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A estranha moral de Stiglitz

Voto: um instrumento e símbolo de poder do homem livre, que faz dele um tolo e promove o naufrágio do seu país”.  Ambrose Bierce

Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia, escreveu recentemente um artigo, reproduzido por alguns dos mais importantes jornais do mundo, defendendo que os europeus e os organismos internacionais devem perdoar parte da dívida grega, concedendo àquele país a possibilidade de um recomeço.

O economista, opositor intransigente das políticas de austeridade e defensor da gastança estatal como solução dos problemas econômicos, tem dito, entre outras enormidades, que o problema europeu não é a Grécia, mas a Alemanha.  Entretanto, nada supera o arsenal de bobagens quanto a seguinte pérola, na verdade a cereja do bolo com a qual ele encerra o famigerado artigo sobre a moralidade da reestruturação da dívida grega:

Dificilmente eleições democráticas emitem uma mensagem tão clara como as da Grécia. Se a Europa disser não às demandas dos eleitores gregos por uma mudança de curso, estará dizendo que a democracia não tem importância, pelo menos no que se refere à economia”.

Confesso que tive de ler o parágrafo acima diversas vezes para me convencer de que não estava lendo errado.  Afinal, o gajo é ganhador de um Nobel.

A primeira imagem que me veio à mente foi a de um plebiscito no México sobre a emigração em massa para os EUA.  Seguindo o raciocínio de Stiglitz, desde que a democracia mexicana decidisse que seus cidadãos têm o direito de morar no país vizinho, este deveria imediatamente retirar todas as barreiras de fronteira hoje existentes, em nome do respeito às decisões democráticas.

Pensei também que seria razoável se os venezuelanos votassem pelo aumento do preço do seu petróleo para um patamar mínimo de, digamos, 100 dólares o barril, como forma de resolver os seus atuais problemas econômicos.  Em nome do valor elevado da democracia e da soberania das decisões populares, o mundo inteiro deveria acatar o preço pedido pela Venezuela.

Como todo bom esquerdista, o senhor Stiglitz pensa que as decisões da maioria devem prevalecer sobre quaisquer valores ou princípios.  Para ele, “a voz do povo é a voz de Deus”.  Não é.  Podemos não concordar inteiramente com a frase da epígrafe, mas é difícil discordar do sarcasmo de Churchill: “o melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com o eleitor médio.” No alvo!

Na verdade, a questão central aqui não é o que o povo grego deseja ou merece, mas quem paga a conta.  Assim como o voto da maioria jamais poderá revogar a lei da gravidade, há leis econômicas que tampouco irão submeter-se ao escrutínio de uma maioria estúpida.  E o fato é que, queiram ou não, gostem ou não, “não existe almoço grátis”.  Ou, como nos lembra Maimonides, “uma verdade não se torna mais verdadeira em virtude do fato de que todo mundo concorda com ela, nem menos verdadeira se o mundo inteiro a desaprova”.  Simplesmente, a razão e a verdade independem de maiorias ou de consensos – Galileu que o diga.

A moralidade do senhor Stiglitz, como ademais a moralidade da maioria dos esquerdistas é meio bizarra.  No fim e ao cabo, ele quer ajudar os gregos não com o seu próprio dinheiro, mas com o dinheiro dos outros. Não custa lembrar que os bancos, a quem ele gostaria de imputar os prejuízos de um possível perdão da dívida grega, nada mais são do que intermediários entre poupadores e tomadores.  Assim como a “reestruturação” da dívida argentina prejudicou majoritariamente pequenos e médios poupadores mundo afora, e não propriamente os bancos, o perdão da dívida grega também vai recair sobre poupadores individuais, muitos dos quais pequenos investidores.

Ademais, ainda que fosse possível transferir o passivo grego para o balanço das instituições multilaterais, como FMI, BCE, Banco Mundial, etc., o custo seria suportado pelos pagadores de impostos de todo o mundo, principalmente dos combalidos europeus.

Por outro lado, por que a vontade dos eleitores gregos deveria prevalecer sobre a vontade dos eleitores de outros países? Os alemães, por exemplo, quando chamados a opinar, parecem ter sido muito claros no sentido de que não querem pagar uma conta que não é sua. Convenhamos: se são eles que vão suportar a maior parte dos custos do calote grego, por que a sua opinião não deveria ser ouvida?

