A questão do aborto e a responsabilidade individual

A questão do aborto virá à discussão mais breve que podemos imaginar. Enquanto Donald Trump corta o financiamento público da Planned Parenthood (marca de clínicas de abortos dos EUA), a Argentina aprova a descriminalização dessa agressão contra indivíduos ainda em gestação.

A questão, no entanto, tem ganhado vulto nas redes sociais no Brasil. Há quem diga que quem não tem útero, não pode opinar. Sendo assim, homens também não poderiam opinar sobre qualquer situação inerente às mulheres. Ignoram que um bebê só pode ser feito com a participação de 2 pessoas, uma delas homem, a outra mulher.

A legislação brasileira só permite o aborto em situação de estupro, risco de morte ou doença que inviabiliza a vida prolongada após o nascimento. O estupro, claramente uma situação de não consentimento de uma das partes (no caso, a mulher), é uma situação compreensível de aborto. Longe de aceitável, mas ainda assim, compreensível. Já o que vem sendo trazido pelos apoiadores do aborto em qualquer situação é um flagrante distanciamento da responsabilização.

Leia também:  9 exemplos de como é bom ser próximo a Lula

Todos sabemos que métodos anticonceptivos são passíveis de falha e que o sexo pode produzir uma criança, por vezes em hora inoportuna. Dar salvo conduto à morte do resultado das ações das pessoas, mesmo que por falha de métodos de proteção, seria dar a um terceiro a responsabilidade pelas suas ações. Foi você quem escolheu transar, é você quem arcará com sua escolha.

Veja, porém, que a legislação pende para um lado nessa discussão. Digamos que fosse autorizado às mulheres o aborto até o sexto mês de gravidez. Seria também concedido ao pai o direito de escolher se vai ou não pagar pensão alimentícia até o sexto mês após o conhecimento de que é pai? E mais: seria facultado ao pai escolher se quer dar prosseguimento à vida do seu filho para cria-lo caso a mãe não queira? Creio que você já tenha impressão de que apesar da decisão de ter um filho tenha sido tomada pelos dois, eles não tem o mesmo peso na decisão final nesse caso.

Leia também:  Escassez de comida e o embargo americano em Cuba: uma verdade para difundir uma velha mentira

Sendo assim, fico do lado do consentimento e da responsabilidade individual. Pois no final das contas, a única coisa que querem os pró aborto é mais uma vez se eximir de suas escolhas.

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal no Patreon!