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Como me tornei liberal

Heitor Machado*

Logo do Instituto LiberalUm grande amigo, com raízes bem mais de esquerda que eu, diz que “Eu e você pensamos com partes diferentes do cérebro”. Sempre que conversamos, buscamos o entendimento mútuo, às vezes conseguimos, muitas vezes não. Desde que ele disse essa frase, comecei a me perguntar “Como me tornei liberal?” e então procurei resumir parte da estrada num texto e espero que você se identifique em determinado momento. Contarei em forma de história e você entenderá que as interpretações que dei foram liberais.

Caso não se identifique, espero que pelo menos seja menos duro entender um liberal. O porquê lemos todos os dias, o porquê nos interessamos por fatos ao invés de buscas impossíveis, porquê somos tão realistas.

Vejo, nos liberais, uma característica bastante importante. Nós gostamos de competição e não vemos nada de errado nela. Não só em ganhar, pois sabemos que perdas são lições aprendidas para um novo desafio logo a frente. Queríamos que todos compartilhassem dessa idéia ou pelo menos aceitasse, mas respeitamos a sua liberdade, e você pode até não gostar de competir, mas não veja nada de errado em gostarmos muito do aperfeiçoamento diário. Liberdade é ser livre para fazer escolhas, mesmo as erradas. Então seja o que você quiser ser, mas jamais me obrigue a ser o que você quiser que eu seja.

Minhas primeiras lembranças da vida são do tatame. O judô me ensinou muitas coisas, entre elas o respeito a quem mais treina, disciplina e gratidão, mesmo que na derrota. Se curvar ao final de uma luta é um ato de respeito e diz “obrigado por ter me dado a oportunidade de saber que eu preciso treinar mais”. E eu gostava realmente daquela brincadeira, fez parte de mim, formou-me o que sou juntamente com os valores que aprendi em casa com a família.

Numa fase seguinte, eu passei novamente pela triagem. Eu já conseguia compreender que se fizesse da melhor forma possível o que estava estabelecido nas regras, ganharia pelo meu esforço. Estudei em escolas que os alunos com melhores notas ficavam mais perto do professor que falava e assim entendia melhor o que o mestre dizia. Nesse momento me dei conta melhor sobre o que meus pais e avós falavam sobre estudar e entendi o valor da meritocracia.

Depois disso, fiquei um terço da minha vida na Marinha do Brasil. As Forças Armadas ainda são um dos redutos onde a meritocracia é ensinada todos os dias. Outra coisa que fazem muito bem, de modo totalmente não planejado é a independência. Seu estudo só depende de você, e nas academias dificilmente você encontrará um aluno que não valorize seu escasso tempo livre, novamente dando valor à liberdade.

Mas reconheço que não era um aluno exemplar, mas ao que me dedicava, tinha a certeza de dever cumprido. Foi também salas da Escola Naval que tive lições de Cálculo, Física, Economia, Psicologia, Liderança e Estatística que me ajudaram a compreender mais rapidamente alguns conceitos que hoje uso, tudo é questão de escolha e naquele momento decidi aprender algumas coisas que hoje me são muito importantes. Nessa juventude, aprendi a controlar as demandas, o que é extremamente importante para o controle das frustrações da vida.

Até as demandas de amizade são por vezes colocadas à prova, lembro que a regra era não deixar ninguém que não tivesse colocado nome na relação para almoço, poderia almoçar e eu era o responsável por isso. Um amigo que era companheiro de quarto pediu para almoçar e eu disse que não. Acredito que você esteja me achando um monstro, mas se ele realmente era meu amigo, deveria entender que eu tinha que cumprir e que ao não cumprir, eu seria punido e eu saberia que estava errando, e acredito que a pior forma de se sentir culpado, é quando você desrespeita seus próprios valores.

Depois de sair da Marinha, estudei para concurso público e foi aí que conheci alguma coisa sobre direito constitucional, várias vezes pensei “Por que não aprendi isso antes?”. Mas a vida de concurseiro requer uma espera que não estava disposto a pagar e comecei a dar aulas para ganhar algum dinheiro. Nesse momento que percebi que era um comunicador acima da média. Não sei realmente aonde aprendi, mas fato é que consigo me comunicar bem. Lembra daquele ponto que falei sobre a competição? Nesse momento entendi que minhas habilidades iam me ajudar a chegar aos meus desejos. Comecei a empreender e a ganhar espaço no trabalho. No meu emprego, dedico-me ao que entendo que quem confiou a mim uma tarefa, veja ela cumprida. Fora dele, dedico-me a ver as minhas tarefas cumpridas.

