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Cheios de amor para dar – e vender

Está muito difícil de viver, ver, ler e ouvir políticos, comentaristas, intelectuais e “professores”, todos especialistas nesse país.
As falácias dos engenheiros sociais, aqueles da perfectibilidade humana e do paraíso na terra, do “você tem que ter sua autoestima na estratosfera… pode ser quem você quiser!”, essas eu conheço muito detalhadamente. Porém, o problemão é que o populismo e a falta de conteúdo e massa crítica atinge o outro lado do muro das visões de mundo. Parece um vírus que contamina a todos, indistintamente.

Embora no Brasil, em especial nos territórios de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, os portugueses tenham utilizado a estratégia de colônia de povoamento, em que o interesse não era somente explorar, mas habitar as terras conquistadas, protegendo-as de possíveis invasores, penso que a mentalidade centralizadora e estatista povoou objetivamente as terras verde-amarelas.

Cada vez mais, acho que esse modo de pensar estatista dos portugueses (com todo respeito aos meus amigos lusitanos) faz parte imanente do nosso DNA… fora do Estadaço não deve haver vida… A bondade do beautiful people – com o dinheiro dos outros -, dos justiceiros da moral superior, que querem porque querem melhorar a vida dos outros e as próprias pessoas, de forma completamente apartada da realidade, por meio de completa isenção de lógica, inverossímil, e o pior, com a burrice econômica de achar que a prática do ódio e do ressentimento aos fazedores de riqueza irá melhorar suas próprias vidas, é um dos maiores enganos em que só a mente de apedeutas complacentes pode acreditar. É bem verdade que alguns deles realmente não acreditam nisso, mas é que não dá pra abandonar a “tchurma” do pertencimento…

A falácia das boas intenções, de fiar-se que as ações são por natureza meritórias e corretas, simplesmente pelo coração puro e bondoso, repleto de boas intenções, se tem mostrado vigorosa em terras tupiniquins, agora notadamente em relação ao combate ao coronavírus.

Em função da carente educação e cultura dos brasileiros, esses nem sequer conseguem perceber as demoníacas consequências não intencionais de decisões de burocratas estatais cheios de amor pra dar. Nem adianta ponderar com aquela máxima do santo francês São Bernardo de Clairvaux: “De boas intenções o inferno está cheio”.
A ordem do dia no Brasil é ser caridoso; preocupe-se mais com o outro do que com você próprio, seu egoísta! (Risos!).

Pois é; sou adepto de uma espécie de egoísmo racional, em que pensando e preocupando-se primeiramente consigo mesmo, fazendo o que é melhor para si próprio, de maneira racional e lícita, consequentemente uma pessoa estará impactando positivamente na vida dos outros, gerando mais prosperidade à comunidade em que ela está inserida.

O grande Adam Smith já atentava para o nosso outro eu interno, o nosso espectador imparcial e nossa respectiva capacidade de simpatia com relação aos outros. A sua famosa “mão invisível” atua na direção de que, mesmo que não se tenha diretamente a intenção de promover o interesse público, quando um indivíduo foca em sua atividade especializada, factualmente ele estará promovendo o interesse de todos.

Na atual e farsante toada do bom-mocismo e de pseudomoralismos no Brasil, em uma série de temas sociais e econômicos, tomam-se decisões em que, genuinamente, o conhecimento, a experiência e as evidências pragmáticas apontam para uma única direção: o abissal equívoco, ou, mais especificamente, erros homéricos; mas pelo menos os “de bom coração” creem que erraram com base em suas retidões…

Estou começando a achar que tudo aquilo que acumulei pelo estudo e experiências não vale mais nada. De todos os espectros, só se têm visto falaciosos bondosos, atirando para tudo que é lado, e acreditando – alguns piamente – que as decisões de burocratas estatais – claro que parcela da população crê da mesma maneira – e suas políticas e iniciativas valem muito mais por suas intenções do que por aquilo que objetivamente importa: os resultados; as melhores consequências para o todo social de uma comunidade!

Esse país não é mesmo para amadores! As coisas são complexas por demais. Tire-me o tubo, por favor, correndo!

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.