Em resumo, como bem destacou a Revista The Economist, os cidadãos de qualquer nação têm todo o direito de escolher os benefícios sociais ou sistema econômico que quiserem e bem entenderem, desde que, evidentemente, arquem com o custo de suas escolhas.  O resto é moralidade torta de quem pretende fazer justiça com o dinheiro dos outros.

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

4 comentários em “A estranha moral de Stiglitz

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    10/02/2015 em 3:37 pm
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    Carta aberta à pastoral da juventude revolucionária
    Quando eu tinha 14 anos, em 1964, achava Guevara o máximo: cabeludo, revoltado contra as injustiças do mundo, rebelde, parecido com os Beatles. Nos anos 60 o comunismo entusiasmava a juventude e os intelectuais terceiro-mundistas. Amadureci, e hoje aquele homem é, para mim, o que sempre foi: médico que não exerceu a medicina, pai que abandonou a família, homicida em série que matava pessoalmente, dono de um imenso e incontrolado ego, o qual só se satisfazia matando, mandando, comandando e determinando o que as pessoas tinham que fazer, pensar, ler, estudar, comer e vestir; nunca um comunista foi um bom pai, bom empregado, bom comerciante, comerciário, industrial, industriário, médico, lojista ou bom qualquer coisa mais. A URSS implodiu há mais de 20 anos, mas os comunistas do 3º mundo ainda não aceitaram isso. Povo nenhum, em época nenhuma, jamais quis o comunismo. Foi sempre uma minoria de desajustados, sindicalistas que nunca trabalharam, professores que não aprenderam com a experiência alheia, além de filósofos do absurdo, todos porque não amadureceram, que puseram em prática a “ditadura do proletariado” em seus países. Acabaram com todas as classes sociais e criaram duas: eles, os dirigentes, e “as massas”, os obedientes, mortos-vivos sem personalidade, sem iniciativa, sem senso crítico, sem capacidade de indignar-se com mais nada – o “novo homem” comunista. O que todos eles deveriam fazer, a uma simples análise da atual conjuntura do mundo, ou simplesmente comparando as duas Coreias, a do norte e a do sul, seria declarar que estavam errados e pedir desculpas ao povo – logo após isso, fazer os que as pessoas comuns fazem para “melhorar a vida das pessoas”: trabalhar; porque todas as pessoas normais querem os produtos do capitalismo –bens e serviços, liberdade de ir e vir, comprar, vender, criar e decidir o que vão fazer da vida. Mas… Isso nunca vai acontecer. Por quê?
    Porque um comunista jamais vai aceitar que errou e porque ele jamais vai resistir a 8 horas diárias de trabalho duro, rotineiro, árduo e contínuo, por 10, 20 ou 35 anos, em uma profissão normal. Simplesmente por isso. Ele já incorporou a convicção de que nasceu para mandar, matar e decidir o que o povo tem que fazer, pensar, vestir, comer, assistir ou ler para ser feliz aqui na terra.
    RESUMO:
    Quando as pessoas começarem a sair dos Estados Unidos a nado, em boias ou jangadas improvisadas, enfrentando o Mar do Caribe, com seus furacões e tubarões, com destino a Cuba, fugindo do “capitalismo selvagem e opressor”, avisem-me, porque então terá ocorrido somente UMA hipótese: Os Estados Unidos viraram comunistas e Cuba virou capitalista.
    EPÍLOGO
    Se seus avós comunistas tivessem implantado o comunismo em 1935, quando tentaram (matando inocentes e companheiros de farda pelo Brasil afora), ou em 1964 ou ainda em 1968, quando novamente tentaram, com bombas, assassinatos e “justiçamentos” entre si, eu teria sido fuzilado se tivesse escrito essas palavras. E você, se tivesse manifestado concordância com elas, teria sido assassinado também. Era o que meu antigo ídolo de adolescência fazia muito bem: matar quem discordava.

