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De Kuleshov e oratórias de Lênin e Trotski aos discursos nos chãos de fábrica do ABC: como o lulopetismo “passou a perna” no Brasil

Em seu discurso ao receber a faixa de presidente de Fernando Henrique Cardoso em 2003, caiu uma lágrima dos olhos de Lula quando disse que aquele era seu primeiro diploma. A lágrima foi arquitetada de forma milimétrica. É assim que Lula age: como uma máquina de manipulação política. Dois anos depois, lembremos, o mensalão estava desmascarado e estampado nas capas dos jornais do país.

Um dos grandes erros da elite brasileira foi classificar Lula como um “inculto”, “iletrado”, etc. Dos chãos de fábrica em que fez seus primeiros discursos no ABC Paulista até o Nordeste e Norte, onde é adorado, Lula ganhou corpo e se tornou um mestre da retórica. Uma espécie de Trotski sem grife, um Lênin com cabelos. Enquanto nossa elite se preocupava com Copa do Mundo, novela e entretenimentos, a esquerda durante a pós-democratização se organizava em sindicatos, aparelhava as universidades, igrejas e as instituições mais importantes do país, que até hoje são maciçamente comandadas por petistas.

Lula é o oposto do impulsivo Bolsonaro. Cada vírgula de sua retórica é pensada, medida e colocada da forma mais persuasiva possível. Depois, no poder, vieram as famosas “propagandas do PT” na televisão. Era de chorar de emoção! Crianças com sorrisos estampados, pais de família felizes, pobre andando de avião… Como eu queria viver dentro da propaganda do PT, maquiada e utilizada na campanha presidencial de Dilma em 2014. Ah… que Brasil lindo aquele!

Essa arte de manipulação das massas por imagem, no entanto, tem origem em Lênin, no início do século XX, que disse: “Para nós, a arte mais importante de todas é o cinema”. O líder bolchevique fez tal afirmativa devido à capacidade de propaganda de que o cinema dispunha. Isso porque até 1920, na Rússia, apenas 40% dos adultos eram letrados. Assim sendo, o cinema se constituía em arma essencial para fomentar o alcance do Partido Comunista. Na época, lembra o historiador Orlando Figes em Uma História Cultural da Rússia (2018), cinemas foram instalados em igrejas e nas aldeias.

“Arte é um jogo. O cinema é a vida”, disse um crítico soviético. Quem não se sente impactado pela famosa e clássica cena da mãe que segura seu filho na escadaria diante dos soldados em O encouraçado Potemkim (1925), de um dos pais do cinema Russo, Serguei Eisenstein (1898 – 1948), formado na oficina de Kuleshov?

O cinema tinha um poder incrível de manipulação das massas. Imaginem um cenário pós-Revolução de 1917 em que a URSS se encontra em profunda crise econômica, com os operários e camponeses com fome… Chegou-se ao ponto de Lênin criar a NEP, que nada mais foi que uma “abertura de mercado” para injetar dinheiro na União Soviética. Evidentemente, questionamentos surgiram colocando em cheque a revolução proletária – que de proletária não teve nada! O caminho, assim, foi usar o cinema como ferramenta de manipulação das massas. Aí entra a cena da escadaria, mencionada acima com o fim de trazer à memória do povo russo a tirania do Czar Nicolau II (1868 – 1918).

Quase um século se passou, mas o PT de Lula usou as mesmas técnicas para manter o partido no poder por 15 anos no Brasil. Com toda a tecnologia em mãos e bons marqueteiros aliados a um orador nato (Lula), as propagandas petistas enganaram milhões de brasileiros, sobretudo os mais simples.

As eleições de 2022 estão aí e engana-se quem pensa que Bolsonaro é favorito. Lula é um avião! Como escrevi acima, muito mais articulado que seu principal rival para o cenário eleitoral que se desenha.

Para ajudar, Moro foi linchado em praça pública por Bolsonaro. O mesmo Sergio Moro que colocou Lula e dezenas de correligionários e empreiteiros na cadeia. Logo, e como já definiu o Supremo Tribunal Federal, Lula é “inocente”.

Moro foi tratado como cão. Agora, Lula está solto, elegível e a propaganda do PT vem aí. O estrago foi feito. Pobre Brasil. Se a “arte é um jogo e o cinema é a vida”, não sei, mas o circo está montado. E quem serão os palhaços? Os protagonistas ou os espectadores?

Sobre o filme a que vamos assistir em 2022, que fiquemos atentos ao efeito Kuleshov!

Querem passar, de novo, a perna no Brasil.

Ianker Zimmer

Ianker Zimmer

Jornalista diplomado pela Universidade Feevale (RS). Trabalhou no Jornal NH e na Rádio ABC - ambos veículos do Grupo Editorial Sinos. Foi editor-chefe do portal Gazeta NH. É colunista do Instituto Liberal e do site Opinião & Crítica (editado pelo jornalista Diego Casagrande - EUA). Trabalhou como Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados, especificamente como assessor de imprensa do liberal deputado federal Marcel van Hattem. É autor do livro "A filosofia do fracasso: ensaios antirrevolucionários (2020)", coautor do livro "Introdução ao Liberalismo (2021)" e trabalha para lançar seu terceiro livro ainda em 2021. Também escreve um romance, sem previsão de lançamento.