O que resta quando a confiança se rompe?
O que direi agora fica de registro. Aliás, pretendo salvar tudo que publiquei nas redes sociais, já que, a depender da “regulação” alardeada pelo presidente Lula novamente logo em seu discurso de vitória, não sabemos, como já não sabíamos, o que poderá ficar no ar.
Uma contestação do resultado eleitoral, como pretende fazer Flávio Bolsonaro, virtualmente não tem chances de prosperar. Simplesmente não há a quem recorrer. Quem aprovaria isso? O TSE? O STF? Não tenho nenhum motivo para acreditar nisso. Lula será empossado em janeiro.
Por outro lado, se teremos que “engolir” as coisas tal como estão, também não tenho nenhum motivo para respeitar um pleito manchado pela intervenção judicial.
Acredito, sem dúvida, na força de Lula; acredito na eficácia de seu procedimento populista de colonização de mentes. Este é o país que levou Vargas ao poder novamente depois de 15 anos de despotismo. E o país em que o próprio petista voltou da cadeia para o Planalto depois de mensalão, petrolão e tudo o mais.
Não duvido da reação expressiva dele junto ao eleitorado com abuso da máquina para compra descarada de votos nem dos limites e fragilidades da candidatura Bolsonaro.
Porém, da forma por que tudo se deu, com os números de que dispomos, com a decisão de Zanin logo após as 17h impondo um limbo jurídico mundialmente vergonhoso quanto a onde as urnas estiveram abertas ou fechadas, eu não me sinto obrigado a respeitar e crer no resultado desta eleição. Na consciência, ninguém mandará.
Carlos Lacerda dizia que, por vezes, na América Latina, não era o golpe típico, mas a aceitação tácita de resultados eleitorais, à revelia dos procedimentos adotados no percurso, o que provava que uma democracia estava letárgica – ou morta. Ele tinha razão. O país que conviva com o fato de que milhões não acreditam nem na Justiça nem na lisura da eleição. Sinto muito.



