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Os grandes perdedores do Jogos Olímpicos: os pagadores de impostos

Eu não sei quem será o grande vencedor das Olimpíadas deste ano. Desde os Jogos de Atenas, em 2006, o destaque sempre foi o nadador americano Michael Phelps, que conquistou 23 medalhas de ouro. Para critério de comparação, Phelps sozinho esteve no local mais alto do pódio mais vezes que todos os brasileiros somados de Atenas até hoje. Agora aposentado, a dúvida que fica é se aparecerá alguém para tomar o lugar dele. Porém, os grandes perdedores, e não há dúvidas a respeito, são os pagadores de impostos japoneses.

De acordo com um estudo feito pela University of Oxford, em média, os jogos olímpicos excedem seu orçamento em 156%. O Brasil é um bom exemplo disso: com nossa Olimpíada inicialmente orçada em 4,1 bilhões de dólares, no final gastamos 11 bilhões de dólares (Baade e Matheson, 2016). Ou seja, gastamos quase 268% do que planejamos — somente Londres gastou mais que o Brasil até hoje. Se “saltos orçamentários” fosse uma modalidade olímpica, seríamos medalha de ouro! Dá-lhe, Brasil!

O serviço da dívida pode onerar os contribuintes por décadas, e não há melhores exemplos disso do que os Jogos de Inverno de Sochi de 2014 e as Olimpíadas de Montreal de 1976. Sochi custará aos russos 6 bilhões de reais por ano em um futuro previsível, e a dívida pública das Olimpíadas de Montreal de 1976 só foi totalmente paga pelo governo canadense em 2006. Até hoje, a única cidade que teve lucro com os Jogos foi Los Angeles em 1986.

Os defensores do torneio utilizam o argumento do turismo para defendê-lo; porém, os dados não sustentam essa narrativa. Um estudo de 2013 feito por Robert Baumann e Victor Matheson mostrou que, apesar do aumento esperado durante o torneio, há pouco ou nenhum impacto após o evento. Vale ressaltar que Londres, Pequim e Salt Lake City tiveram um decréscimo de turistas após seus respectivos jogos. Sydney e Vancouver tiveram apenas uma pequena alta. O único sucesso inegável é Barcelona, mas, mesmo assim, gastou 266% acima do planejado. Empregos também não costumam ser gerados conforme as expectativas. Baade e Matheson concluíram que, nos jogos de inverno em Salt Lake City, apenas ¼ das vagas esperadas foram abertas, e que os maiores benefícios vão para trabalhadores que já estão empregados.

Conforme dito anteriormente, a única cidade até hoje que teve lucro com os Jogos foi Los Angeles. E por que isso ocorreu? Basicamente porque todos os investimentos vieram da iniciativa privada – não houve investimento público -, algo inédito desde as Olimpíadas de 1986. Poucas instalações foram construídas e as que foram surgiram próximas às universidades, o que permitiu que elas fossem reaproveitadas pelos estudantes – como os dormitórios. “Em primeiro lugar, você tenta não construir absolutamente nada; você usa o que você tem e tenta aproveitar o máximo daquilo”, disse Peter Ueberroth, organizador do evento na cidade.

Outro plano dos organizadores foi levantar fundos com patrocinadores e direitos de imagem. Pela primeira vez na história americana, uma TV comprou a exclusividade na transmissão de um torneio: por 235 milhões de dólares, vendida para a ABC News. Apesar de ter apenas uma transmissora, o torneio foi um sucesso de audiência nos EUA. Tamanho foi o sucesso que Ueberroth foi eleito “personalidade do ano” pela Revista Time.

Não sei se um dia o Brasil voltará a sediar os Jogos Olímpicos. Caso isso venha a ocorrer, espero que a forma de financiamento mude completamente. Se for para fazer igual ocorreu em 2016, vou me inspirar em Kevin Lynch. Em 2009, uma das concorrentes do Rio de Janeiro era a cidade de Chicago, e Lynch, sabendo dos problemas que isso poderia causar ao orçamento de seu município, criou um site chamado “Chicagoans for Rio”, onde apoiava a candidatura carioca a sede. A última coisa de que esse país necessita é de mais elefantes brancos – vide os estádios de Brasília, Manaus e Mato Grosso.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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