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    10/02/2015 em 3:33 pm
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    SOCIALISMO-ESQUERDISMO-COMUNISMO: RESUMO FINAL

    O Socialismo, Esquerdismo ou Comunismo são a mais perversa, hedionda, patológica e cruel forma de perverter as naturais relações sociais e econômicas entre os homens e destruir a individualidade das pessoas; são invenção de pessoas com graves deformações de personalidade, conduta ou de visão do mundo. São sistemas mantidos, desde seus princípios, por homens avessos ao trabalho regular, à rotina laboral, à hierarquia natural entre os seres humanos, estabelecida pela própria Natureza; seus criadores e seguidores foram e são pessoas capazes de matar toda uma geração, a título de uma pretensa e imaginária felicidade para as gerações futuras; são homens que nunca criaram valores morais ou empregos, ou produziram bens e serviços para seus semelhantes; são pessoas frias, que consideram as demais simples “massas” a serem moldadas de acordo com o que pensaram e decidiram ser melhor para a humanidade; são deformidades humanas que devem ser combatidas sem tréguas, permanentemente, como devem ser combatidos os vermes, as bactérias, os vírus e todos os vetores de doenças infecto-contagiosas e malignas. São isso que estamos vendo e ouvindo, há muito tempo: mortos-vivos, zumbis homogêneos, robôs produzidos em série, sem personalidade. Por isso eles só chamam as pessoas de “as massas”.

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    09/02/2015 em 6:06 pm
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    Que coisa curiosa:
    Uma minoria de eleitores votou para eleger um partido como o MAIS VOTADO, mas este não obteve nem a maioria absoluta dos votos, apenas foi o mais votado.
    Assim, atender a estes eleitores que elegeram um partido como o mais votado é anuir com a democracia e assim todos os demais paises para serem democráticos devem anuir e atender as demandas dos gregos pois que elegeram, como mais votado, um partido que pretende que outros paises paguem a conta da Grécia.

    Que linda lógica! Pois que não considera que os gregos devessem se submeter à opção democrática vigente nos demais paises e que SE OPÔS a que a lambança grega fosse imputada aos demais. Ou seja, pela mesma “lógica” democrática…

    Por qual razão não seriam os gregos a curvarem-se, para anuirem com a democracia, aos eleitores dos outros paises e sim estes curvarem-se aos eleitores gregos?????

    A mente socialista, esquerdista ou estatista é deteriorada, são doentes mentais inéptos ou doentes mentais por serem psicopatas atormentados por sentimentos como a INVEJA, a FRUSTRAÇÃO com a própria individualidade e o ÒDIO CONTRA a HUMANIDADE, que tais outros sentimentos fazem prosperar nas mentes inéptas por tal sedentas de lideranças psicóticas, estas atormentadas por não conseguirem ostentar virtudes no grau superior que desejam em sua vaidade então frustrada e consolada pelo ÓDIO á todo mérito ostentavel voluntariamente ou não.

    São indivíduos a que se chamava há muito tempo atrás de OBSCURANTISTAS. Pois que apoiadores deliberados de tudo de nocivo e que traga obscuridade, miséria e injustiça. Tais desejos de OBSCURANTISTAS se devem à FRUSTRAÇÃO que sentem ao CONTEMPLAR as VIRTUDES ALHEIAS que não é capaz de igualar ou superar. …Daí o desejo imoderado pela força para impor castigos e vingarem-se dos virtuosos que, involuntariamente, lhes exibem o quanto estão aquém daquilo que desejariam ser ou ao menos capazes de ostentar.

    É preciso admitir que há indivíduos que deliberadamente desejam o MAL difundido em toda a sociedade, sentem prazer ao verem indivíduos virtuosos sendo trucidados ou empurrados para a dor, a miséria e para a injustiça. É o meio de se vingarem daqueles que possuem virtudes e assim ferindo-lhes a vaidade.

    Obscurantistas existem e não se importam com a miséria, a dor e a injustiça em paises como Cuba, Coréia do Norte, Venezuela atual, ex URSS, Republica Democrática da Alemanha Oriental e varios paises onde o sofrimento é imposto pela hierarquia estatal de bandidos igualmente recalcados ou espertalhões.

    Pode ser coisa feia, segundo o moralismo piegas ou sentimentalóide, vigente pela propaganda massificante que o instaurou pela repetição, mas OBSCURANTISMO EXISTE! …há indivúos que defendem bandidos por sentirem-se identificados com eles e vendo estes como seus representantes na sociedade; matando, roubando, humilhando, torturando tal como gostariam de fazer contra a sociedade virtuosa que os sobreia. Logo, todo mal praticado contra os demais indivíduos lhes é prazeroso como vingança contra a sociedade que ODEIAM por esta premiar SINCERAMENTE o MÉRITO, a VIRTUDE.

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