10 argumentos comprovam que “político é tudo farinha do mesmo saco”

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Sarney era muito parecido com Collor, que lembrava bastante Itamar Franco, que se assemelhava muito com Fernando Henrique, que não diferia muito de Lula, que era a versão de calças de Dilma, que não difere muito de Temer. Se você acha que político é tudo igual, e que só muda o endereço e a conta corrente para depósito de propina, possivelmente tenha razão; provavelmente as diferenças entre eles sejam pontuais, e seus modus operandi sejam os mesmos; e é justamente por esta razão que você deveria sustentar o entendimento que, cada vez mais, eles precisam ter menos poder econômico e decisório em suas mãos.

Mas quando isso vai acontecer? Não antes do momento em que você entender os meios pelos quais eles obtêm tais poderes, e passe, então, a demandar que a administração pública seja enxugada. Enquanto você seguir achando que o carrapato pode te ser útil grudado em sua pele, ele seguirá te vampirizando. Pior: se você o convidar para entrar e achar que não vive sem sua companhia sanguessuga, como se o Max achasse que lhe convém ficar pendurado na frente do carro daquele jeito, com um warlord drenando seu sangue, nada vai mudar. Só vai piorar, na verdade.

“Político só pensa em se dar bem” – mas ainda assim eu aceito que sejam criadas mais secretarias, ministérios e empresas públicas das mais diversas naturezas (desde que seja “em nome do social”), permitindo que mais e mais contratos sejam superfaturados. Privatizar? Isso é coisa de coxinha – pelo menos minha professora do ensino médio “ensinou”. Se eu quero mandar uma correspondência, somente o Estado pode fazer este serviço para mim – quem mais seria capaz de realizar tal proeza, certo?

“Político é tudo ladrão” – mas ainda assim eu aceito que eles “regularizem” o Uber, intervindo em uma atividade econômica desnecessariamente e protegendo a máfia dos táxis (e impedindo, assim, que pessoas simples provenham o sustento de suas famílias dirigindo para outras, e que pessoas humildes usem transporte individual a preços razoáveis);

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“Político é tudo um bando de incapazes” – mas ainda assim eu aceito que eles decidam, como se uma casta de ungidos pela sabedoria fossem, a que níveis devem estar os juros no Brasil, para onde devem ser canalizados os recursos de nossa economia (e pense em um cano cheio de furos e desvios nas conexões), quanto deve custar o dólar (ainda que ele jogue muito dinheiro fora apenas para “quebrar o galho” de empresários amigões exportadores), quais gastos públicos devem ser priorizados, que investimentos devem ser feitos com quase metade do valor que produzi durante o ano e “contribuí” (sob a constante ameaça do monopólio da força coercitiva estatal) para a coletividade. Enfim, eu acredito que a democracia 100% indireta é a melhor das formas de atingirmos o progresso e prosperidade;

“Político só quer saber de se reeleger” – mas ainda assim eu aceito que existam agências como ANAC, ANATEL e ANS, as quais existem tão somente para criar barreiras para entrada de novos investidores na aviação, nas telecomunicações e na saúde privada, e ainda acuso o “capitalismo” (travestido de corporativismo) por tais cartéis existirem;

“Político é tudo da mesma laia” – mas ainda assim eu sou favorável a que o BNDES “fomente o desenvolvimento” do país escolhendo empresários “a dedo” pare receberem empréstimos subsidiados com dinheiro de impostos. As empresas de Eike Batista, por exemplo, foram agraciadas com tanto juro abaixo do praticado no mercado tão somente visando a bonança dos brasileiros. E quase deu certo, não foi?

