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O Ambientalista Crente

Colaboradores

05.02.07

 

O Ambientalista Crente

RODRIGO CONSTANTINO*

 

“O método do conhecimento científico é o método crítico: o método da busca por erros e da eliminação de erros a serviço da busca da verdade, a serviço da verdade.” (Karl Popper)

 

 

Poucos temas atuais são tão dogmáticos como o aquecimento global. Que o planeta está experimentando um aumento na temperatura média, que a causa disso é a ação humana, e que o futuro é catastrófico se nada for feito pelos homens são “verdades” tão absolutas, pelo senso comum, que sequer merecem questionamento sério. Aquele que ousar fazer perguntas, demonstrando algum ceticismo, será logo tachado de herege, como muitos defensores da razão eram na Idade das Trevas, a era onde a superstição dominava o conhecimento racional.

 

Ocorre que o conhecimento objetivo, como bem nos lembra Karl Popper, evolui justamente pela crítica, pela tentativa de se refutar as teorias. O conhecimento é conjectural, “um ousado trabalho de adivinhar, mas se trata de um adivinhar disciplinado pela crítica racional”. E segundo Popper, “isso torna a luta contra o pensamento dogmático um dever”. Como as conclusões sobre o aquecimento global não parecem abertas às críticas, podemos concluir que se trata de um pensamento dogmático. É um dever lutar contra isso, portanto.

 

Aqui, não pretendo refutar cientificamente as principais teses dos alarmistas, até porque me falta capacidade para tanto, mas apenas estimular um maior questionamento sobre certas “verdades”, ou melhor, dogmas. Não custa lembrar o quanto os “especialistas” do passado já erraram sobre esses temas. Basta citar que na década de 1970, o pânico do momento era o esfriamento global. Podemos falar da SARS também, que iria dizimar boa parte da população mundial, tal como a peste negra no passado. Creio que podemos afirmar com elevado grau de certeza, que os especialistas previram umas mil catástrofes das últimas dez. O exagero não é por acaso. Eles vivem disso, e se não há pânico incutido nas pessoas, não há muitas verbas para suas pesquisas.

 

No recente Fórum de Davos, um dos assuntos centrais foi justamente o aquecimento global. Muitos comemoraram, como se finalmente os economistas tivessem acordado para a relevância do assunto. Há, porém, uma interpretação alternativa: o mundo vive uma fase tão boa e rara de bonança, com forte crescimento econômico por anos seguidos, que as preocupações mais básicas e imediatas, como emprego e renda, cedem espaço para as elucubrações distantes. E um tom escatológico faz-se necessário, pois caso contrário, ninguém irá dar muita atenção – nem verbas. A tese malthusiana de fim do mundo sempre conquistou muitos adeptos, ainda que tenha sido refutada pela experiência.

 

Os ambientalistas pessimistas partem de um fato – o aumento na temperatura média do planeta – e concluem muitas coisas que não estão, nem de perto, provadas. Podemos estar diante de uma falácia conhecida como non sequitur, onde as premissas são verdadeiras, mas a conclusão não é derivada delas. Não há prova, e para muitos cientistas sequer evidências, de que é a ação humana que causa tal aumento da temperatura. Muitos cientistas renomados, mas ignorados pela mídia e público em geral, afirmam que a temperatura da Terra sempre oscilou bastante, que já foi mais quente que a atual, e que tudo isso é normal. O diretor do Observatório Astronômico de São Petersburgo, Khabibullo Abdusamatov, afirma que a atividade do sol é que causa o aquecimento, e não o “efeito estufa”.

 

Ele não está sozinho nesse ceticismo. A lista é enorme, na verdade: Dr. Ian Clark, professor da Universidade de Ottawa; Dr. Daniel Schrag, de Harvard; Claude Allegre, um dos mais condecorados geofísicos franceses; Dr. Richard Lindzen, professor de ciências atmosféricas do MIT; Dr. Patrick Michaels da Universidade de Virginia: Dr. Fred Singer; Professor Bob Carter, geologista da James Cook University, Austrália; 85 cientistas e especialistas em climatologia, que assinaram a declaração de Leipzeg, a qual denominou os drásticos controles climáticos de “advertências doentes, sem o devido suporte científico”; 17.000 cientistas e líderes envolvidos em estudos climáticos, que assinaram a petição do Oregon Institute de ciências e medicina, cujo texto afirma a falta de evidência científica comprovando que os gases estufa causam o aquecimento global; e 4.000 cientistas e outros líderes ao redor do mundo, incluindo 70 ganhadores do Prêmio Nobel, que assinaram a Petição de Heidelberg, na qual se referem às teorias do aquecimento global relacionadas aos gases estufa como “teorias científicas altamente duvidosas”. E tem muito mais!

 

Curiosamente, quase ninguém parece interessado a escutar o que esses cientistas têm a dizer. Preferem focar a atenção toda em Al Gore, ignorando que ele é um político e que o uso do eco-terrorismo lhe rende muitos votos. Muitos aderem à religião verde por ideologia também. São socialistas que ficaram órfãos com a queda do muro em 1989, e precisam de algum substituto para atacar o capitalismo e o industrialismo. O ambientalismo vem bem a calhar, posto que prega a concentração de poderes no Estado e condena o capitalismo como grande responsável pelo aquecimento global. Estranho é ignorarem que as nações socialistas sempre foram infinitamente mais poluidoras. Os Estados Unidos, que reponde por cerca de 30% da economia global, tem uma participação semelhante na emissão total de gases. Mas a Rússia, por herança socialista, tem uma economia de apenas 1,5% da global, e emite algo como 17% do total de gases. Como podem pedir mais Estado para resolver o “problema” então? Não é por acaso que são jocosamente chamados de “melancias”: verdes por fora, mas vermelhos por dentro.

 

Muitos afirmam que “o seguro morreu de velho”, alegando que as conseqüências seriam insuportáveis se as previsões estiverem corretas. Há alguma lógica nisso, mas é preciso ter em mente que os recursos são escassos, e existe um claro trade-off aqui. Bilhões que migram para a causa ambientalista são bilhões que deixam de ir para outros projetos, que poderiam gerar empregos e riqueza. Quando um projeto vai para a gaveta por conta da barreira ambientalista, são empregos que deixam de ser gerados. Tudo isso deve ser levado em conta num debate mais racional e imparcial sobre o tema, deixando as paixões de lado.

 

Há muito mais o que ser dito sobre o tema, de extrema relevância. Poderíamos mostrar como os furacões e enchentes, agora atrelados ao capitalismo por esses ambientalistas, causaram mais estrago ainda no passado, ou então em países socialistas, como a China. Mas basta um furacão novo surgir que logo acusam o capitalismo. O rigor científico é deixado de lado quando o objetivo não é a busca da verdade, mas a alimentação da crença dogmática. Quando percebemos esse modus operandi em torno do assunto, fica mais fácil entender a celeuma e revolta que causou o livro O Ambientalista Cético, de Bjorn Lomborg, que havia sido inclusive do Greenpeace. Ele começou tentando provar muitos dos alardes, e concluiu que a maioria era pura ladainha. Crentes fanáticos não suportam essa atitude. A Inquisição é necessária para manter a fé cega. Infelizmente, estamos diante de um tipo que não pretende questionar, mas sim pregar seu dogma: o ambientalista crente.


* Economista e articulista

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.