As eleições (provavelmente) não terminam em outubro

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Com forte envolvimento de boa parte dos brasileiros, em especial a respeito das candidaturas à presidência da República, as eleições de 2018 têm data formal para encerrar, se assim considerarmos o resultado oficial dos votos do primeiro e eventual segundo turnos. Mas, na prática, independentemente do resultado, o que esperar do cenário pós-eleição?

Não é preciso fazer grande esforço de futurologia para pensar sobre o logo mais; basta comparar dois elementos: legislação eleitoral versus nível de acirramento entre chapas de candidatos.

Há poucas semanas, Bolsonaro, hospitalizado, ainda durante a campanha, reviveu a narrativa usada pelo PSDB no final das eleições de 2014 de que é preciso garantir uma auditoria (não recontagem de votos) dos sistemas da urna eletrônica, colocando todo o processo eleitoral sob suspeita.

Por outro lado, a candidata Marina Silva protocolou uma ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral para que investigue se o candidato do PSL teria orquestrado um ataque virtual que derrubou a página “Mulheres contra Bolsonaro”.

Mas o provável acontecimento futuro mais grave parece ser uma repetição do que houve no último pleito presidencial, ou seja, que candidatos vencidos apresentem ações como a de investigação judicial eleitoral contra o(a) candidato(a) vencedor(a) – pretendendo questionar se houve abuso de poder durante a campanha. Seu uso é bem comum em eleições municipais contra prefeitos eleitos, mas historicamente são menos usadas em eleições presidenciais.

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Acontece que esse tipo de medida, às vezes empregada de maneira irresponsável como propaganda política – tal como disse depois Aécio Neves em áudio gravado por Joesley: era apenas para “encher o saco do PT” -, pode ter resultados imprevisíveis, como a quase cassação da chapa Dilma/Temer depois de mais de dois anos de protocolada.

A título de exemplo sobre o uso dessa medida jurídica, supondo uma vitória de Bolsonaro e absoluta irresignação dos demais concorrentes, impugnar a campanha vencedora seria um meio simples e barato de tentar impedir toda a chapa, incluindo o vice general Mourão, de assumir o governo ou de provocar para ambos a perda do cargo por decisão judicial – mais eficiente que tentar organizar um impeachment e ainda ter de lidar com o militar como chefe de governo.

Em um hipotético cenário inverso, diante de uma vitória petista, o mesmo instrumento legal poderia servir de reação política igualmente imediata por parte da oposição – em especial considerando que a campanha petista já vem se contradizendo a respeito de suas finanças, confundindo pagamentos que seriam para defesa de Lula com gastos de campanha de Haddad – entre outras inesgotáveis e verdadeiras notícias controvertidas daquela chapa.

O fato é que qualquer coisa pode acontecer, inclusive nada, com eventual arquivamento de uma ação desse tipo. Porém, independentemente de elementos eleitorais, judiciais ou emocionais, uma coisa devemos questionar a respeito do cargo de presidente: será que entramos na era do processo eleitoral (direto e indireto) ininterrupto e não percebemos? E ainda mais importante: o parlamento que estamos elegendo será de perfil responsável o suficiente para trazer estabilidade ou, ao contrário, irá preferir viver da desordem?

Sobre o autor: Manolo Salazar é advogado e diretor do Instituto Politik.

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