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Demagogia custa caro

JOÃO LUIZ MAUAD *

Na semana passada, o conselho da cidade de Washington, DC, votou (8-5) pela criação de um super salário mínimo, válido apenas para grandes varejistas.   Segundo o decreto, claramente direcionado à rede de supermercados Wal-Mart, que estava em vias de abrir seis novas lojas no Distrito de Colúmbia,  redes com vendas corporativas acima de US$ 1 bilhão e que operam em espaços de 75.000 pés quadrados ou mais estarão obrigados a pagar a seus funcionários não menos que US $ 12,50 por hora, enquanto o salário mínimo da cidade é de US$ 8,25.

Tão logo a medida foi votada pelo conselho progressista da cidade, o porta-voz do Wal-Mart, Steven Restivo, comunicou que a empresa iria abandonar os planos para as três lojas não construídas e “analisar as implicações financeiras e legais” de não abrir os outros três estabelecimentos já em construção.  Quem será o maior perdedor?  Acertou quem respondeu a população mais pobre.

Só para se ter uma idéia do descalabro de tal decisão, a taxa atual de desemprego em DC é de aproximadamente 8,5% e cada loja dessas oferece a perspectiva de 300 novos empregos diretos, além de US $1 milhão por mês em receitas fiscais. Sem mencionar a oferta de preços bastante atrativos para os consumidores locais.

O que esses senhores do conselho da cidade parecem não saber é que negócio de varejo caracteriza-se por grandes estoques, volumes enormes de vendas e margens de lucro pequenas.  Grandes varejistas ganham no volume, muito mais que nos preços. Redes eficientes e lucrativas devem operar com custo fixo e de manutenção de estoque muito baixos e, por conseguinte, armazenagem e transporte eficientes.  Nesse modelo, se quiser ofertar preços abaixo da concorrência e atingir os consumidores de baixa renda – seu foco central – a empresa não pode se dar ao luxo de pagar salários acima da produtividade do trabalho.

Mas nem só de custos baixos vive o W-M. Inovação e alta tecnologia desempenham papel preponderante.  O seu sistema de dados, por exemplo, é integrado com os dos principais fornecedores.  Isso permite que tanto a empresa quanto o fornecedor tenham controle praticamente imediato dos itens que estão vendendo. Assim, o W-M pode manter o estoque baixo (o que significa baixo custo financeiro e de armazenagem) e os vendedores podem se programar para produzir e entregar de acordo com a evolução das vendas.

Mas isso é mero detalhe para políticos demagogos e oportunistas, que não entendem nada de economia, nada de administração e nada de coisa nenhuma.  Segundo o pensamento sofisticado dos autores da medida, ela não é uma discriminação contra o W-M ou qualquer outra empresa, mas sim a garantia de um “salário digno” para os cidadãos de Washington.

Seria uma péssima desculpa, ainda que o novo salário valesse para todos e não apenas para empregados de grandes lojas.  A propósito, esses políticos deveriam responder por que indivíduos, exercendo a mesma função (empacotadores ou caixas, por exemplo), podem vender seu trabalho pelo mínimo de US$8,50 para pequenas lojas, mas não para o W-M?  Na certa, querem inverter a lógica econômica segundo a qual os salários são diretamente proporcionais à produtividade do trabalho e não ao tamanho do contratante.

Para quem entende um tantinho de economia, parece claro que os moradores dos bairros pobres onde as novas lojas seriam instaladas seriam beneficiados, não apenas pelos preços baixos oferecidos aos consumidores, mas também pelas centenas de novos postos de trabalho que cada loja abriria. Embora $12,50 seja bem mais do que $8,25, $12,50 vezes zero sempre será muito menos do que $8,25 x 300 novos empregos diretos (sem falar nos indiretos).  Mas essa é uma matemática muito sofisticada para os políticos, especialmente de esquerda.

Numa economia de mercado, onde imperam as trocas voluntárias, sem a intervenção daninha dos governos, pessoas que não gostam do Wal-Mart simplesmente não comprariam lá.  Por outro lado, pessoas que acham insuficiente o salário oferecido simplesmente não trabalhariam lá.  A única coisa proibida deveria ser tirar dos outros a liberdade de tomar suas próprias decisões, seja para consumir ou trabalhar onde bem quiserem.

* ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

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