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Livre mercado, um direito à felicidade

Abraham Maslow, que viveu no século XX, desenvolveu a teoria das necessidades humanas, ou simplesmente a Pirâmide de Maslow. Nessa pirâmide temos, da base até o topo, uma hierarquia de necessidades do ser humano em que este só consegue subir de nível se as anteriores estiverem contempladas. No topo dessa pirâmide, temos a realização pessoal, que neste texto vou chamar de felicidade. E daí temos a grande questão que queremos abordar: como o livre mercado pode proporcionar ao indivíduo chegar à felicidade?

O livre mercado, que aqui vamos resumir como um princípio capitalista de trocas por dois agentes em que há um acordo mútuo, deixa que o indivíduo tenha a escolha de negociar de forma livre. Note que o poder de escolha do indivíduo é soberano, sendo superior ao poder do Estado ou qualquer outro tipo de influência.

Analisando os dados históricos dos governos socialistas e comunistas referentes a necessidades básicas, como acesso a comida e água potável, e quando comparamos aos governos capitalistas, nota-se, nestes segundos, um índice de fome inferior ao primeiro modelo. Um dos piores exemplos das privações básicas do indivíduo é o governo de Mao Tsé-Tung na China comunista, que ficou conhecido como “A grande fome chinesa”, no período de 1958 a 1961. Ainda há muita obscuridade sobre o assunto e a grande mídia não traz à tona todas as perversas restrições básicas das fisiologias humanas que aconteceram naquela época, mas há relatos de canibalismo, ingestão de ratos e cadáveres. Assim, o liberalismo tende a proporcionar que as pessoas supram o nível fisiológico, o nível mais baixo da pirâmide de Maslow, deixando o indivíduo mais próximo da felicidade, ou seja, do topo da pirâmide.

Tornar-se livre é tornar-se responsável. Daí temos uma reflexão a ser feita, pois constantemente o sucesso é, erroneamente, atrelado a fatores externos. Note que, quando o caminho é vitorioso, pode ser sorte, oportunidade, o famoso “estar no lugar certo, na hora certa”. Agora, pare por alguns segundos e pense: que tal substituir esse excesso de explicação externa por uma visão de escolha? Escolher estar no local por vários momentos, até que essa persistência, constância, dedicação, diferencial e outras tantas qualidades levem essa pessoa ao sucesso no que ela se propõe a fazer. Ter a garantia da explicação do mérito do insucesso é sempre mais comum se comparado à garantia do sucesso. Assim, deve-se atrelar isso ao indivíduo, e não apenas ao meio, sorte ou oportunidade, como se tudo fosse resumido à ação de um fator externo. Um Estado que se responsabiliza por sua população guia, impõe e coordena.

Uma metáfora que se encaixa nesse contexto é a de uma criança aprendendo a andar. Essa criança, não acostumada com o poder de escolha, apoia suas dúvidas e culpa no Estado e, assim, depositou sua felicidade em se abster e não escolher. Quando essa criança tropeça, ela sempre segura mais forte a mão e, caso se machuque, tem a quem culpar por ser responsável. Quando não se tem uma justificativa externa para culpar, o processo é doloroso: olhar para si e assumir que a decisão tomada culminou no tropeço.

Voltando à pirâmide de Maslow, o segundo nível é a segurança. E que tal falar sobre a posse de arma de fogo? Em um discurso aparentemente bonito de evitar e diminuir a violência, tira-se o direito do indivíduo de fazer sua segurança pessoal. A manipulação da opinião pública e da sociedade baseia-se na falta de informação e em informação falsa. São exemplos disso dizer que um país desarmado é mais seguro ou que as armas dos criminosos vêm do cidadão de bem. A pessoa que sabe manusear uma arma e se arma para sua defesa está apenas preservando sua liberdade.

Ainda no tema de segurança, temos o exemplo do Movimento Sem Terra, o MST, que infringe a liberdade da propriedade privada. Por trás do discurso de luta por mudanças sociais que tragam mais igualdade, tem-se um ato criminoso e violento que rompe a barreira do direito do outro.

