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As consequências do monopólio estatal de energia nuclear no Brasil

A proibição de usinas nucleares privadas no Brasil merece destaque. Enquanto na Grã-Bretanha a Rolls Royce está construindo 16 pequenos reatores nucleares para a produção energética, no Brasil a Angra 3 foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento e até hoje não ficou pronta.

As consequências do monopólio estatal estão bem claras: falta energia no Brasil. Cerca de 5% da nossa energia é importada, o que parece pouco até olharmos mais a fundo a situação. Petróleo e gás natural correspondem, respectivamente, a 34,3% e 12,2% de toda energia que produzimos no país, mas 20% do gás natural que utilizamos é importado (especialmente da Bolívia e Argentina) e, no desfecho, deixamos de exportar petróleo para abastecer as termoelétricas nacionais. Para piorar a situação, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê-se que a demanda de energia no Brasil vai crescer 3,6% ao ano até 2029, o que em outras palavras significa que o país precisa construir mais cinco “Itaipus”.

Precisamos de energia nuclear. Além de ser uma fonte limpa, seu preço é competitivo. De acordo com um estudo da World Nuclear Association, o custo do kWh vindo de usinas nucleares tende a ser menor que o de combustíveis fósseis (o cenário muda quando um país tem acesso direto a combustíveis fósseis de baixo custo). Ou seja, é bastante provável que sua conta de luz fique mais barata caso seja permitida a geração de energia nuclear privada.

Não só no Brasil, mas a demanda energética global tende a aumentar. Quase 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo ainda estão sem energia elétrica (cerca de 13% da humanidade), o que mostra o tamanho do potencial. Ou seja, haverá maior pressão de mercado pelo gás natural que importamos e o petróleo que exportamos – praticamente 50% da nossa matriz energética. Precisamos urgentemente de novas fontes.

Além disso, a energia nuclear está em sintonia com os esforços da comunidade internacional em reduzir o aquecimento global – também conhecido como “Protocolo de Paris”. No ano passado, o Clean Energy Ministerial (CEM), um encontro anual de ministros de energia de 26 países e da Comissão Europeia, incluiu a energia nuclear como uma fonte de energia limpa pela primeira vez e lançou uma iniciativa para encorajar outras organizações de energia a fazerem o mesmo. De acordo com a CEM, a energia nuclear pode promover “o crescimento econômico e uma gestão ambiental eficaz”.

Eu sei que defender energia nuclear é politicamente incorreto. Por isso, precisamos de um congressista com coragem de propor o fim do monopólio estatal que está na Constituição, permitindo assim que sejam construídas usinas nucleares privadas. Isso seria sinônimo de mais emprego e mais investimentos no Brasil, além de, claro, uma fonte energética limpa em comparação com o que temos atualmente.

*Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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