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Algumas verdades sociais e econômicas

A demagogia, o populismo, as “verdades” românticas, assim como os desejos utópicos, são mais velhos do que andar para frente.

No entanto, a novidade devastadora está na velocidade e na extensão da disseminação com que tais ervas daninhas têm destruído as normas e a coesão social e corrompido as verdades econômicas.

De fato, na medida em que tudo parece ser construído socialmente, derrubaram-se os pilares que sustentavam as arraigadas virtudes do desenvolvimento cultural, econômico e social sadio e sustentável.

As responsabilidades em nível micro, do indivíduo, e macro, no sentido de nação, como valor fundamental, desapareceram, e com isso a confiança entre as pessoas nas relações interpessoais e nos negócios foi para o espaço.

A estupidez e a soberba da era da pós-verdade autorizaram pessoas a viverem de acordo com suas “próprias regras”, e os países a adotarem políticas econômicas e sociais isolacionistas, introvertidas e danosas.

Ilusões e retóricas fáceis substituem os fatos e as evidências para explicar as frustrações, os fracassos e a prosperidade que nunca chega. Tudo isso abona a mentira e o autoengano, uma vez que os “culpados” são os outros indivíduos e/ou as outras nações, juízos do tipo “os yankees imperialistas”.

Romanescas falácias levam pessoas a verbalizar que seus insucessos devem-se à exploração dos “ricos” e a acreditar que a globalização é uma das grandes vilãs do desemprego e das desigualdades sociais.

Embora seja uma expressão da natureza humana, culpar os outros exime de atitude e de ação responsável aqueles que deveriam agir para a resolução dos seus respectivos problemas.

Em períodos de crise, a busca por eventuais explicações e seus causadores se agiganta.

Pandemia, guerra, recessão econômica e o fenômeno inflacionário faz crescer a fantasia de que o protecionismo seja a saída “mágica” a fim de criar empregos nacionais e conter o aumento generalizado de preços.

A alta da inflação é uma situação mundial, sem dúvida, porém, não parece haver dúvida de que o livre comércio é essencial para reduzir preços para os consumidores, já que aumenta a concorrência e, fundamentalmente, possibilita o acesso a produtos de melhor qualidade, mais inovadores, a preços mais baixos.

Os fatos e as robustas evidências corroboram que uma maior abertura econômica conduz a uma maior concorrência, que age sobre os preços, mantendo-os mais baixos, além de impulsionar as empresas a inovar constantemente para ficarem na vanguarda e alcançarem uma lucratividade superior.

A verdade é que o protecionismo beneficia os empresários do compadrio, avessos a competição, às custas dos consumidores; são esses grupos de interesse os maiores ganhadores da falácia protecionista.

Governos populistas culpam outros países por seus fracassos econômicos e enganam sua população por meio de políticas públicas protecionistas e “progressistas”.

É indispensável abrir a economia para possibilitar e potencializar as inovações e dar aos consumidores melhores produtos, mais baratos e, nesse momento, conter o viés protecionista a fim de auxiliar a manter os preços mais baixos.

No nível individual, tristemente, as pessoas têm sido motivadas a pensarem que seus problemas e o sucesso em suas vidas são de responsabilidade de outros. Não, não somos vítimas, somos os donos de nossas próprias trajetórias. A guerra da escassez de confiança social precisa ter fim e a mentira descarada necessita ser abatida.

Indivíduos e nações não são vítimas dos “outros”, e é cada vez mais preciso reverter tais falácias para que se possa reencontrar o caminho certo para o desenvolvimento econômico, social e cultural.

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.