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Carência de liberdades e individualismo radical

Apesar da China – veremos até quando! -, existe uma relação umbilical entre liberdades e desenvolvimento econômico e social. De acordo com Mises, o homem é livre quando ele próprio pode escolher os fins e os meios que serão usados para atingir tais fins, segundo seus objetivos e planos de vida.

Defendo a liberdade individual e o livre mercado. Factualmente, as pessoas são livres quando podem estabelecer relacionamentos cooperativos voluntários nos mercados e praticar suas trocas voluntárias. O Estado existe justamente para garantir as liberdades individuais e impedir qualquer tipo de agressão alheia.

Ao mesmo tempo, esse Estado deve ser limitado (apesar da tendência de seu inchaço); assim, é fundamental vigiar o vigia a fim de preservar tais liberdades. No Brasil atual, estamos ainda longe de praticar verdadeira economia de mercado, haja vista que temos uma série de regulamentos retrógrados, enormes restrições impostas pelo Estado, uma legislação tributária labiríntica, burocrática, com impostos em elevação aplicados de maneira equivocada, além dos tradicionais emblemas nacionais do patrimonialismo e do compadrio. Esses aspectos constituem-se em genuínas travas à liberdade econômica.

No que diz respeito à liberdade individual, paradoxalmente, o maior cerceador dessas liberdades é a própria Suprema Pequena Corte, que tem como função precípua justamente preservar tais direitos individuais. Desnecessário fazer aprofundamentos em relação aos acontecimentos presentes em relação às liberdades de expressão e de opinião (não vale criticar as esdrúxulas decisões dos semideuses togados!).

Nosso calcanhar de Aquiles é a escassez de livre mercado, ou seja, enquanto não houver uma redução do tamanho do Estado brasileiro e a implementação de reformas liberais modernizantes na economia, continuaremos a dar um passo para frente e três para trás.

Quanto à liberdade individual, apesar da pecha fascista, nazista, racista, homofóbica, que a trupe da mente e dos braços e pernas escarlates quer impor com sua narrativa, pragmaticamente não me parece que existam fatos inequívocos que a corroborem. Evidente que a gritaria ilusionista é abissal…

Pena que é exatamente por tais berros que vai ser difícil enveredar para a rota do desenvolvimento econômico e social. Parte dos brasileiros continua acreditando e desejando que as soluções para as suas próprias vidas cheguem de trenó com o Papai Noel. A cultura da dependência persiste arduamente. O gigantismo estatal tem como corolário a diminuição das liberdades individuais e econômicas.

Entretanto, a pedra – angular – no caminho é o desejo radical, racista e intransigente dos grupos identitários que embalam com intensidade a agenda da esquerda, que quer a qualquer custo derrubar o presidente eleito democraticamente. Democracia para esse grupo só vale quando eles vencem as eleições!

Qualquer pessoa que enxerga logicamente sabe que a opressão está expressa no próprio conceito de política identitária. A caraterística retórica da diferença – ressentida e desagregadora – vem desde a formação universitária dos jovens, que são submetidos a um processo doutrinário. Tais grupos identitários não desejam de fato mais “justiça social” e o bem comum. Querem mesmo mais divisão social, com mais subdivisões, em que cada uma delas se torna mais obcecada com seus umbigos e com a sua suposta superioridade ideológica.

Essa retórica melodramática da esquerda não deseja liberdade individual; encoraja verdadeiramente um individualismo radical que divide e emperra a coesão social. Pois é, esses guerreiros sociais identitários impõem seus desejos, refratários a qualquer tipo de concessões. Todas essas minorias estão somente interessadas nos seus próprios interesses!

Não, o único interesse – geral – inexistente é a luta pela cidadania, aquela que implica direitos e deveres com o todo social. Enfim, nesse Brasil falta economia de mercado e, tristemente, sobram exacerbações e ênfase nas diferenças grupais.

Desse modo, naturalmente, agitam-se no todo indignações justamente contra a intolerância identitária, gerando efeito propulsor de mais intolerâncias. Liberdades individuais, cidadania e coesão social, oh!!

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.