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A imbecilização da cultura

Não há como não se revoltar. Inexiste qualquer possibilidade, por mínima que seja, de não se tornar um aguerrido soldado contra a destruição dos valores civilizacionais judaico-cristãos e da genuína sabedoria acumulada da humanidade. Valores, inteligência e esforço contínuo conduziram a humanidade para a trilha do desenvolvimento econômico, social e cultural. Inegável.

Evidente que este progresso é resultado de mentes brilhantes e de homens – e mulheres – corajosos que colocaram a ação humana para trabalhar em prol do bem comum. Em toda a história civilizacional, sempre imperaram opiniões divergentes, conflitos e dissidências; porém, afora o obscurantismo de períodos ditatoriais e de regimes totalitários, nas democracias liberais, nunca houve, como agora, a orquestração nefasta, burra e contraproducente da tentativa de destruir, de calar e de obstruir a cultura – portanto, a vida – real e inteligente, por parte de semianalfabetos e “progressistas” intolerantes e inexperientes, disfarçados sob o véu da justiça social.

Há em partes importantes do mundo, como nos EUA e em alguns países europeus, um movimento de intelectuais e de professores desafiando cânones tradicionais na literatura, nas artes, na música, enfim, tendo como objetivo “tornar o mundo um espaço mais inclusivo, representativo e equitativo”. Como não poderia deixar de ser, os tupiniquins interessados o mimetizaram por aqui.

Quanta burrice e ideologia fanática! A história não se apaga, ela serve de exemplo daquilo que foi positivo e produtivo, e daquilo que foi equivocado e que produziu efeitos que devem ser eliminados e aperfeiçoados. Não dá para mudar o mundo!

Absolutamente tudo na cabeça desses puritanos da moral superior, representa uma visão distorcida do inconsciente freudiano, que ocasionalmente envia à superfície suas bolhas – sonhos simbólicos, lapsos de língua, estranhos maneirismos – que podem ser decodificadas, para revelar nossas intenções racistas, misóginas, homofóbicas, entre outras.

Assim, para esses justiceiros sociais – moralmente puros -, não só aqueles que se encontram numa situação de poder, mas todos somos impuros, e, portanto, em algum momento manifestaremos nosso comportamento pecaminoso. Escassez de estudo, inteligência, equilíbrio e experiências.

Primeiro, porque muito mais verdadeiro é que o nosso ser consciente de nossas intenções e ações no dia a dia, trivialmente, sobrepõe-se ao inconsciente. Segundo, porque aquilo que separa a mim e outros desses meninos e meninas e de outros adultos infantilizados é a virtude do equilíbrio e do autocontrole – como doutrinava Aristóteles -, no sentido de se saber ponderar e de não deixar que os nossos instintos e emoções monopolizem nossas decisões.

Que verdadeira tragédia que estamos presenciando! Eles querem refazer hinos, pois enxergam fantasmas de racismo por suas inépcias; eles querem varrer das escolas Jorge Amado e tantos outros; eles querem cancelar o gênio de Shakespeare, e de uma série de outros prodígios que nos estimularam a pensar e a aprender, sempre sob o pretexto do protagonismo da supremacia branca, excludente de outras vozes, e do apogeu da violência, do racismo e da misoginia.

Tudo, absolutamente tudo, para essa turma, simboliza a vida de pessoas marginalizadas e a opressão. Essa loucura analfabeta desses muitos meninos e meninas que ainda não tiraram as fraldas logra ser pior; esta tragédia é avalizada pelas autoridades estatais. Sim, eu sei, claro que essas autoridades são despreparadas e populistas. Essas tribos primitivas não conseguem separar o joio do trigo, o pensamento está sempre fixo na opressão.

Essa gente não alcança compreender que o mundo nasceu mundo baseado em hierarquias e que, por alguma razão – e existem vários autores que explicam esta circunstância, p.e., Jared Diamond, Joseph Henrich – com europeus, homens brancos, cisgêneros, liderados pela classe alta.

Não podemos compactuar com imbecis que querem jogar na lata do lixo a verdadeira cultura, uma vez que veem resquícios de preconceitos por todos os lados, por vezes, pela simples fisionomia dos autores envolvidos. O que salta aos olhos são a mediocridade e os sentimentos de ódio e de vingança desses relativistas culturais, que também desejam equiparar toda a cultura da periferia (e claro que há coisas boas), a cultura universalmente considerada como de qualidade objetiva.

Esta brincadeira séria acabará tornando o progresso social genuíno menos provável. Estamos cada vez mais criando diferenças no seio da sociedade, mais rixas promotoras de atritos, mais desconfianças e mais paranoias em relação ao outro, além de mais culpas, o que sem dúvida obstaculiza a compreensão mútua de nossas semelhanças e o respectivo convívio harmônico, baseado em cidadania.

Sim, somos seres complexos e imperfeitos, que nos distinguimos pela nossa capacidade cognitiva e pela racionalidade, pelo nosso caráter e por nossas ações efetivas. Fantasmas, bruxas malvadas, ogros existem, mas nós os controlamos… Parafraseando Churchill, a tarefa de construir pode ser lenta e difícil, uma tarefa de anos, enquanto destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia.

Essa é a destruição que vem sendo construída e promovida há décadas em nossa cultura e que se acelerou e tornou-se ostensiva em tempos recentes. Necessitamos combatê-la!

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.