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Como o Estado está destruindo sonhos, ou: reabram as escolas, reabram a economia

O recrudescimento do despotismo que se alastra pelo país e pelo mundo também é, assim como o vírus SARS-CoV-2, responsável por mortes e problemas de saúde diversos. Segundo artigo veiculado pelo jornal Correio Braziliense em setembro do ano passado, “Paralelamente aos problemas de saúde causados pelo novo coronavírus e pelas mortes diretamente ligadas à covid-19, a pandemia no Brasil cria outros entraves de saúde pública com os quais é preciso lidar”. Alexandrina Meleiro, doutora em psiquiatria, vice-presidente da Comissão de Saúde Mental do Médico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudo e Prevenção de Suicídio (ABEPS) chama a atenção, no referido artigo, para alguns fatos, dentre os quais listo alguns: pacientes oncológicos e com outras doenças consideradas graves tiveram seus tratamentos interrompidos; por medo de sair de casa (diante de todo o terrorismo), pessoas acometidas por doenças crônicas e que fazem uso contínuo de medicamentos deixaram de tomá-los já que, sob os ataques incessantes de terrorismo perpetrado pela grande mídia, optaram por não assumir o risco de se expor ao vírus de alta transmissibilidade e, para encerrar a minha diminuta lista, uma explosão de casos de depressão e ansiedade.

Tudo isso já tenho abordado, de forma até insistente, confesso, desde meados de 2020, quando o mundo perdeu o pouco da sanidade que lhe restava e passou a abraçar os ditames das instituições globalistas.

Meu objetivo neste texto, mais especificamente, é tratar sobre o mal que governadores e prefeitos (nossos ditadores eleitos pela festa da democracia) estão gerando à sociedade com o fechamento compulsório das escolas. Acredito que, a essa altura, não seja novidade nenhuma que, além de não conseguir imobilizar o vírus, tudo o que nossos estimados governantes conseguiram lograr com medidas de confinamento foi uma bancarrota generalizada de empresas e um aprofundamento das crises das quais prometeram nos tirar.

Para começar, uma vez mais, vejo-me forçado a fazer uso da velha expressão de Bastiat: o que se vê e o que não se vê. Toda interferência governamental gera duas consequências. A primeira, imediata, pode ser facilmente percebida por pessoas cuja capacidade de análise é demasiadamente limitada e estreita. A outra, por sua vez, só pode ser percebida no longo prazo e, justamente por isso, exige maior capacidade de perscrutação.

“Escolas fechadas são um instrumento contra aglomerações e, portanto, evitam a propagação do coronavírus”, dizem os defensores da prisão domiciliar em massa. Para o bem do debate, se concordarmos com a ideia de que escolas fechadas realmente terão um impacto positivo na redução de transmissão da doença e, como corolário, permitirão menor ocupação de leitos de UTI (o que sempre deixa políticos bem na foto com o discurso altruísta de que são muito preocupados com a vida) teremos, ao menos, que admitir que esse seria o efeito de curto prazo, imediato. Como diria Bastiat, o que se vê.

O que não se vê ou os efeitos de longo prazo (ou até mesmo outros de curto prazo, como já mencionado no início desse texto) dificilmente merecerão os esforços de análise dos nossos nobres defensores da prisão domiciliar em massa.

Aqui listo alguns dos principais efeitos não imediatos decorrentes da ingerência irresponsável e autoritária de nossos prefeitos e governadores em torno das escolas.

Como a retórica da desigualdade está sempre presente entre os abnegados defensores dos mais pobres, talvez seja esse o momento mais adequado para que apresentem fortes objeções ao fechamento compulsório das escolas. Segundo o UNICEF, as desigualdades econômicas tendem a se aprofundar quando crianças estão distantes das escolas. Afinal, nem todas as crianças, em especial as que estão vinculadas à rede pública de ensino, possuem acesso às tecnologias que permitem aprendizado remoto e grande parte delas mora em casas cujos pais não possuem a mínima condição de oferecer alguma assistência para um ensino à distância (não nos esqueçamos de que, em condições normais, as escolas públicas, controladas diretamente pelo governo, já são naturalmente campeãs em resultados vexatórios). Ademais, é necessário acrescentar a esse cenário o fato de que muitas crianças dependem da alimentação (não raro, a única a que tem acesso) que é ofertada na escola.

Ao começar minha argumentação apontando para a realidade das escolas públicas (cujo fim sempre defendi por acreditar que educação não é dever do Estado), tenho por objetivo evidenciar a incoerência dos professores esquerdistas que amam a humanidade, mas amam, muito mais, as férias eternas que os impostos da iniciativa privada lhes proporcionaram nesta pandemia. Isto, claro, a despeito das desgraças a que são submetidos seus pupilos.

Quanto às escolas privadas, em especial as de educação infantil cujas aulas remotas são uma impossibilidade prática, gostaria de resgatar aqui um artigo publicado no Estado de Minas, no dia 18 de agosto de 2020, cujo título é: “COVID-19 provoca evasão e quebradeira de escolas infantis em Minas”. Segundo o artigo, apenas no estado de Minas Gerais, Estado em que reside este escriba, escolas foram fechadas aos montes e professores e auxiliares demitidos. De acordo com o texto, “O cenário é considerado catastrófico, com instituições particulares de pequeno porte simplesmente encerrando as atividades, na capital e no interior. Em BH, escolas grandes e tradicionais optaram por fechar o ensino infantil ou turmas de maternal, para preservar a saúde financeira”.

Aqui cabem algumas perguntas.

Quais os efeitos, além de econômicos, toda essa ingerência irá gerar nos aspectos emocionais e no desenvolvimento cognitivo das crianças?

O que ocorrerá quando, na tentativa de voltar à normalidade, o Estado descobrir que a demanda por seus serviços educacionais aumentou de forma desproporcional à sua já parca condição de ofertar educação?

O que ocorrerá com os profissionais já demitidos que, agora, avolumam-se na fila do pão aguardando por uma política de Estado que faça mover a máquina de geração de empregos?

O que dizer dos investidores que viram todos os seus projetos desconstruídos pelo poder de um decreto de um burocrata?

O que dizer daquele aluno de pedagogia que ainda possui alguma esperança de alcançar o sucesso profissional e está ansioso por aplicar seus conhecimentos (falo dos que não foram deformados pelo método Paulo Freire, por favor) nas instituições de ensino que não mais existirão quando ele já houver concluído a faculdade?

Perguntas. Muitas perguntas e nenhuma resposta. Agora, caro leitor, sugiro, replique essas argumentações para qualquer segmento de atuação de uma empresa e você perceberá que o estrago causado pela tirania destravada pelo vírus é muito maior do que se pode imaginar.

Juliano Oliveira

Juliano Oliveira

É administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e mestre em engenharia de produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.