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Melhorar a Educação é um bom negócio

Kroton

Heitor Machado*

Com o atual modelo de educação vigente, sem entrar no mérito se ele é ou não eficiente, será extremamente difícil termos mudanças de impacto na sua qualidade. Seja ele privado ou público, o modelo arcaico educacional é um dos gargalos do nosso desenvolvimento. Quando defendi a educação liberal, em texto no IL, falei um pouco dos equívocos, busco aqui entender como o círculo vicioso continuará a brecar o engrandecimento esperado.

Como sabem, atuei na área de educação por alguns anos e ainda tenho muitos bons amigos na área, em breve volto a comentar sobre eles. Na última década, a educação teve um salto de qualidade por diversos motivos, dentre eles podemos citar: a queda da procura do ensino público, frente à concorrência com o setor privado e consequente crescimento dos grupos investidores do ramo; alguns desenvolvimentos tecnológicos aonde foram multiplicadas as audiências de aulas via internet(vídeo aulas), não que sejam mais eficazes mas ao menos conseguem expor conhecimento a um número maior de pessoas; a percepção de empresários que existia demanda reprimida e deveriam então investir em busca de retorno financeiro; entre tantos outros.

Nessa semana, a revista EXAME tem como capa a Kroton, a maior empresa de educação do mundo. A Kroton cresce em um ritmo surreal e para você ter idéia, desde sua abertura de mercado em 2007, as ações já cresceram 30 vezes do seu valor original. Isso significa que o mercado confia muito nas propostas que o conselho diretor da empresa desenvolve. Para quem não faz idéia de como funciona o mercado de ações, para ser bem raso na explicação, existe um número determinado de ações que estão disponíveis para quem quiser comprar e vender. Se o preço está alto, significa que as pessoas “gostam” dela e não se desfariam dela com tanta facilidade. Quando o preço está baixo, significa que os detentores daquela parcela da empresa querem se livrar rápido daquilo, então está disposto a receber um valor menor. É sempre assim, oferta e demanda comandam os preços. O somatório de todas as ações da empresa darão seu preço de mercado. Hoje a Kroton tem um valor de mercado de 12 bilhões de reais. Nada mal!

A principal razão dela estar tão valiosa nesse momento é que seu modelo de gestão segue as melhores práticas de eficiência de empresas de grande porte. Pagamento de bônus por cumprimento de metas, executivos de alto gabarito, profissionais que sabem que seu crescimento individual está atrelado ao bom trabalho que fazem na empresa. Um outro mercado que segue bem essa lógica é o mercado financeiro, hoje andando de lado por conta do intervencionismo político exacerbado nas Too big Too break, como a Petrobrás, por exemplo. Imaginem que a Petrobrás pudesse quebrar, não pode porque o prejuízo é sempre dividido pelos pagadores de imposto por via de injeção de dinheiro do tesouro nacional, mas caso ela tivesse essa possibilidade, o Brasil viveria um verdadeiro inferno. Voltando às empresas educacionais, os capitães do desenvolvimento da área fizeram o quê deve fazer qualquer empreendedor, entenderam a demanda reprimida existente e se aproveitaram dela.

Até então, o mercado educacional era repleto de profissionais que não entendiam o necessário para uma boa gestão. Não à toa, esse setor tinha em seus quadros “técnicos”, pedagogos e professores. Já falamos de demanda e oferta, e não precisa ter sido profissional da área, mas pense. Na concorrência do vestibular, para onde querem ir os melhores alunos? Pedagogia e Licenciaturas ou Engenharias, Administração e áreas voltadas à gestão? Eu não estou dizendo que não existem bons alunos nos cursos de pedagogia, mas na média, os bons alunos procuram carreiras que dessem uma melhor qualidade de vida e os empregos ligados à docência não são exatamente um mar de rosas. Nesse momento você entende o círculo vicioso que citei na introdução. Maus alunos estavam gerindo a educação e mau gerida, continuava a ser resolvida no jeitinho. Nesse momento existem profissionais de altíssimo gabarito com MBA’s, graduações em faculdades reconhecidamente excelentes, todos eles focados na gerência dos recursos e dando tratamento que antes não existia. São eles, aqueles bons amigos que ainda trabalham na área, ex-profissionais de alguns dos maiores bancos do Brasil, Administradores da USP, Graduados em renomadas faculdades no exterior, Engenheiros do IME e ITA, Gestores das melhores instituições de ensino do país.

