A falácia do estereótipo capitalista

por LUCAS MARTUCCI*

Créditos: Sociedade Brasileira de Coaching

Créditos: Sociedade Brasileira de Coaching

O capitalismo é rotulado – quase que exclusivamente pela esquerda – como o grande vilão da humanidade; causador da pobreza, da desigualdade, da injustiça social. À frente de todas essas ditas ‘mazelas capitalistas’, está a figura do empresário. Símbolo máximo do sistema, este ser maquiavélico tão somente visa seus próprios interesses, sem se importar com o próximo. Retratado como o bad guy tanto em Hollywood como nas famosas novelas de horário nobre, o empresário ganhou o estereótipo do engravatado ganancioso, capaz de tudo em benefício próprio.

De certa forma, é incontestável que todos os sistemas econômicos refletem o comportamento naturalmente egocêntrico dos seres humanos. Mas só no capitalismo temos um grupo de pessoas, conhecidas como os empresários, que não têm outra escolha a não ser cooperar entre si e se preocupar com as necessidades, desejos e opiniões dos outros. Sim, dos outros! Estes outros são os clientes.

Poucos de nós prestamos atenção ao comportamento desses empresários, os líderes criativos de empresas capitalistas. Todos eles possuem uma premissa básica a qual se dedicam em atingir: o sucesso e prosperidade de seu negócio. Analisando essa premissa básica, notamos que os empresários, por própria natureza, devem fugir da ganância. Vejamos:

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Em primeiro lugar, a preocupação em atender a todas as necessidades dos outros (os clientes, no caso) e desenvolver relações sadias e duradouras com eles é exatamente o oposto da ganância, ou do egoísmo.

Em segundo lugar, a ganância, em termos econômicos, normalmente é expressa como o consumo imediato de bens e serviços. Seria algo como ‘pegar o que eu puder sem me preocupar com os outros’. Mas ao invés de gastar, os empresários devem priorizar a poupança, que pode ser vista como a renúncia do consumo para fins de investimento, e assim alcançar metas de longo prazo. Por isso, muitas vezes leva-se meses ou anos para trazer um novo produto ou serviço ao mercado (e note que eu nem citei o esforço do Estado em sufocar o empresário e empreendedor, seja pela burocracia, carga tributária, regulamentações, e etc.)

Além disso, os empresários devem colaborar entre si, elaborar estratégias conjuntas, construir equipes para alcançar seus objetivos. Na concepção de sempre aprimorar seus produtos e serviços, desenvolver relações comerciais excelentes, eles devem – mais uma vez – não se concentrar em suas próprias necessidades, mas mirar nas necessidades dos outros. E isto, também, é o oposto de cobiça e egoísmo.

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Desse ponto de vista, notamos que os empreendedores, quando procuram o lucro, realizam muito além do que a satisfação de interesses próprios. O lucro é uma medida de quão bem uma empresa tem servido a terceiros que, em reconhecimento, pagam por aquele produto ou serviço. Sob a ótica do capitalismo, um negócio prospera somente se os clientes (‘os outros’) voluntariamente participarem da troca.

E só oferecendo seu melhor produto / serviço aos outros que um negócio pode crescer e prosperar, abrir novos escritórios ou franquias, negociar suas ações na bolsa, tornar-se multinacional, por aí em diante. Essa é a razão pela qual o livre-mercado e a livre-concorrência proporcionam tantos benefícios diretos à sociedade. É através deles que as empresas são forçadas a evoluir e superar seus concorrentes, aperfeiçoar sua cadeia de produção, desenvolver novas parcerias, novos fornecedores, investir em tecnologia, modernizar os setores, contratar pessoas.

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Portanto, a ganância do capitalista não passa de uma falácia. Se o empresário persegue seus próprios interesses em primeiro lugar, deixando os dos seus clientes em segundo plano, o seu negócio irá falir. E mais cedo ou mais tarde, um empresário altruísta irá ultrapassá-lo.

Todo aquele que começa um negócio, seja ele o dono de uma birosca ou o Steve Jobs desenvolvendo o Apple I, pensou “será que as pessoas irão querer o meu produto?”.

O altruísmo é o que permitiu ao capitalismo evoluir e nos guiar até os dias atuais, e é por isso que continua a ser um dos pilares de esperança da civilização.

*Lucas Martucci é coordenador do Movimento Brasil Livre-RJ, diretor de Planejamento na agência digital Highlight, graduando em Recursos Humanos/Gestão de Pessoas.

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