Assim, concluímos as necessidades básicas, que são as necessidades fisiológicas e necessidades de segurança.

Os dois próximos níveis envolvem necessidades psicológicas, que são necessidades sociais e necessidade de estima. Fazer parte de um grupo com afinidades e similaridades é normal na sociedade, porém, quando grupos se juntam com discursos vitimistas, esquecem que por atos e omissões também se escolhe estar no papel de vítima ao invés do papel de protagonista da sua própria vida. Assim, as escolhas do meu grupo viram as minhas escolhas, mesmo que eu discorde. Um exemplo factível seria eu participar de um grupo de mulheres e não ter o direito de discordar sobre uma cota feminina para certo cargo. Fazendo um paralelo dessas necessidades psicológicas com o liberalismo, entende-se que, quando pode escolher, o indivíduo é livre para alcançar os seus objetivos, bens e riquezas. E pode discordar e ter opinião divergentes dentro de grupos que participará ao longo da vida.

No último nível da pirâmide tem-se a necessidade de autorrealização. E esta não está diretamente ligada à riqueza, com o quanto de dinheiro se vive, quais os bens adquiridos. Na verdade, os bens e as riquezas devem ser condizentes com o que se almeja. A frustação vem exatamente da distorção de não alcançar algo que é almejado, e isso pode ser atrelado à quantidade de esforço, dedicação e energia investida para chegar à conquista. Vejo, ao longo do caminho, pessoas exercendo funções que exigem baixo potencial intelectual, porém, com uma felicidade, uma satisfação altíssima. Porque essa pessoa está exatamente onde almeja estar. Não tem a ver com facilidade e dificuldade, mas sim em ter o esforço e o retorno em sintonia.

A realidade de um livre mercado na liberdade do indivíduo é pensar muito além dos bens e posses que pode ter, mas no ser, no fazer e no agir como um agente de mudança no mundo, por ter escolhas responsáveis e arcar com o caminho a que esse poder pode te levar. Apenas enxergará isso quem está preparado para ser feliz, da maneira que quiser, pois felicidade é escolha, é um direito humano, é ser livre. Não se confunda ao ler a última frase: não existe a liberdade de ser feliz ou a felicidade de ter liberdade se isso não se apoiar nos seus próprios recursos. Sem a premissa de ser responsável por seus atos e escolhas, não há liberdade. E, se não há liberdade, o indivíduo continua a apoiar seu discurso no Estado, ou, até mesmo, a usar meios que ultrapassem seus direitos e violem o direto do outro.

Caro colega, eu poderia dizer a vocês que vim de uma família humilde sem oportunidades e que a sorte não sorriu para mim. Mas meu discurso é diferente, e vou compartilhar com vocês. Por mérito do meu pai, que sempre foi uma pessoa honesta e dedicada, surgiu uma sociedade com um antigo chefe que virou amigo. Chefe este que trabalhou duro e construiu tudo do zero. Por mérito desses dois homens surgiu mais uma empresa capixaba, a Zarb Distribuidora, que hoje atua no varejo como distribuidora nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro.  Esta empresa poderia quebrar no primeiro ano, se não fosse o esforço dos três sócios, meu pai, seu amigo e meu irmão. Cada um à sua maneira, fazendo o seu melhor e muito além dos padrões normais que estão escritos na Consolidação das Leis do Trabalho. Sobre mim, que chego depois de quase dez anos de empresa, para atuar como gerente de comercial, poderia me colocar como vítima de um mercado em que a área comercial é de uma maioria masculina. Mas eu não me acanhei; após me formar em Administração, fui trabalhar em uma multinacional e lá passei por logística, trade marketing, até atuar como gerente de vendas. Pois bem; por essas e outras tantas experiências, lembro-me de quando estudei a pirâmide de Maslow na universidade e achava que tudo ali deveria ser garantido pelo governo. Hoje, tenho uma enorme felicidade de discordar da Samara da época, que assistia ao Jornal Nacional para se atualizar.

*Artigo publicado originalmente no site do Instituto Líderes do Amanhã por Samara Gnocchi Repossi.

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