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A tragédia do pensamento coletivista

O ano de 2020 marca o início de um novo tempo, desastroso, do foco na irrealidade e no acessório. Desgosto dos gurus das novas tendências e da enfadonha retórica sobre o novo normal de uma era pandêmica e de pós-vírus.

Genuinamente vivemos, e viveremos, pragmaticamente um novo ANORMAL, recheado de juras de preocupação com o outro, de altruísmo, de filantropia, mas de verdadeira ode ao coletivismo, prejudicial ao progresso e ao desenvolvimento de todos. 2020 foi o início sem igual do protagonismo do coletivo acima do individual, do valor supremo do indivíduo, e que fez a humanidade avançar e prosperar em todas as esferas da vida humana.

A pandemia exacerbou a suprema “preocupação” estatal com a “saúde” do coletivo. Uma série de medidas “bem-intencionadas” foram implementadas sob a justificação de que “é para o seu bem”. Não saia de casa, não procure contato com o ar puro e com a necessária vitamina D; mantenha-se afastado de outras pessoas para não ser contaminado nem contaminar.

É pertinente reforçar que o vírus é real e seu poder de contaminação elevado. Não se trata de negacionismo. Entretanto, uma coisa é o respeito e o seguimento dos protocolos de saúde e segurança estabelecidos. Outra, bem distinta, é a imposição estatal do fechamento da economia, supostamente para proteger a saúde física da população (esqueceu-se da saúde econômica e social).

A ordem é ser humano e pensar no coletivo. Portanto, o indivíduo foi privado de trabalhar e garantir o seu sustento e de sua família, teve seu acesso bloqueado a parques ao ar livre, foi proibido de praticar esportes e, inclusive, chegou-se ao cúmulo de sofrer ameaças de prisão por trabalhar e de invasão policial à sua propriedade caso estivesse com “estranhos”. Fique em casa rezando, porém, é proibido frequentar sua igreja, sinagoga…

O mantra: não se preocupe consigo mesmo, pense na humanidade do coletivo e do seu bem. Um ano em que emergiu como nunca antes a consciência coletiva contra o racismo estrutural. Aqui e acolá, ecoou o “vidas negras importam”. A narrativa identitária intolerante, que parte da premissa equivocada de que os seres humanos são definidos por sua fisionomia, pela sua cor, foi comprada e endossada por líderes sociais, empresariais, políticos e parte da “bondosa” população.

Nem o terrível vírus foi capaz de impedir manifestações e aglomerações provocadas por gente que foi às ruas afirmar que vidas negras importam. Inacreditavelmente, o establishment se converteu à Bíblia grupal da danosa e iníqua preocupação com grupos minoritários, em detrimento da saudável lógica de que todas as vidas humanas importam. Nunca a grande mídia operou tão eficientemente na direção de doutrinar sobre tal falácia destruidora.

Mais do que isso, todos eles se voltaram contra – consciente e inconscientemente – a virtuosa preocupação com o ser individual – concreto -, ao invés do abstrato coletivo de um determinado grupo específico. Ironicamente, quanto mais diferenças identitárias são enfatizadas e são pleiteados direitos grupais, menor é a probabilidade de que os outros se sintam indignados com as injustiças que sofrem tais grupos.

Foi o ano do ápice do coro em favor do coletivismo econômico, da nobre ajuda aos descamisados, justa, porém acompanhada do ódio e do rancor ao espírito empreendedor, do verdadeiro estímulo à liberdade e ao talento humano individual para empreender e estabelecer relacionamentos colaborativos e voluntários com outras pessoas no mercado.

De forma inatacável, foi o ano glorioso do massivo ataque ao capitalismo, o comprovado sistema econômico capaz de gerar a riqueza que, compulsoriamente, precisa ser criada, a fim de que seja possível distribuí-la de maneira racional e inteligente. Terá sido o início do fim?

De forma grotesca, assistimos impotentes ao abandono das ideias de progresso comprovado, aquelas lógicas que nunca poderiam ser descartadas e que deveriam nortear os incentivos, ou seja, a essência da liberdade individual, da autonomia pessoal, da razão, do conhecimento e da ciência e, acima de tudo, do protagonismo do indivíduo frente ao coletivo!

Sem tais ideias e ideais liberais, da liberdade individual da ação humana com suas respectivas responsabilidades, não creio que nosso futuro seja promissor. O foco no coletivo sem rosto é e tem sido perigoso e improdutivo. Ninguém enxerga o que não se vê! Parece mesmo que estamos caminhando para o abismo – abismo este de uma universidade que não educa, mas doutrina, e discrimina pela diversidade, de uma empresa que desfoca da maximização dos lucros, em prol da mesma diversidade, exclusivamente calcada na cor e no gênero, e na ovação do capitalismo das partes interessadas, de uma política que se centra nas “facilidades” para o coletivo e seus (des)incentivos perversos, e de uma mídia que não noticia os fatos, mas faz apologia ao genuíno racha social.

Bem, o foco no grupal, ironicamente, faz com que os vários e distintos grupos minoritários exijam e passem factualmente a serem tratados de forma diferente, destruindo os valores igualitários necessários a uma real cidadania. Enfim, 2020 foi o ano em que não se perdeu um minuto para perder de vista a base do sucesso da civilização ocidental: O VALOR DO INDIVÍDUO! O novo ano ainda pode ser pior: o pensamento e as ações coletivistas irão nos engolir.

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.