A importância do lucro e da liberdade nunca esteve tão evidente

Lucro é o capital que excede os gastos. Uma empresa lucra apenas quando paga os salários dos funcionários, os fornecedores, os insumos e os impostos. O assalariado ou o autônomo só lucra quando, ao final de determinado período, verifica que sobrou algum dinheiro depois de ter pago seus custos de vida e de trabalho.

O lucro é diretamente relacionado aos preços cobrados no mercado e estes são resultado da sensível relação entre custos de produção/prestação de serviço, riscos particulares de cada negócio e quanto os consumidores estão dispostos a pagar – baseando-se na Lei da Oferta e da Procura.

A destinação dos lucros é uma decisão particular. O lucro pode ser utilizado para comprar livros ou para bancar farras, para trocar de carro ou para pagar uma viagem, para trocar de apartamento ou investir na empresa ou no mercado financeiro.

Um dos grandes males do último século foi a consolidação da ideia de que o estado deve ajudar os mais pobres e socorrer a sociedade em situações de crise. Isso retirou a responsabilidade individual das pessoas sobre suas próprias vidas e negócios. Destruiu também a responsabilidade social, embutindo na sociedade a crença de que o estado é uma instituição de caridade. Uma falácia absurda, porque o estado arrecada impostos para custear prioritariamente seus próprios gastos e mordomias. O estado não lucra, porque não produz nada. O dinheiro que o estado gasta com programas sociais e serviços públicos é a ninharia que sobra do que ele rouba dos cidadãos.

O efeito prático disso pode ser muito bem visto hoje, nesta crise sem precedentes em nossa história. Dezenas de milhões de pessoas estão desesperadas porque não têm dinheiro guardado para custear um período sem renda. Incontáveis pequenos negócios não têm como pagar funcionários e fornecedores. Manicures, barbeiros, pedreiros, faxineiras, garçons, vendedores disso e daquilo nas lojas, nas ruas e praias. Estima-se que existam 38 milhões de autônomos no país. A grande maioria dessas pessoas não têm fundos de reserva, encontram-se neste momento totalmente dependentes do estado que, como sabemos, não atende à sociedade de forma justa e eficiente nem em situações de normalidade.

Publiquei aqui mesmo no Instituto Liberal faz pouco tempo um artigo em que relato o esforço de uma padaria para se manter aberta. Para lucrar, seus proprietários precisam primeiro pagar cerca de R$ 150 mil em compromissos fixos por mês. Quando tudo vai bem, conseguem R$ 30 mil de lucro para ser dividido entre três pessoas. Como um negócio desse conseguiria lucrar o suficiente para bancar duas semanas com queda de 80% nas vendas? Não consegue. Terá que demitir umas pessoas para garantir o salário de outras.

Esse exemplo reflete a situação de centenas de milhares de outros negócios no país; e tal situação só aconteceu porque o estado lhes privou da liberdade de trabalhar.

A liberdade!

Ninguém está preso em gulags comunistas, nem em campos de concentração nazistas. Centenas de milhões de brasileiros estão em suas próprias casas, junto de suas famílias, a maioria com certos confortos e meios de entretenimento. Ainda assim, o sentimento é de que estão presos. O simples fato de não poderem dar uma voltinha na praia, na praça, no shopping ou visitar um familiar já está transtornando psicologicamente as pessoas.

A justificativa para essa privação é a prevenção contra um vírus. No entanto, muito antes dessa quarentena, o estado já vinha restringindo nossa liberdade. Quanto mais impostos pagamos, menos lucramos; e quanto menos lucros, menos liberdade temos para escolher nossos caminhos, nossas profissões, nossos estilos de vida, o que comer, onde morar e o destino de nossos lucros – investir, gastar ou ajudar os necessitados. Graças a décadas de campanha socialista, o acúmulo de capital foi transformado em pecado. O termo “capitalista” tornou-se um insulto. Pagar em dia os impostos ao grande leviatã tornou-se uma virtude cívica.

A riqueza é o acúmulo de lucros. O estilo de vida dos mais ricos alimenta uma imensa cascata de distribuição de renda, diversificando a produção, criando diferentes faixas salariais e de consumo que enriquecem o mercado e estimulam o esforço individual, beneficiando toda a sociedade. Porém, isso é dificultado o tempo inteiro no Brasil.

Neste momento em que precisamos de mais pessoas gastando seus lucros, a esquerda liderada pelo PT reiniciou sua velha campanha pela sobretaxação dos mais ricos, que nada mais é que uma campanha para que eles troquem o Brasil por outros países.

Essa crise deveria servir para as pessoas entenderem plena e definitivamente que lucro e liberdade estão correlacionados. Não há liberdade individual sem liberdade para lucrar. Não há perspectiva de desenvolvimento pessoal e social numa sociedade em que o lucro seja criminalizado e a liberdade seja relativizada. Sem lucro, as pessoas se tornam dependentes do estado, perdem a liberdade sobre suas próprias vidas. Quanto mais impostos pagamos, menos liberdade usufruímos.

Os bilhões de reais que o governo está prometendo gastar para “salvar a economia” e “atender os desamparados” não podem ser, mais uma vez, o suborno do povo com seu próprio dinheiro – como profetizou Alexis de Tocqueville. Temos que exigir que esse dinheiro seja gasto como um reembolso, uma parcela do que o estado já nos roubou; e que, a partir desse momento, que a prioridade desse governo seja nos livrar dos impostos, para que cada pessoa e empresa tenha a liberdade de se organizar financeiramente a fim de poder se manter em períodos de crise, sem ter que mendigar ajuda do governo.

João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É militante liberal/conservador com consciência libertária.