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Livre mercado, Elon Musk e o Twitter

Como muitos de vocês devem estar sabendo, o Twitter foi comprado pelo Elon Musk por 44 bilhões de dólares. Musk está investindo US$ 21 bilhões em dinheiro e financiando o restante por meio de novas dívidas: um empréstimo de US$ 13 bilhões e outro de US$ 12,5 bilhões, tendo as ações da Tesla como garantia. Dessa forma, é notório que, cada vez que há uma transação comercial, o mercado “fala”. E o que é isso que o mercado está dizendo aqui?

O fato de Elon Musk ser a pessoa mais rica do mundo e ter US$ 21 bilhões para gastar, em primeiro lugar, fala muito. Elon Musk possui esse dinheiro por gerar valor à sociedade através de suas várias empresas – sendo a Tesla a mais significativa. O sul-africano não colocou a arma na cabeça de ninguém nem obrigou ninguém ou a comprar ações de suas companhias, ou os seus respectivos produtos.

Os lucros dessas empresas resultam da compra e contratação de fatores de produção (como fábricas e trabalhadores da Tesla) para produzir bens e serviços (como carros da Tesla) e depois vender os produtos para clientes (como compradores de carros da Tesla) por mais dinheiro do que o que pagaram com a compra dos fatores. Lucros – receitas do produto que excedem os custos dos fatores – são um sinal de criação de valor social, enquanto as perdas – custos dos fatores que excedem a receita do produto – são um sinal de destruição do valor social.

Quando empreendedores administram com competência os fatores de produção para criar valor, são recompensados através de lucros, o que lhes permite comprar/administrar mais fatores de produção. Por outro lado, quando os empresários esbanjam recursos e destroem valor, as perdas os punem, privando-os de seu comando sobre esses recursos (transferindo-os aos empresários competentes) para evitar maior destruição de valor.

Uma vez que são as decisões dos consumidores de comprar ou abster-se de comprar que determinam a extensão do lucro ou perda, pode-se afirmar que eles são o grande juiz desse mercado, recompensando e confiando, punindo e privando. É por isso que Elon Musk tem US$ 44 bilhões em dinheiro à sua disposição, que ele pode usar para comprar o Twitter. Os consumidores (especialmente os clientes da Tesla) obtiveram valor de sua administração de recursos (como o capital e os trabalhadores da Tesla) e o recompensaram / confiaram a ele os meios para administrar ainda mais recursos (como o capital e os trabalhadores do Twitter).

É também por isso que Musk conseguiu financiar sua aquisição do Twitter pegando emprestados US$ 25,5 bilhões usando suas ações da Tesla como garantia. Seus credores estão confiantes de que serão pagos com juros, em grande parte porque esperam que a Tesla continue a criar valor e obter lucros, com base no histórico da Tesla (e de Musk). Criação de valor passado tende a ser um bom prognóstico para geração de valor futuro – e, haja vista, o histórico de Musk, ele passa confiança aos credores.

Além disso, desde o início estava muito claro que Musk pretendia fazer do Twitter um paraíso da liberdade de expressão – logo, seus credores sabiam disso. Assim, o empréstimo de compra pode significar uma expectativa de que a liberdade de expressão será boa para os negócios do Twitter. Por quê? Acredito que, para os analistas, um Twitter menos censurável e mais livre pode ser um Twitter muito mais interessante. Isso pode resultar em mais usuários e, portanto, mais receita e lucro de anúncios.

O Twitter deixava muito a desejar em relação à liberdade de expressão, e possivelmente esse estava entre os motivos pelos quais suas ações estavam em queda. Entre 2021 e 2022, as ações da companhia caíram mais de 50%. Em outras palavras, os antigos donos estavam destruindo o valor da companhia. A turma do pássaro azul não está sozinha. No Facebook, tudo me leva a crer que nossa página está em “shadow ban“. Espero que o Elon Musk também olhe para cá.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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