Estou apenas comentando o que veio nessa primeira onda. Mas muito em breve, veremos alguns Jobs, Gates e Dells da área, gênios que com alguns mil reais e uma “garagem” levarão mais inovação e abalarão essas estruturas fazendo com que o mercado seja forçado a se renovar, aumentando a qualidade e diminuindo custos ao consumidor final. Apesar disso, a rede pública vai continuar demandando altas de salário, diminuição de jornadas, 10% do PIB, e várias outras medidas que ignoram que recursos são escassos e demandas são infinitas. Acontece que a boa gestão não ignora isso e vai continuar crescendo, enquanto que a educação arcaica vai continuar repassando acusando fatores externos para seus próprios problemas.

Para finalizar, vou deixar aqui uma metáfora que se conta muito no meio empresarial:

“Conta-se que certa vez um executivo estava deixando seu cargo em uma grande empresa e, ao passá-lo ao seu sucessor, entregou-lhe três cartas. Disse a ele que não podia ajudá-lo em nada, nem oferecer qualquer sugestão. Apenas aquelas três cartas, com a seguinte orientação: quando você tiver a primeira crise administrativa e não encontrar uma solução que resolva o impasse, abra a primeira carta e, assim, sucessivamente.

O tempo passou e o novo executivo estava em lua de mel com o cargo, até que aconteceu o primeiro problema. Após exaustivas tentativas de debelar a crise sem qualquer sucesso, lembrou-se das três cartas. Imediatamente abriu a gaveta e pegou a primeira. Abrindo o envelope encontrou dentro dele o seguinte conselho: “…ponha a culpa no seu antecessor”.E não deu outra coisa. Deitou falação contra ele, que seus problemas eram oriundos da má gestão anterior e que estava moralizando a casa, entre outras críticas e acusações.

A coisa acalmou e a lua de mel voltou. Passados mais alguns meses, nova turbulência ameaçava seu cargo. Como não encontrava solução para se sustentar, lembrou-se da segunda carta. Imediatamente abriu o segundo envelope e lá encontrou a solução deixada pelo antecessor:”Culpe o cenário econômico mundial”.
Não teve dúvidas. Reuniu a assessoria e determinou que se mandasse um e-mail para todos os funcionários retratando as baixas condições do mercado internacional e como isso afetava a sua operação. Isto posto, mais alguns meses de lua de mel. Mas o tempo não perdoa a falta de criatividade e a chamada falta de coerência política, para não usar uma expressão mais clara.

Novo temporal se abate sobre o cidadão e ele, sem perda de tempo, procura rapidamente a solução na terceira carta. Abre o envelope como quem toma um analgésico e puxa o último e decisivo conselho do antecessor: ” …faça três cartas iguais, escolha um sucessor e entregue o cargo”

Parece que você já viu essa história? Sim, você já viu e vê todos os dias. É muito mais fácil culpar a tudo e a todos pelos nossos próprios problemas, difícil mesmo é resolvê-los e se dar conta que nós mesmos podemos ser os impeditivos da solução. A gestão séria é impessoal e desprovida de paixão. Ela deve ser focada na melhor qualidade do produto final, que é a melhor forma de levar educação aos jovens e não nos devaneios da produção do cidadão perfeito por meio da escola, idéias essas presentes em vários episódios vividos pela atual educação brasileira.

Empreendedor*

Roberto Barricelli

Roberto Barricelli

Assessor de Imprensa do Instituto Liberal e Diretor de Comunicação do Instituto Pela Justiça. Roberto Lacerda Barricelli é autor de blogs, jornalista, poeta e escritor. Paulistano, assumidamente Liberal, é voluntário na resistência às doutrinas coletivistas e autoritárias.