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Qual foi o resultado da guerra comercial de Trump?

Em 2016, Trump foi eleito com uma agenda protecionista e, quando assumiu em 2017, a levou a cabo. Logo após se mudar para a Casa Branca, o homem-laranja impôs impostos de importação contra produtos chineses na casa das centenas de bilhões de dólares. Ele chegou a se descrever como o “homem-tarifa” e disse que “guerras comerciais são fáceis de vencer”.

Colocando em números, no início de 2018, Trump criou impostos de importação em 18 produtos. Em agosto daquele mesmo ano, já havia tarifas em mais de 10 mil – não apenas de origem chinesa, mas também da União Europeia. Obviamente, os EUA sofreram retaliações (só um completo imbecil pode achar que vai brigar com seus parceiros comerciais sem consequências), merecendo destaque a agricultura – um dos setores que mais sofreu.

E qual foi o resultado dessa “guerra”? O The Wall Street Journal fez uma análise de dados para responder – e os resultados não foram positivos.

Em resumo, a briga comercial de Trump com os chineses não foi capaz de alcançar seu objetivo principal, que era reverter o cenário de declínio do setor manufatureiro do país. As importações da China foram substituídas, mas não da maneira esperada: ao invés de comprar produtos nacionais, os yankees começaram a importar de outros países, como Vietnã e México.

Em outras palavras, Trump até conseguiu reduzir o déficit com o gigante asiático, mas aumentou “para outros lados”. No ano passado, o resultado negativo na balança comercial foi de 679 bilhões de dólares – um recorde desde 2008. E não adianta culpar a pandemia: em 2019, tal tendência já se mostrava.

Outro objetivo da guerra comercial com os chineses era o reshoring, isto é, fazer com que empresas americanas com filiais no exterior voltem a produzir no país. Também não funcionou. Para piorar a situação, alguns empresários americanos adiaram ou desistiram de construir fábricas no país, dada a necessidade de importar peças da China.

A verdade é que taxar produtos estrangeiros é taxar os consumidores. Quando você coloca impostos de importação, quem paga não são os forasteiros, mas sim os habitantes do seu país. Pense nessas tarifas como se fossem um bumerangue: você tenta atingir a outra parte, mas vai acabar voltando contra você.

Este fracasso retumbante de Trump não deveria ser surpresa. Em 2016, a University of Chicago Booth School of Business fez uma pesquisa com alguns economistas de diversas universidades americanas (Chicago, Harvard, Yale, Berkeley, etc.) perguntando se eles concordavam com a tese de que um aumento das tarifas de importação aumentaria a produção fabril nacional. Ninguém concordou*. Literalmente ninguém. Merece destaque a resposta de Robert Hall, da Stanford University: “LEIAM ADAM SMITH”. Outra digna de nota é a de Austan Goolsbee, que respondeu com apenas uma palavra: “Estúpido.”

Peter Navarro era o economista responsável pela política comercial de Trump. Graduado em Harvard University, ele acredita que o comércio é um jogo de soma zero. Ou seja, para um país ganhar, outro necessariamente deve perder. Quando a revista The New Yorker perguntou a ele quais de seus colegas concordavam com essa tese, Navarro citou dois. O primeiro foi Peter Morici, que, ao ser confrontado pela revista, negou concordar com o então secretário. O segundo foi Alan Tonelson, que negou possuir um diploma de economia.

E vocês aí achando que o Paulo Guedes que era desastrado, não é mesmo? Para finalizar, vale lembrar aquela famosa frase de Thomas Sowell: “por trás de todo desastre econômico da história americana, sempre há um homem de Harvard.”

* Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

*Se a pesquisa tivesse incluído economistas da Unicamp, seguramente o resultado seria diferente….

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