E a Copa?

copaCuriosamente, não vejo nas ruas o clima de Copa do Mundo do passado. Quais seriam as razões desse fenômeno?Sinceramente, ainda não consegui compreender. Há, de fato, um aproveitamento político da situação. Tal qual na Copa das Confederações, um ruído começa a ecoar. Aquela velha ladainha demagógica de: “não queremos copa”; “não queremos estádios”; “fora FIFA”; “queremos hospitais e escolas padrão FIFA”; e por aí vai…

Por favor, não me entendam mal. Nunca fui a favor de Copa nem das Olimpíadas no Brasil. Sempre acreditei que não temos infraestrutura para esse tipo de evento, e, além disso, acumulamos – ao longo dos anos de inépcia governamental – outras prioridades para gastar o dinheiro suado dos pagadores de impostos e geradores de riquezas.

Leia também:  Aquecimento global: quando o jornal Washington Post tentou fazer ciência

Não fosse só isso, tal qual ocorreu nos Jogos Pan-Americanos, terminaremos essa farra com diversos “elefantes brancos”. Eventos dessa magnitude, com todo o respeito, são para países estruturados. Todavia, é importante lembrar um fato importante: os que reclamam hoje, celebraram no passado… Existem duas categorias aí: (I)pessoas facilmente iludidas que oscilam de forma bipolar (depressão ou mania); e, (II) “raposas políticas” que se aproveitam de qualquer situação, mudando de posição ao sabor dos ventos.

Por essa razão, acredito que uma vitória da seleção brasileira possa ter o condão de trazer os bipolares para uma fase de mania no “Brasil das Maravilhas”. Esse estado de euforia turva a aptidão para a observação e análise, fulmina o pensamento crítico e destrói a capacidade de compreensão. Pior ainda, pode dar munição para “raposas políticas” ineptas.

Leia também:  Ensaio sobre um novo fenômeno: a Lei Coase-Surowiecki (segunda parte)

Então, como que num lance de mágica, tudo passa a ser maravilhoso, inclusive um governo que vem destruindo as instituições e políticos aproveitadores. Não é de se estranhar. O brasileiro confunde mesmo uma seleção de futebol com o país – é a tal “pátria de chuteiras”. O ufanismo, um dos piores males do Brasil, é um terreno fértil para políticos aproveitadores às vésperas de uma eleição.

Um país como este, por incrível que pareça, precisa de uma derrota em um evento esportivo para votar conscientemente. Parece loucura, mas o melhor para o país é que a seleção perca a Copa do Mundo de forma absolutamente vergonhosa. Seria tal qual aquele susto que injeta adrenalina e reduz o torpor de um bêbado. Só assim, os cidadãos serão capazes de escolher seus representantes nas urnas com um mínimo de lucidez. De nada adianta vaiar a Presidente atual nos estádios, e, na sequencia, votar mal, ou, pior ainda, deixar de votar. Eleitores omissos e levianos são responsáveis diretos pelo estado atual do país.

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Leia também:  Bernie Sanders? Esqueçam. Alexandria Ocasio-Cortez é a nova queridinha dos socialistas