“Político não tem um que se salva” – mas ainda assim eu entendo que pagar tributos é necessário, pois, afinal, de que outra forma o governo vai prover o “bem-estar social” de nossa população, não é? Muito justo pagar até 90% de taxas em determinados produtos. Afinal, é necessário “proteger” os empresários nacionais, ainda que eles não consigam oferecer-me, eventualmente (ou o tempo todo) produtos com a mesma qualidade e/ou com o mesmo preço de competidores estrangeiros. Tudo para salvar empregos de brasileiros – ainda que o custo final de um bem importado torne-se impeditivo para meu consumo, e que o similar nacional seja uma porcaria ultra cara, que vai esvaziar meu bolso e impedir que eu compre mais coisas, gerando, assim, menos empregos em outras indústrias não protegidas (por não fazerem lobby junto ao Estado). Mas ainda assim eu acho justo bancar esta brincadeira de compadres;

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“Político é tudo farinha do mesmo saco”– mas ainda assim eu aceito que tudo no país gire em torno deles e de suas decisões, e fico torcendo para que, quem sabe, um dia, apareça um santo salvador da pátria, mesmo sabedor de que indivíduos extremamente capacitados e honestos, quando questionados se não gostariam de candidatar-se a cargos eletivos, costumam proferir respostas tais como “Deus me livre”, “vade retro”, “não entro naquele meio de jeito nenhum”, e por aí vai; mas quem sabe na próxima o próprio Cristo reencarnado não dê o ar da graça na urna, não é?

“Ah, mas o que a gente pode fazer para mudar isso, né?” Não podemos promover um levante, pois a maioria do povo está sempre correndo atrás de seu sustento, nem tem tempo (ou capacidade intelectual) para entender e se preocupar com essas coisas. Queremos eleger alguém que se preocupe com elas por nós… e aí começam e terminam nossos problemas: enquanto o povo não quiser mais liberdade econômica, ele não vai ter. Esta é a condição sine qua non para que a classe política tome iniciativas neste sentido, pois enquanto for possível convencer os eleitores de que eles não são capazes de andar com as próprias pernas (se o governo sair da frente e parar de segurar o cidadão pelos calcanhares), não há porque acreditar que a classe política irá abrir mão de seus próprios privilégios. Ninguém te dá desconto se você não pedir e insistir, e nenhum governante vai cortar na própria carne se você não, ao menos, entender que tal providência seja necessária;

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“Ah, mas até que não seria um problema conviver com um elefante na sala, se pelo menos ele nos prestasse bons serviços públicos em contrapartida. Veja a Suécia ou a Noruega!” É terrível ser o mensageiro das más notícias, mas aí vai: a social-democracia sueca é, em verdade, o carrapato da riqueza produzida pelo livre mercado, e a Noruega é um verdadeiro poço de petróleo sem o Chavismo para destruí-lo. Pense naquele indivíduo que, depois de muito trabalhar e ganhar dinheiro (gerando, no processo, riqueza para mais pessoas), começa a pagar festas para os amigos. Faria sentido imaginar que ele ficou rico pagando estas festas? E aquele outro conhecido que ganhou na Mega Sena e hoje vive apenas de renda (mas que já começa a ver seus fundos escassearem), faz sentido achar que a solução para uma vida melhor seja trilhar o mesmo caminho? Haja fé, viu – e não adianta nem cogitar fazer do Nióbio nosso bilhete premiado, já adianto. Enfim, entender melhor um pouco o mito escandinavo ajuda a compreender que nossa trajetória para fora deste poço não tangencia em nada a história da evolução desses países:

http://spotniks.com/sabe-aquela-historia-que-a-suecia-e-o-socialismo-que-deu-certo-entao-e-mentira/

http://rodrigoconstantino.com/historico-veja/a-riqueza-da-noruega/

“Ah, então eu devo sair rua afora com uma tocha na mão em direção à Praça dos Três Poderes, ombreando esforços com os militares, e botar toda aquela corja para correr de Brasília, e, na sequência, substituo todos por políticos que… mas espera aí, eles não são todos iguais?” Pois é, ainda são. E só vão mudar quando a matéria-prima da qual ele são feitos (ou seja, a cultura do povo brasileiro) transformar-se. Não antes disso. Talvez um pouco depois. Mas jamais antes.

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Ricardo Bordin

Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR.