George Orwell, Dilma, FHC e a Petrobras

george_orwell

George Orwell, Dilma, FHC e a Petrobrás

George Orwell em especialmente duas obras fez avisos sobre ingredientes presentes em receitas de projetos de poder. Um deles é a necessidade de culpar sempre um inimigo externo, bem como manipular e distorcer informações e fatos.

Em Animal Farm (1945) Napoleon, após assumir o poder, elege esse inimigo na figura de Snowball. Apropriasse de idéias de seu opositor reivindicando para si próprio a autoria e sempre que algo deva errado a atribuía a figura de Snowball. Havia ainda outro inimigo externo, os humanos expulsos da fazenda através da revolução, usados para causar medo. Sempre que questionado, Napoleon dizia que a vida de todos havia melhorado se comparada com a época longínqua antes de assumir o poder.

Leia também:  A histeria coletiva dos ambientalistas é um desserviço para a humanidade

Já em Nineteen Eighty-four (1949), o inimigo externo trata-se de Emmanuel Goldstein e o regime de Big Brother possui ainda o Ministério da Verdade, que através de um revisionismo histórico muda fatos para adequá-los coerentemente a posição do partido.

Pois bem.

Dilma Vana foi presidente do conselho de administração da Petrobrás. No estatuto da empresa consta expressamente:

“Art. 28- O Conselho de Administração é o órgão de orientação e direção superior da Petrobras, competindo-lhe:

III- fiscalizar a gestão dos Diretores[¹]

Esquecendo-se desse fato, após mais de um mês de silêncio em meio ao maior escândalo de corrupção institucionalizada da história do país, a qual ao que tudo indica o tesoureiro de seu partido foi beneficiário de propinas[²], Vana apresentou sua defesa: declarou que o culpado pelo colapso da Petrobrás foi um inimigo externo, FHC, cujo governo acabou há 13 anos[3].

Leia também:  O governo precisa urgentemente diminuir a regulação e a tributação

Vana esqueceu que anteriormente, ainda quando ministra, criticou a proposta de criação de CPI para investigá-la[4], sustentando que a Petrobrás era uma empresa “com um nível de contabilidade dos mais apurados do mundo”. Em suma: é transparente o suficiente para ter um nível de controle e evitar corrupção.

Trata-se de uma clara demonstração da incapacidade de assumir os próprios erros. Afinal, para que assumir responsabilidades se Orwell ensinou que um inimigo externo serve justamente para isso?

Luan Sperandio, 22, é acadêmico de Direito da Universidade Federal do Espírito Santo e membro dos Estudantes Pela Liberdade/ES.

Leia também:  Por que a criação de uma moeda única no Mercosul é um equívoco?

Referências:

[¹] http://www.guiainvest.com.br/dados/documentoUsuario/115515/estatuto-social.pdf

[²] http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/defesa-de-vaccari-diz-que-pedido-de-doacao-e-missao-de-todos-os-tesoureiros-de-partidos/

[3] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/02/1592321-petrobras-deveria-ter-sido-alvo-de-investigacao-nos-anos-90-diz-dilma.shtml

[4] https://www.youtube.com/watch?v=RDtSMccA1gA

Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Luan Sperandio

Luan Sperandio

Estudou Direito na Universidade Federal do Espírito Santo e especializou-se em Desenvolvimento Humano na Fucape Business School. É pesquisador do Ideias Radicais, consultor político e editor do Instituto Mercado Popular. Escreve para o Instituto Liberal desde 2014. Twitter: @luansperandio E-mail: luan@ideiasradicais.com.br

2 comentários em “George Orwell, Dilma, FHC e a Petrobras

  • Avatar
    25/02/2015 em 8:15 pm
    Permalink

    1949 foi o ano de lançamento do livro, amigo

Fechado para comentários.