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A propalação coletivizante, o livre mercado e Piketty

É perturbador como a difusão de ideias coletivizantes e os seus inerentes romantismo e “intelectualidade” se transformaram em um hábito, uma coisa automática e natural. Ainda mais perturbador é o fato de que a tentativa – antiga como andar para frente – de implodir os fundamentos da economia de mercado venha de uma corrente de economistas, claramente muitos desses marxistas de carteirinha.

Entre em qualquer livraria e tente captar e compreender as “des astuces”. Kinder ovo! Sim, economia não é uma ciência exata, porém, os pressupostos básicos, a técnica, as políticas que geram crescimento e prosperidade, e por sua vez aquelas que não as criam, não poderiam ser corrompidos pela ideologia e pelas bandeiras partidárias.

A “verdade econômica”, penso eu, existe em razão das circunstâncias ou até o surgimento de novos fatos e evidências, ou seja, ela sempre deve estar à prova. Por exemplo, a ficção do paraíso na Terra, o marxismo, embora teórica, pragmática e comprovadamente equivocada – em que lugar tais conceitos funcionaram bem? – persiste em iludir economistas e incautos. Thomas Piketty, o famoso economista francês, seduziu muita gente com o seu livro enviesado e recheado de erros conceituais e estatísticos, O Capital no século XXI.

Não sou economista, estudo economia, mas a economia de mercado pressupõe uma série de dispositivos técnicos capazes de gerar maior atividade econômica, empregos, renda e prosperidade. Nela há cooperação voluntária, a livre coordenação entre as pessoas, na busca do atendimento às necessidades dos consumidores, e em que o sinalizador do sucesso empresarial é o lucro.

Sua tatuagem é a destruição criativa, do economista Joseph Schumpeter, que afirma a dinâmica desse sistema de mercado, não sendo estática, uma vez que surgem novos empreendedores que geram novos produtos ou novas formas de produzir, que transformam os mais diversos setores, causando mudanças na economia. Pelas inovações que acontecem, há tanto criação como destruição de setores, já que alguns se tornam obsoletos.

Importante destacar que, pari passu com esse sistema de mercado, é fundamental que coexistam determinados valores centrais (relacionados com a criação de riqueza, não aos vícios da pobreza), tais como a responsabilidade individual, a ambição pelo sucesso individual e o desejo de assumir riscos. Até os chineses enxergaram e executam. Piketty anseia por um governo grande e potente, que redistribua a riqueza gerada, tirando dos ricos para dar para os pobres.

Três problemas abissais aqui: alta tributação, inibindo a atividade econômica, ricos ficaram ricos pela adição de valor, promovendo o bem-estar da sociedade, além do que a riqueza não é estática e, distintamente da ótica de Piketty, quanto maior o governo fica, maiores são o lobby, a manipulação e o “capitalismo de compadrio”. Nefastos.

O mantra de Piketty – e de uma legião de seguidores e iletrados em economia – é a desigualdade. Não, não adianta pontuar, mais uma vez, que o real problema não é a “sedutora e bondosa” desigualdade: é a pobreza.

Evidente que sua preocupação com a desigualdade é passível de gratidão, mas a pobreza extrema diminuiu sensivelmente no mundo, e o padrão de consumo dos indivíduos melhorou e se aproximou em nível de produtos e serviços, graças à maior liberdade econômica nos mercados; são os fatos.

Ah, os franceses! Parece que o economista Piketty não está realmente tão preocupado com os pobres, ele está mesmo obcecado pelos ricos, demonstrando seus sentimentos de inveja e de rancor na sua apoteótica ênfase aos vícios da pobreza. “Vive la révolution!”.

Na minha pacata vida, confesso que conheço vários Pikettys comuns como eu. Eles são generosos, dotados de pensamento mágico, e acreditam no maná. Eles querem um governo grande e possante, enfatizam seus direitos e creem que o Estado é quem gera riqueza. Seus deveres? Nem tanto. Desconhecem, profundamente, que são as pessoas e as empresas as criadoras de soluções e de riqueza, e que estas são intensamente afetadas pelas políticas estatais de “bem-estar social”.

Piketty, como seu ídolo Marx, embora economista, é mais um espécime de engenheiro social. Como tantos outros, quer a impossível igualdade de resultados, e vive no imaginário mundo celestial na Terra. Como mais um intelectual, prepotente, tendo em vista crer ter uma visão privilegiada e superior da realidade, como muito nos mostram os trabalhos de Thomas Sowell, esse especialista quer impor como os outros devem viver e se comportar em uma realidade utópica.

Essa visão de mundo coletivizante e da impossível igualdade de resultados, vaticinada por intelectuais que creem ser iluminados e superiores, e que enfatizam o descrédito do espírito capitalista e dos mecanismos da economia de mercado, irá nos levar para que tipo de civilização? Telle est la question!

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.