Homenagens a Marighella: cumplicidade esquerdista com a tortura e com o assassinato

Recentemente vimos o maior ranger de dentes da imprensa e da classe política com a fala do deputado Eduardo Bolsonaro sobre uma possível volta do AI-5. Embora inserida em um contexto bastante específico e por ora improvável, a declaração foi de uma estupidez sem tamanho por dar aquilo que as esquerdas e o Centrão queriam: posar de democratas e defensores perpétuos da Constituição frente a um arroubo governista aspirante ao totalitarismo. 

Mas era tão claro como o sol de Teresina que a pose era apenas e tão somente isso. A esquerda é a maior defensora de regimes ditatoriais existentes ou já extintos. Condena a tortura e o assassinato só quando cometidos contra os seus. Se alguém da sua trupe faz isso, era ‘’em defesa da liberdade e da democracia’’. Não é exatamente essa desculpa esfarrapada que seus pares contam sobre as guerrilhas de esquerda? 

Pois vejam as reações dos congressistas brasileiros da oposição esquerdista sobre o aniversário de morte de Marighella: 

‘’Revolucionário. Comunista. Sonhador. “Quero ser apenas um entre milhões de brasileiros”, dizia Marighella. Hoje, 50 anos de sua morte. O homem que não teve tempo pra ter medo. Abaixo a Ditadura, VIVA Marighella!’’, deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ). 

Leia também:  Por que a criação de uma moeda única no Mercosul é um equívoco?

‘’Há 50 anos o guerrilheiro Carlos Marighela era assassinado pela Ditadura Militar. Lamentavelmente o filme de sua biografia teve exibição cancelada pela Ancine. Marighela é símbolo de resistência e todos precisam conhecer sua história! #MarighelaVIve’’, deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL-PA). 

‘’50 anos que Carlos Marighella foi covardemente assassinado na noite de 4 de novembro de 1969 em uma emboscada comandada pelo Dops! Político, escritor, revolucionário, símbolo de resistência à ditadura militar. NÃO TIVE TEMPO PARA TER MEDO’ “, deputada Erika Kokay (PT-DF). 

São esses os defensores de ocasião da democracia e da liberdade. Tratam de um período delicado da história de nosso país com desprezo pelas vítimas que a esquerda armada fez no Brasil. Jogam para debaixo do tapete o atentado ao aeroporto de Guararapes, por exemplo – onde o jornalista Edson Régis e o vice-almirante Nelson Gomes Fernandes morreram e mais 14 pessoas ficaram feridas. 

Vejam: não há o menor mea-culpa por parte dos políticos, intelectuais e antigos guerrilheiros de esquerda por todas as mortes, torturas e crimes cometidos naquele período. Se necessário fosse derramar sangue de civis inocentes que nada têm a ver com suas pautas asquerosas, fariam sem o mínimo de culpa e remorso possíveis. 

Leia também:  Arthur da Silva não merecia o avô que teve

Marighella não foi herói coisa nenhuma. O que foi por ele criado foi o terror de uma população que nada sabia do contexto político da época. O total de vítimas que a esquerda armada fez – capitaneada por Marighella – é de 119 pessoas. Essa mesma esquerda celebrada pela mídia e por grande parte do meio político não lutou por democracia de forma alguma. A sua luta era por outra ditadura, a ditadura do proletariado. Para qualquer dúvida a respeito disso, basta ler o livro 1964: O Elo Perdido – O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista.

Vou repetir: a declaração de Eduardo Bolsonaro foi uma estupidez sem tamanho. Se ninguém nega que em muitas ocasiões ele defendeu seu pai quando outros crucificaram-no injustamente, também em outras tantas ele criou situação embaraçosas para o presidente e para o governo como um todo. Saber ponderar críticas e elogios de forma correta não é uma desvirtude; é um traço sadio de quem tem bom apreço pela democracia liberal e até mesmo pelo próprio governo – uma vez que este colunista que escreve este texto torce pelo sucesso da atual administração. 

Leia também:  Frases frequentes entre os liberais e a razão de serem tão populares

Entretanto, também vou ser enfático novamente: a maioria dos indignados com a fala sobre um ressurgimento do AI-5 são defensores de ocasião das liberdades democráticas e da Constituição. Na data que remete à morte de um dos terroristas mais sanguinários da época do regime militar, a mesma esquerda enfurecida com Eduardo celebra Marighella como inspiração e modelo humanitário. O Centrão covarde fica na sua e não dá um pio sobre isso, pois seu objetivo é estar de bem com a imprensa, independente da situação; e essa mesma imprensa que dia e noite escracha o presidente e seus filhos por qualquer coisa finge que não vê os malfeitos do outro lado. Cumplicidade da esquerda com a tortura e o com o assassinato pode. Quem cala consente. 

Referências: 

1.https://sensoincomum.org/2019/11/04/jandira-feghali-faz-homenagem-a-assassino-marighella-no-twitter/ 

2.https://curiosamente.diariodepernambuco.com.br/project/os-50-anos-do-atentado-no-aeroporto-do-recife/ 

3.https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/a-esquerda-que-combateu-a-ditadura-queria-a-democracia-no-brasil-dqyn2r5tp3kibg7i40y5oo8kw/ 

4.https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/todas-as-pessoas-mortas-por-terroristas-de-esquerda-1-os-19-assassinados-antes-do-ai-5/

Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Carlos Junior

Carlos Junior

É jornalista. Colunista dos portais "Renova Mídia" e a "A Tocha". Estudioso profundo da história, da política e da formação nacional do Brasil, também escreve sobre política americana.