, oportunista e irresponsável”. 

Mas, para quê usar máscaras se não se vai fazer nada de errado? Faz sentido? Para uma pessoa pública, um formador de opinião, é mais relevante condenar a lei anti-máscaras ou condenar a violência dos Black Blocs? O que seria irresponsabilidade?

Vale citar que a suposta ligação do Deputado carioca aos autores do crime na semana passada, não parecem ser consistentes, precisam ser investigadas, e é provável que elas não façam sentido algum, apesar do forte indício de alguns colegas do PSOL serem acusados de financiar mascarados. O ponto é que, não criminalmente a priori, mas, em âmbito moral, todas estas pessoas que evitaram julgar ou incentivaram os Black Blocs têm sua responsabilidade pela violência nas manifestações ter se tornado algo comum.

Se  tivessem condenado os Black Blocs— que só foram as ruas praticar tombar viaturas, quebrar agências bancárias e comércios— desde o início, a opinião pública teria se mobilizado, pressionado a polícia e os governantes para serem mais incisivos com estas ações que nada mais são do que crimes.

O responsável pelo rojão que matou o cinegrafista, possivelmente, tinha a intenção de acertar um policial, o que já está errado e não deveria ser aceitável. É claro que o abuso de poder, por parte da polícia existe e, a ação irresponsável da mesma em alguns casos com civis foi uma das motivações do boom das manifestações, mas as pessoas pegaram raiva da polícia como instituição e isso teve um efeito político, pois os governantes impediram a polícia de agir com firmeza com os bandidos que estavam promovendo o quebra-quebra nas ruas.

O que os Black Blocs fazem nada têm a ver com auto-defesa ou combate a abusos—  ao contrário é igual a ação dos justiceiros que estão atrás de vingar vítimas de bandidos—  são ataques premeditados, crimes, agressão e depredação de pontos que são pagos com nossos impostos.  Este é o momento de escolher: Ou começamos a dar nome aos bois e chamar bandido de bandido e ou vamos esperar que outros Santiagos, que nada têm a ver com a paçoca, paguem a conta com a vida. O que é mais importante?

Wagner Vargas

Wagner Vargas

Graduado em Comunicação Social pela Universidade Anhembi Morumbi, Mestrando em Administração e Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV- EAESP), onde graduou-se em cursos de especialização em economia. Também é Sócio-Diretor da Chicago Boys Investimentos e atua com Assessoria de Imprensa, Comunicação Estratégica, Relações Públicas nos mercados: Siderúrgico, Varejo, Mercado Financeiro, Telecomunicações e em campanhas políticas. Integrante dos Conselhos de Economia e Investimentos em Inovação da CJE/FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), também é especialista do Instituto Millenium, onde produz entrevistas e artigos para o blog da Revista Exame.