Os liberais devem abrir mão dos recursos públicos para campanha?

Estou tentando entender onde o MBL quer chegar com esse movimento de abrir mão do dinheiro limpo que o partido deles repassaria para a campanha dos candidatos em SP.

Essa é, de longe, a bandeira mais hipócrita do “novismo”, que abre mão de recursos públicos que praticamente não tem, mas não abre mão dos minutos de TV pagos também com dinheiro público, o que deixa claro a manobra marqueteira, enquanto o Novo possui um mecenas privado que mais ninguém tem.

Eu sou tão contra financiamento público quanto qualquer um que se diz liberal ou conservador, mas não podemos ignorar que essa regra do jogo, imposta pelos grandes partidos e pelo STF, praticamente inviabilizou o levantamento de recursos privados para campanha.

E não posso ignorar ainda que quando os candidatos liberais, que são contra o financiamento público, buscaram levantar recursos privados via vaquinha, 90% dos comentários foram criticando o pedido de doação. Os resultados estão sendo ridículos. Marcel, o melhorzinho de arrecadação, não levantou nem 150 mil, o que é pouco numa campanha consistente de federal.

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Agora podemos chegar a essa conclusão obvia: se os liberais não aceitam o dinheiro público, são proibidos por lei de levantar dinheiro privado empresarial e são criticados por pedirem doações, como eles vão ter a mínima chance de briga contra adversários que vão ter a sua disposição 2,5 milhões de reais para campanha?

A hora de debater as armas foi até 07 de outubro do ano passado, agora é hora de usar as armas que estão na mesa e depois, com uma bancada direitista no Congresso, pressionar por mudanças no financiamento eleitoral e até uma reforma política mais ampla, com voto distrital.

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O que estão fazendo nesse momento é expor, com gosto, o quanto os movimentos liberais e conservadores do Brasil ainda são virjões políticos.

No inferno, políticos do PT, PSDB, MDB e quejandos agradecem.

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Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.