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Empiricamente, os ricos têm vida mais fácil do que os pobres?

Esse artigo se trata de uma refutação do texto Poor kids who do everything right don’t do better than rich kids who do everything wrong, do jornal americano The Washington Post, traduzido livremente como Crianças pobres que fazem tudo certo não se saem melhores do que crianças ricas que fazem tudo errado.

A esquerda americana, liberals e democrats, tem um problema sério, assim como a nossa, com a desigualdade. Eles veem essa mazela como a fonte da pobreza do país, e fazem o que podem para se provarem certos, mesmo que para isso usem manipulação estatística e desonestidade intelectual – novamente, igual ao nosso movimento “progressista”. Assim, Matt O’Brien publicou no dia 18 de novembro, no conhecido The Washington Post (TWP), um texto tentando provar que a meritocracia nos Estados Unidos é uma mentira. Observemos o gráfico:

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Facilitando a interpretação, um quintil se refere a uma fatia de 20% da população – primeiro os 20% mais pobres, então os 20% seguintes, até os 20% mais ricos. Na coluna da esquerda temos pessoas pobres que possuem um diploma universitário, e na da esquerda, pessoas pobres que largaram os estudos no Ensino Médio. Antes de analisar as estatísticas, vejamos a desonestidade do autor. Em momento algum é explicitado o que caracteriza o “pobre” que estuda ou o “rico” que deixa de estudar.

Da mesma maneira, nunca se explicita o que é “fazer tudo certo” ou “fazer tudo errado.” Os pobres que se graduam em cursos de baixo retorno financeiro, como Serviço Social ou História, podem até estar fazendo “tudo certo” para sua satisfação profissional, mas certamente não para sua satisfação material. Da mesma maneira, os ricos que largam os estudos para trabalhar na fazenda dos pais, na filial da empresa ou, de alguma maneira, ajudar a manter os negócios, produzir e gerar empregos estão fazendo “tudo errado”?

Dito isso, podemos analisar as estatísticas que o próprio TWP divulgou. O que o autor aponta é que a proporção de filhos de pobres e ricos que acabam nos 20% mais pobres é a mesma – 16% dos que se formam ou largam os estudos. Da mesma maneira, como o gráfico aponta, apenas 26% dos graduados ficam no terceiro quintil – a “classe média”, literalmente -, contra 30% dos não-graduados. O que o autor convenientemente ignora sobre mobilidade social é que 59% dos graduados estão entre os 60% mais pobres. Agora, quantos ricos que largam os estudos estão nessa faixa? 81%! E novamente, deixando de lado a miopia progressista, 41% dos graduados estão então os 40% mais ricos – mas só 19% dos ricos que largam os estudos estão aí. Aonde, então, está a meritocracia? Simples: 19% dos ricos que largam os estudos de fato se esforçam em negócios familiares e tem sucesso, enquanto 41%, ou dois em cada cinco graduados pobres, são recompensados pelo mercado pelo seu sucesso.

Resumindo:

1. Graduados pobres tem 43% mais chances de ficarem entre os 20% mais ricos

2. Graduados tem 116% mais chance de ficar entre os 40% mais ricos

3. Ricos que largam os estudos tem 56% mais chance de se encontrarem ente os 40% mais pobres

Então, a meritocracia é uma mentira? O desejo dos socialistas de empobrecer os ricos é tamanho que eles são incapazes de interpretar corretamente as estatísticas que eles mesmos expõem. A meritocracia, mesmo pela definição errada de “receber mais recompensa por se esforçar mais”, é uma realidade; pessoas responsáveis com seu futuro nem sempre se dão bem, mas pessoas irresponsáveis quase sempre fracassam. Surpreende, enfim, não só que esse debate ainda seja levantado, mas que seja levado a jornais de tão grande circulação como o TWP e, o pior de tudo, aceito pela maioria dos seus leitores.

Fonte:

http://www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2014/10/18/poor-kids-who-do-everything-right-dont-do-better-than-rich-kids-who-do-everything-wrong/?TID+SM_FB

Guilherme Dalla Costa

Guilherme Dalla Costa

Acadêmico de Ciências Econômicas pela UNIFRA (Centro Universitário Franciscano), Coordenador Estadual da Rede Estudantes Pela Liberdade (Rio Grande do Sul) e Conselheiro Executivo do Clube Farroupilha.