Ainda existem Dilmistas?

Créditos: Veja Online
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A constituição da Bruzundanga era sábia no que tocava às condições para elegibilidade do mandachuva, isto é, o presidente.

Estabelecia que devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total.

— Lima Barreto, Os Bruzundangas.

A extinção já foi uma simples teoria. Nos séculos XVIII e XIX, não se sabia ao certo se certos tipos de espécies poderiam realmente desaparecer por completo. Até então, apenas na Teoria da Extinção havia premissas para que um desaparecimento total ocorresse, mas com o tempo e o avanço da ciência, a humanidade pôde, finalmente, comprovar que espécies de animais e plantas de fato têm a potência de sumir do mapa – muitas vezes com a ajuda de outras espécies invasoras, como o homem.

Talvez, no Brasil, o mesmo esteja ocorrendo. Quando será que ocorreu, de uma forma tão romântica e apaixonada, uma defesa e campanha em prol de uma candidata como nas eleições de 2014? Não que o Brasil não tenha um histórico “invejável” de defesas e apoios ridículos a candidatos, mas os títulos “Coração Valente” (Robert the Bruce e William Wallace reviraram-se nos túmulos. Com certeza ficaram com vontade de sair das sepulturas e invadir a Inglaterra novamente) e “Dilmãe” foram o auge do grotesco. Tanto amor, tantas esperanças para quem defendia a Dilma, que fica difícil não catalogar certos indivíduos como “Dilmistas”. “Nunca houve na História desse país”, quiçá da humanidade, uma aclamação tão grande por uma candidata; sujeitos como Getúlio Vargas e Octavianus Augustus não tiveram tanto apoio, dedicação e amor em suas empreitadas políticas[1].

O espécime Dilmistus Sapiens[2] é algo recente na história da politicagem naturalista. Nasceram, embora de maneira débil e frágil, no final do governo Lula, em 2010. A vantagem da espécie ocorreu por conta da fraca concorrência no ambiente em que vivia, a dos decadentes Tucanus Serralienses (este perdeu as asas no início do século XXI), além da interação harmônica com os vulgarmente chamados Lulistas, antigos (há quem diga que ainda são os dominantes de fato) dominantes da Bruzundanga[3]. Embora o ápice do tipo Dilmista tenha ocorrido há pouco tempo, desde que vencera a dura batalha contra o Tucanus Aetios (em que, apesar de não possuir asas completas, os penachos estão bem desenvolvidos) em 2014, sua quantidade se vê em um constante declínio.

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As populações dilmistas estão diminuindo. Censos demonstram que seus antigos integrantes estão passando pelo conhecido processo de evolução, e atacando seus antigos semelhantes. Mas onde estão os antigos donos do brado “Dilmãe”? Para onde foram? Onde (ou se ainda) se reproduzem? O que ocorreu com seu hábitat natural?

Mas, se lembrarmos da Teoria da Extinção, não seria absurdo pensar que, no atual andar da carruagem, tal espécime possa estar em grande eminência de ser extinta e execrada para sempre entre todas as espécies políticas. Como foi dito, invasores podem se mostrar mais aptos e tomar o território de outros animais, criando assim a temida concorrência e levando a vitória do melhor.

Até para o mundo natural, as Grandes Navegações foram decisivas; homens podiam, agora, explorar todas as massas de terra existentes. Nenhuma ilha ou continente escaparia da mão do homem, que adentraria e modificaria ambiente ao seu prazer. A humanidade, sendo uma espécie caçadora, iria procurar alimentos nas faunas distantes, o que ocasionava, às vezes, extinções – vide o Dodô. O mesmo acontece na Política Naturalista, ou na Politicagem Naturalista. Desta vez, transcendendo a politicagem, os caçadores fizeram os Dilmistas levarem o golpe fatal.

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O espécime, agora, não tem nenhuma condição para sobreviver. O desastre já era anunciando pela incapacidade cognitiva de seus membros, fora as claras deficiências de suas estruturas básicas. Dilmistas eram mancos e incompetentes para executar serviços que eram necessários para suas sobrevivências desde seu início, mas como Lulistas – um pouco mais hábeis por conta de seu parentesco com diablos rojos[4] e raposas vermelhas – e Tucanos eram, respectivamente, seus aliados e inimigos naturais, seu sucesso estava garantido no país dos bruzundangas, todavia, os predadores chegaram.

Caçadores do TCU, homens como aqueles que desbravavam matas virgens à procura de caça, praticamente mataram os dilmistas. Ávidos por uma caça que possibilitará a sobrevivência e a melhora do brasileiro (a evolução do bruzundanga), vieram com uma arma evoluída: a Justiça, e nada os dilmistas podem fazer a respeito contra tal arma. O máximo que podem fazer é tentar se desviar dos atacantes, dizendo que “não foi o PT que inventou a corrupção”, “investiguem os prefeitos”, “Dilma não é a única politica do país”, etc., mas tais desvios improvisados não são um ataque concreto e uma defesa de fato.

Não é de se estranhar, pelos fatos apresentados, que dilmistas têm se escondido nas redes sociais. São poucos, e mesmo entre a minoria que sobrou é raro ver a mesma defesa e amor que existiam há um ano. Parecem que se escondem em suas tocas por estarem envergonhados, arrependidos ou com medo de sofrerem chacotas por conta da realidade. Há, claro, aqueles mais inaptos, com uma alta carga de inépcia em suas mentes, continuando a usar termos como “Dilmãe”, porém seus nichos são pífios e seu futuro sombrio. Viraram a piada da vez. Até mesmo entre aqueles que conseguiam mais quantidade de alimentos ($$$) que outros, os dilmistas profissionais, se desvincularam da “Coração Valente” ou estão muito calados. Será que se arrependeram de fato ou apenas se calam porque a fonte de alimentos secou?

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Com isso a resposta para o título do texto foi respondida: claro que existem dilmistas, mas estão em extinção, apenas esperando o golpe de misericórdia. Agora… Existirão dilmistas? Com toda a certeza que não. A natureza não perdoa. Até mesmo os poderosos lulistas estão indo para o brejo, mas no caso destes, vai demorar mais um pouco.

[1] Vargas teve que exterminar os integralistas, perseguir e exilar inimigos políticos, censurar a imprensa e fechar o congresso para ser realmente efetivo; Augusto precisou perseguir os antigos apoiadores de Pompeu, vingar a morte de Cézar, controlar o Senado e minar as resistências existentes para criar o Império em Roma. Ninguém jamais teve tanto mel na sopa. Não existia um epíteto como “Getio Vargas” ou “Octavianus Auguspater”…

[2] Integrantes da espécie também podem ser conhecidos como Mandioca Sapiens, ou Estocadores de Vento.

[3] Nome científico que pode ser sinônimo, em geral, do termo “brasileiro” ou da palavra “brasilidade”, apenas quando se quer enfatizar a precária mentalidade política do brasileiro médio.

[4] É uma espécie de lula que ataca homens, tendo o carinhoso apelido, no México, de “Diablos Rojos”, ou seja: Diabos Vermelhos https://en.wikipedia.org/wiki/Humboldt_squid

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Hiago Rebello

Hiago Rebello

Graduando em História, Licenciatura, pela Universidade Federal Fluminense, colunista do Instituto Liberal.

2 comentários em “Ainda existem Dilmistas?

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    10/10/2015 em 10:20 am
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    Excelente! E ainda mais Mr faxina pelo autor ser firmado em História, essa tão importante ciência, que tem sido tomada por socialistas. Parabéns.

    • Avatar
      10/10/2015 em 10:03 pm
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      Agradeço, meu caro!

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