Fora, Neymar

por MARIANO ANDRADE Colômbia 1, Brasil 0. Resultado normal, e até modesto considerando a péssima atuação da seleção brasileira. Apesar da derrota, Neymar foi o nome do jogo – dessa vez, pelos motivos errados. Neymar portou-se como um moleque mimado, reclamando sem parar, dando empurrões, procurando confusão. Faltou jogar bola. É natural que um atleta […]

por MARIANO ANDRADE

neymarColômbia 1, Brasil 0. Resultado normal, e até modesto considerando a péssima atuação da seleção brasileira. Apesar da derrota, Neymar foi o nome do jogo – dessa vez, pelos motivos errados.

Neymar portou-se como um moleque mimado, reclamando sem parar, dando empurrões, procurando confusão. Faltou jogar bola. É natural que um atleta de alto nível tenha rendimento baixo esporadicamente, mas o verdadeiro craque e ídolo deve saber conviver com essas situações e aceitá-las. Neymar joga muita bola, mas tem muito que aprender até que possa defender o Brasil com dignidade e respeito; na vitória ou na derrota.

O gran finale ocorreu após o apito final, quando Neymar chutou a bola com força sobre um jogador colombiano, instalando a confusão no gramado e depois dando uma cabeçada acintosa em outro adversário. Conseguiu ser expulso depois do fim do jogo.

Comportamento ridículo seguido por atitude patética dos demais atletas brasileiros nas entrevistas pós-jogo. Daniel Alves e Willian culparam “os árbitros” pela atitude de Neymar, pois “apanha muito” e os árbitros são supostamente lenientes. Trata-se de uma desculpa infame que corrobora o insidioso culto à personalidade que impera no Brasil.

Neymar e seus companheiros acharem que ele está acima da regra – por qualquer motivo esdrúxulo que seja – é análogo a Lula comparar sua popularidade à de Jesus Cristo. É o PT de Dilma, Dirceu e demais mensaleiros e petroleiros julgar-se onipotente e saquear a Petrobrás e tudo o mais que aparece pela frente no erário público. É o mesmo culto à personalidade que elevou Eike Batista à condição de celebridade e custou muito dinheiro ao pequeno investidor. É a prática pervasiva da idolatria do medíocre que catapulta à fama Kim Kardashian, Paris Hilton e outras invenções vazias. Temos as nossas Anittas e tantos MCs para contribuir à lista também.

Na Copa do Mundo de 2014, Neymar causou comoção no país ao se contundir na partida contra a mesma Colômbia. Seu “drama” mobilizou a mídia e as redes sociais. Na partida seguinte, os jogadores brasileiros entraram em campo fazendo um ridículo gesto que, diz-se, representa uma gíria comumente usada por nosso “ídolo”. Não houve luto, minuto de silêncio ou qualquer declaração da delegação brasileira sobre a professora que havia poucos dias tinha morrido no desabamento de um viaduto em Belo Horizonte, uma das obras do “legado” da Copa do Mundo. Dá-lhe culto à personalidade, olé!

A risível justificativa dos demais atletas brasileiros endossa o comportamento condenável de Neymar. A atitude é análoga à letargia de aceitar que Lula e Dilma “roubam igual aos outros”. É o mesmo que Dilma e  lideranças do PT tentarem eufemizar os crimes de seus correligionários como “malfeitos”. É a tentativa de justificar o insofismável. É deboche. É querer ganhar no grito. Quem perde é a sociedade – o trabalhador, o empresário, o contribuinte, estes não ganham no grito, e estes são o tecido social.

Nesta semana, o Golden State Warriors venceu a NBA, liga de basquete profissional dos Estados Unidos. Venceu pelo conjunto, pelo trabalho de equipe. Andre Iguodala, originalmente um reserva, obteve o título de MVP (most valuable player) da série decisiva. Os Warriors venceram o time de LeBron James, considerado o melhor jogador de basquete em atividade. LeBron não deu cabeçada, não reclamou e não esperneou – ao contrário, pouco antes de a partida terminar, cumprimentou Stephen Curry do time adversário congratulando-o pelo título já sacramentado no placar.

O culto à personalidade flexibiliza o conceito de que as regras valem para todos. Lula declarou há alguns anos que José Sarney não se tratava de “uma pessoa comum”, preconizando um tratamento diferenciado ao ex-senador nas investigações em andamento à época. O mau exemplo vem de cima, e culmina no “você sabe com quem está falando?” na fila do restaurante ou do aeroporto.

No mundo do futebol, isso não é de hoje. Quem não se lembra da muamba trazida pela delegação brasileira campeã da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos? À época, os jogadores ameaçaram não desfilar em carro aberto se fossem taxados como cidadãos “comuns”. O governo cedeu.

O efeito mais nocivo desta relativização é criar espaço para o surgimento de regimes totalitários e lideranças messiânicas. Hitler, Mussolini, Papa Doc, Fidel, Chávez, e tantos outros ditadores ilustram o ponto.

É hora de dizer não ao relativo: todos são iguais perante a lei. Viva o cidadão comum, viva a sociedade.

Fora, culto à personalidade. Fora, Neymar.

(P.S. Por algum motivo estranho, Neymar apareceu no segundo tempo sem a faixa preta na manga da camisa, usada pelo escrete brasileiro em luto à morte de Zito, jogador campeão do mundo em 1962. Deve explicação.)

 

  • Júlio Cardoso

    Em minha opinião, Neymar, na seleção, é apenas um craque peladeiro sem responsabilidade. No Barcelona, respeita
    muito o Messi, joga mais sério senão o técnico o manda para o banco.

    A imprensa nacional endeusa sobremaneira o Neymar. Mas ainda está longe de ser o grande jogador da seleção
    brasileira. Não tem espírito do coletivo. É muito individualista e demora a passar a bola a um companheiro próximo. A seleção sem Neymar, coletivamente, joga mais, dentro de suas limitações de craques e de técnico. Dunga não é técnico.

    Outro dia assisti a uma interessante entrevista com Jairzinho. Reconheceu que hoje falta na seleção craques e liderança. Neymar é o capitão, mas nenhum outro jogador o admoesta. Disse Jairzinho que na sua época o falecido Zito, por exemplo, dava bronca no Pelé.
    Também fez crítica à Lei Pelé, que permitiu que o jogador muito cedo saísse do país. O jogador formado pelos clubes deveria ficar no país até os 25 anos. Por isso que as seleções brasileiras de antigamente tinham mais conjunto porque a maioria dos jogadores atuava no país e já conhecia a maneira de jogar de cada um, comentou Jairzinho.