De líder em inovação ao declínio educacional: a crise crescente da Alemanha
Segundo um estudo encomendado pelo UNICEF, apenas 60% dos jovens de 15 anos na Alemanha ainda possuem um “nível mínimo de competência” em leitura e matemática. O jornal alemão Die Welt comentou: “Em termos claros, isso significa que 40% são praticamente analfabetos e não dominam as operações aritméticas básicas. Isso nos coloca em 34º lugar entre os 41 países pesquisados. É uma catástrofe.”
Em guerra com a matemática
Ao mesmo tempo, relata o jornal, os padrões acadêmicos estão sendo continuamente rebaixados. Recentemente, vários estados alemães retiraram a divisão longa e os cálculos com números decimais das aulas de matemática nas escolas primárias. Uma das razões apresentadas foi que os alunos cometiam erros demais ao dividir números. Respondendo às críticas, a ministra da Educação da Baixa Saxônia, Julia Willie Hamburg, fez a divertida observação de que simplificar o ensino de matemática representava “um aperfeiçoamento cientificamente fundamentado da educação matemática”.
A ministra pertence ao Partido Verde, cujos apoiadores são notoriamente pouco à vontade com a matemática. Essa foi uma das conclusões de uma pesquisa realizada pelo Instituto Allensbach de Pesquisa de Opinião Pública, na qual 1.118 alemães representativos da população, com 16 anos ou mais, foram questionados: “Em quais matérias vocês eram bons na escola? Quais eram suas melhores matérias?” Eles também foram questionados sobre em quais matérias tinham tido um desempenho ruim.
Uma das conclusões: segundo suas próprias declarações, os eleitores do Partido Verde eram particularmente bons em inglês e estudos sociais na escola. Eles tinham um desempenho especialmente ruim em história e também se saíam significativamente pior em matemática do que os eleitores de todos os outros partidos — com exceção dos eleitores do Partido de Esquerda, que, de longe, apresentavam o pior desempenho em matemática.
Cada vez mais pessoas sem formação escolar ou profissional
A produção econômica da Alemanha está estagnada há sete anos, e uma das causas é o desastre educacional. Daniel Stelter escreve em seu livro Absturz. So retten wir Deutschland (“Queda. Como salvar a Alemanha”): “No Japão, 32% dos estudantes atingem o nível mais alto de desempenho em matemática, enquanto na Alemanha apenas 5% o fazem. As consequências tornam-se visíveis mais tarde: em 2023, pesquisadores japoneses registraram mais de três vezes o número de patentes registradas por seus colegas alemães”.
Stelter relata que, segundo o MINT Nachwuchsbarometer 2023, 22% dos estudantes na Alemanha foram classificados como estando “em situação de risco” e tinham pouquíssima compreensão básica de números e operações aritméticas. O número de evasões escolares, escreve Stelter, atingiu um nível historicamente alto na Alemanha. Depois da Romênia, da Espanha e da Hungria, a Alemanha apresenta a quarta maior taxa de abandono escolar da União Europeia.
A situação é ainda mais dramática entre os jovens adultos sem qualificação profissional. Segundo o Relatório de Formação Profissional de 2025, 2,86 milhões de pessoas entre 20 e 34 anos não possuem qualificação profissional, o que corresponde a 19,1% dessa faixa etária. Além disso, a proporção de aprendizes que abandonam sua formação profissional prematuramente dobrou, passando de 10% em 2005 para mais de 20% em 2020.
A situação nas universidades alemãs é ainda pior. 32% dos estudantes abandonam a universidade. “Cada vez mais alunos não têm os pré-requisitos básicos para ter sucesso nos estudos universitários”, observa Stelter.
Inovação: já não está entre as dez primeiras
Além da hostilidade ao desempenho e da imigração em massa, um dos principais problemas da Alemanha é o federalismo educacional. Cada um dos 16 estados federados determina sua política educacional de forma independente, e não existem padrões nacionais uniformes.
Tudo isso tem consequências para a economia. No Índice Global de Inovação de 2025, a Alemanha caiu da 9ª para a 11ª posição e, pela primeira vez em anos, deixou de figurar entre as dez economias mais inovadoras do mundo, enquanto a China entrou no Top 10 pela primeira vez. Segundo Stelter, a Suíça lidera o ranking há muitos anos, seguida pela Suécia e pelos Estados Unidos. Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido, Finlândia, Países Baixos e Dinamarca também estão à frente da Alemanha.
O que chama a atenção é a estreita relação entre o grau de liberdade econômica e a capacidade de inovação de um país. No Índice de Liberdade Econômica de 2026, Singapura e Suíça lideram o ranking; Dinamarca, Países Baixos e Suécia também estão entre os 12 primeiros, a Finlândia ocupa a 13ª posição, enquanto a Alemanha está apenas em 24º lugar.
“Inventores alemães”, escreve o economista Stelter, “criaram a prensa de impressão, o automóvel, a tecnologia de raios X, o formato MP3 e inúmeras outras tecnologias que mudaram o mundo. Essa capacidade de inovação está por trás das principais indústrias atuais das quais nossa prosperidade depende”. Como um país pobre em recursos naturais, a Alemanha depende especialmente de pessoas bem instruídas e inovadoras. Mas a base para isso já não existe mais. A Alemanha está ficando cada vez mais para trás. O estudo PISA de 2022 documenta uma queda drástica no desempenho. Em matemática, os jovens alemães de 15 anos obtiveram 475 pontos, uma queda de 25 pontos desde 2018.