Exatamente aqui, você vai compreender e provavelmente se identificar. Chego a junho de 2013. Existia aquele furor nas ruas e pelo Facebook, mas nada daquilo me brilhava os olhos, eu não acho simplesmente que devo impor a alguém a minha vontade. Sempre achei o voto um dever, talvez uma das poucas horas que me sentia parte da máquina política, se eu tinha algo para protestar, que fosse no voto, não na rua, não quebrando vidraças. Sei que nem todos estavam deslegitimando as manifestações, mas de forma nenhuma eu faria parte de um grande grupo, pois alguma coisa em andar em bando me deixava incomodado.

Algum amigo (que para ser sincero não lembro quem) postou um texto do presidente do IL, Rodrigo Constantino. Era o início do Blog na Veja. Quando lia os textos, aquilo me identificava diversas vezes e comecei a estudar a raiz daquilo que via e era aquilo que eu pensava.

Conhecimento adquirido começa a borbulhar e você precisa colocar aquilo para fora e passar para frente, pois conhecimento guardado é mera informação. Juntei as minhas habilidades, continuo estudando todos os dias da semana, e buscando aperfeiçoamento e para isso, a Internet é de valia absurda. Comecei a correr atrás de um lugar que pudesse expor aquilo que interpreto das idéias da liberdade, para que pessoas possam ler e se interessar, e encontrei duas grandes pessoas, que são Mateus Maciel e Roberto Baricelli, ambos articulistas daqui do IL. Meu primeiro texto no IL foi, para minha supresa, publicado pelo Rodrigo Constantino em seu blog, com quem hoje tenho algumas divergências mas me introduziu nas idéias da liberdade e por isso reconheço como quem contribuiu para que hoje, você estivesse lendo esse texto.

Não menos importante, segue uma crítica produtiva aos mais conservadores: Dificilmente uso palavras rebuscadas para não afastar as pessoas, e quando o faço, explico aquele conceito para que mais pessoas se sintam a vontade de se tornar liberal. O desafio é tornar o que parece difícil em uma coisa de fácil entendimento. Para isso, é necessário muito, muito, muito estudo e ter muita empatia.

Finalizando, “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, disse Antoine de Saint-Exupéry em “O pequeno príncipe”. Eu complementaria, se me permitem, com “aquilo que é cativado se torna eternamente responsável por multiplicar a sua mudança”. Eu me sinto totalmente responsável por ter explicado para você, aonde encontrei respostas objetivas para minhas demandas e agradeço por ter lido como me tornei um liberal.

*Empreendedor

Instituto Liberal

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O Instituto Liberal é uma instituição sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, produção e divulgação de idéias, teorias e conceitos que revelam as vantagens de uma sociedade organizada com base em uma ordem liberal.

3 comentários em “Como me tornei liberal

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    19/07/2014 em 12:29 am
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    Agora precisa estudar um pouco de português para não ficar tentando passar uma imagem de intelectual ao mesmo tempo em que comete repetidos assassinatos à língua-mãe.

    • Roberto Barricelli
      19/07/2014 em 6:11 pm
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      Alguém precisa aprender a oferecer argumentos que refutem o que o aturo escreveu, ao invés de atacar o autor por falta de capacidade argumentativa. Ad hominem é o atestado da impotência intelectual, que pelo visto, não é o autor que a possui.

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    18/07/2014 em 8:25 pm
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    Parabéns pelo teu texto, Heitor!
    Eu me identifiquei com diversos pontos, mas, diferentemente de ti, cheguei ao liberalismo através de Ayn Rand. Ao fechar uma compra em uma loja virtual, vi o anúncio de “A Revolta de Atlas” e decidi comprar o box. Foi-me uma leitura surpreendente. Embora eu não convenha integralmente com Rand, foi através de sua obra que não apenas encontrei a “liga” para certas convicções pessoais, como também obtive maior embasamento e a possibilidade de dispor um olhar mais crítico ao mundo à minha volta.
    Saudações,

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