Fascismo ao extremo: esquerda quer cancelar evento “Semana Vítimas do Comunismo”

Já faz algum tempo que as coisas não andam bem para a liberdade democrática em nosso Estado de Direito.

São previsões constitucionais em favor das liberdades públicas, entre outras: a liberdade de expressão, de consciência e de crença, assim como que a sociedade em nosso Estado Democrático de Direito pode ser plural. O pluralismo é sadio para a convivência pacífica entre divergentes e sem a previsão constitucional poderíamos dizer sim ao retorno da ditadura e aos tempos de repressão.

Nem sempre tudo são flores mesmo em uma democracia, como a vigente no Brasil nos dias de hoje. Por vezes, a constituição federal prevê um dever-ser cujo conteúdo normativo é voltado ao futuro, num sentido prospectivo, para fazer valer aquele velho e conhecido ditado: “água mole em pedra dura tanto bate ate que fura”.

Acontece que as coisas, como disse antes, não andam muito a favor do pluralismo democrático. As pedras (rectius cabeças) andam muito duras ultimamente.

Na UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina foi marcada uma palestra com o tema Semana Vítimas do Comunismo, a acontecer nos dias 6 a 10 do mês em curso, no auditório da referida universidade. O Diretor do Centro Socioeconômico – CSE da Universidade Federal de Santa Catarina cancelou o evento depois de pessoas já terem feito a inscrição e já haver reserva do espaço. Ao que tudo indica, tudo estava pronto para a palestra referida. O argumento utilizado pelo requerimento que pediu o cancelamento da palestra, pelo que se vê da decisão do referido juiz, foi de que o evento possuía caráter político e não acadêmico. Vejam o trecho pertinente: “a autorização foi cancelada por solicitação do Professor Fred Leite Siqueira Campos do Departamento de Economia e Relações Internacionais, subscritor do requerimento, ao argumento de que o evento a ser realizado possui caráter político e não acadêmico”.

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Houve impetração de mandado de segurança contra o ato do referido diretor, que foi acatado pelo juiz de direito da 3ª vara federal de Florianópolis, que deu a liminar para que o evento, de fato, se realize.

Como não poderia deixar de ser, Sua Excelência o juiz federal Osni Cardoso Filho concedeu a segurança para ordenar que o evento se realize, em nome da liberdade e do pluralismo de concepções de vida.

Outro trecho da decisão: “O evento para o qual se destina a utilização do centro acadêmico – Semana Vítimas do Comunismo – à margem de qualquer juízo de caráter ideológico sobre o respectivo conteúdo, revela contribuir, ao menos de forma aparente, para o aprimoramento acadêmico, profissional e sociocultural, como orienta o artigo 1º do referido ato normativo, e a sua realização, junto a uma universidade pública, também guarda pertinência.”.

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E para espancar qualquer dúvida, deixou dito na decisão o que segue: “Deve-se destacar, demais disso, que a universidade, em razão da própria autonomia que possui, deve significar para a comunidade em que se encontra, local de plural manifestação democrática, que respeita a diversidade de ideias e opiniões e que incentiva a convivência respeitosa entre todos os seus integrantes.”.

O mais engraçado de tudo é que os comunistas e os socialistas são os que mais pregam que a sociedade deve ser plural e respeitar as divergências em prol de democracia. O patético mesmo é que eles mesmos fazem aquilo que não querem que façam com eles. Pura hipocrisia, para dizer o menos.

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Pouco importando quem estaria ali presente e quais as idéias que seriam expostas na referida palestra, assim como quais as concepções pedagógicas ou ideológicas de cada um, partido ou grupo, o certo é que a liberdade de expressão, de ensinar e de aprender, deve estar acima de qualquer vínculo ideológico ou partidário.

A par da decisão da Ministra Cármen Lucia, que determinou que os candidatos politicamente incorretos sejam avaliados na prova do ENEM, o judiciário anda cumprindo o seu papel constitucional de dizer o direito a quem dele precisa e, no caso, quem necessita não são os verdadeiros fascistas como falam aqueles que cerceiam a liberdade alheia.

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